Apoia o Gerador na construção de uma sociedade mais criativa, crítica e participativa. Descobre aqui como.
A Revista Gerador é uma publicação bilingue construída em torno de um tema e de uma identidade visual, reunindo artigos jornalísticos, ensaios e contribuições artísticas originais. Não existem edições iguais: cada uma persegue um assunto que acreditamos ser relevante para a sociedade e é uma experimentação criativa diferente. A revista está disponível numa edição bilingue, em português e inglês, em exclusivo para os nossos subscritores anuais. Conhece o estatuto editorial do Gerador, aqui.
A nova edição, a nº 48, parte do quotidiano para olhar os gestos, os ritmos e as práticas que organizam o dia-a-dia. Entre jornalismo, ensaios e criação artística, este número interroga formas de habitar, trabalhar, descansar, cuidar e estar com os outros, procurando perceber como as grandes estruturas sociais se revelam também nas experiências discretas e repetidas de todos os dias.
Última Edição
Um cheirinho sobre o que podes encontrar nesta edição
Limpar, cuidar ou manter são trabalhos facilmente reconhecidos como essenciais, mas geralmente mal remunerados ou até desempenhados em contexto informal. Nesta reportagem ouvimos profissionais e as suas reivindicações, e procuramos perceber os mecanismos que sustentam a sua invisibilidade. A acompanhar o texto, a fotógrafa Mag Rodrigues desenvolve uma reflexão visual própria sobre estas atividades, os seus contextos e as estruturas que sustentam a sua desvalorização.
Ana Luísa Melo, ativista e fundadora do Lisboa Invisível, recorre ao formato de um manual de instruções para expor os obstáculos burocráticos, sociais e políticos que dificultam o acesso à habitação. Entre formulários, esperas e estatísticas que deixam pessoas de fora, a obra questiona a invisibilidade habitacional e a transformação da casa num ativo financeiro, lembrando que habitar é, antes de tudo, uma condição para viver com dignidade.
Entre sanduíches embrulhadas em papel de alumínio, golos celebrados em conjunto e gestos de partilha entre desconhecidos, Abbas Asaria, escritor e cozinheiro a viver em Madrid, explora a tradição espanhola do bocata ao intervalo dos jogos de futebol, refletindo sobre o sentimento de comunidade que nasce destes pequenos rituais e sobre a forma como resistem à crescente comercialização do futebol.
Coisas continuam a acumular-se na casa de Isa Toledo — barbantes que ataram embrulhos, objetos que não entraram noutros projetos, bocados de madeira de balsa recortados, o último alamar da última loja de passamanaria da rua. Em colaboração com Nuno Venâncio, a artista reúne estes objetos em cinco composições fotográficas, explorando a passagem das coisas do quotidiano para a obra de arte e as novas vidas que podem ganhar quando mudam de lugar.
Neste ensaio, a urbanista e investigadora Julia De Martini Day reflete sobre o papel dos espaços públicos do quotidiano na construção de comunidades mais próximas, inclusivas e resilientes. A partir de exemplos de várias cidades, explora como pequenos gestos, encontros inesperados e espaços muitas vezes esquecidos podem fortalecer o sentimento de pertença e a vida democrática, defendendo que uma cidade mais alegre se constrói também nos lugares e momentos mais comuns.
A ilustradora e designer gráfica franco-moçambicana, Fresque, revela, através de cores vibrantes e proporções inesperadas, como gestos tão banais como fazer compras ou preparar um café podem, ao mesmo tempo, ser fonte de conforto e reflexo de exigências, expectativas e rotinas que condicionam o nosso dia-a-dia.
E se aquilo que consideramos banal fosse, afinal, extraordinário? A partir de objetos, hábitos e gestos do quotidiano, a antropóloga Maria Manuela Restivo mostra como as pequenas escolhas do dia a dia são também formas de criatividade e expressão cultural. Um ensaio que convida a desviar o olhar dos lugares-comuns e a descobrir que, para ver o mundo de outra maneira, talvez só precisemos de mudar de lentes.
Na Ilha de Moçambique vivem quatro irmãos albinos. Ligados por laços familiares e por uma condição genética comum, partilham uma experiência de adaptação e pertença num mundo moldado por uma luz que ilumina e condiciona. O fotógrafo moçambicano Mário Macilau acompanha os seus gestos e afetos para refletir sobre identidade, pertença e a relação entre corpo e ambiente.