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Mescla com Jorge da Rocha

Jorge da Rocha é o músico português estabelecido em Barcelona que nos mostra, nos 2…

Texto de Andreia Monteiro

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Jorge da Rocha é o músico português estabelecido em Barcelona que nos mostra, nos 2 álbuns que já lançou, a sua trajetória jazzística e paixão pela música moderna e do mundo, apenas com a sua voz e o contrabaixo.

De regresso ao Porto apresenta "To Drop and Let Go” na próxima quarta-feira, 19 de dezembro, no auditório CCOP. Após o êxito de "These are a few of my favorite songs", o músico traz-nos as suas novas canções originais, em português e em inglês, gravadas com recurso a apenas dois instrumentos – a voz e o contrabaixo. Ao vivo, “To Drop and Let Go” é um espetáculo singular e sedutor, protagonizado pela apaixonante expressividade do seu contrabaixo e da sua voz e pelo encanto das suas canções.

Quanto à sua seleção de 10 músicas de autores portugueses, o Jorge disse-nos:

“Desde sempre lembro-me de ouvir musica em casa, chegavam-me aos ouvidos a música boa dos meus irmãos mais velhos, sempre influenciada pelo rock. Só mais tarde, devido às minhas inquietudes musicais, é que me interessei pela bossa nova e o jazz e iniciei um caminho musical mais relacionado com este tipo de música, nunca deixando a música rock, alternativa de lado.

Esta lista de música está inspirada na música portuguesa que mais marcou a pessoa que sou hoje. Esta marca nem sempre está relacionada com a música em si, por vezes relaciona-se com um momento em concreto, um som novo descoberto, uma experiência pessoal.”

Estas são as 10 escolhas da música portuguesa que o Jorge partilhou connosco:

Zeca Afonso, Vejam Bem (Cantares do Andarilho – 1968)

Com Zeca Afonso, aprendi os meus primeiros acordes na guitarra. Hoje, vivendo em Espanha, quase sempre a toco explicando ao público a importância de Zeca Afonso na época do 25 de Abril. Costuma ser uma das primeiras canções que toco ao vivo e serve-me de carta de apresentação: “É de aqui que venho!”

António Variações, O corpo é que paga (Anjo da guarda – 1983)

Era eu muito novo e lembro-me de ver António Variações na TV, fascinava-me o personagem. Hoje em dia é uma delícia saborear o som que usava, a voz tão particular que tinha, os arranjos melódicos e segundas vozes.

GNR, Bellevue (Picopátria – 1986)

GNR foi o primeiro grupo que ouvia durante horas e horas no meu walkman. Adoro os primeiros álbuns deste grupo, a sonoridade que tem. Este tema é uma delícia e faz-me viajar no tempo, a um momento em que sentia coisas que ainda não sabia o que eram… uma espécie de intuição emocional.

Mão Morta, Lisboa (Mutantes S21 – 1992)

Houve um momento, antes de ser músico, em que queria ser pintor. E, efetivamente, pintava. Hora e horas. Este álbum acompanhou-me tantas vezes nessas sessões de pintura e descoberta pessoal. Serviam-me também para liberar a raiva adolescente que levava dentro.

Carlos Bica, Azul é o mar (Azul (com Frank Möbus e Jim Black – 1996)

Carlos Bica canta com o contrabaixo, fala… Este trio em concreto é incrível, tem uma sonoridade tão própria e especial, em que cada membro tem exatamente o papel que “deve” de ter. Neste grupo encontrei o que me faltava no jazz e andava à procura.

Ornatos Violeta, O.M.E.M (O monstro precisa de amigos – 1999)

Depois dos GNR, durante a minha adolescência, quase não ouvia música cantada em português. Descobrir Ornatos foi uma maravilha, senti com este álbum algo parecido ao que para mim representava o álbum “OK Computer!” dos Radiohead. Era algo diferente do que estava a ser feito e era muito muito bom. Este álbum acompanhou-me em tantos momentos pessoais, emoções fortes, amores e desamores.

Maria João e Mário Laginha, Unravel (Björk)  (Undercovers – 2002)

Este duo é outra maravilha da música portuguesa! Dois músicos excecionais e tão criativos, ambos com trabalhos e colaborações muito boas. Este disco é uma homenagem aos artistas preferidos deste duo. Escolhi esta versão de uma artista que tanto admiro, Björk.

Sérgio Carolino, Mário Delgado e Alexandre Frazão, Lilli's Funk-Theme (To Liliana)  (TGB – 2004)

Pode tocar-se assim a tuba?!… Nenhum instrumento tem um limite (o contrabaixo muito menos). Uma nova descoberta no mundo do jazz… 3 músicos a transbordar de talento e criatividade. A não perder também a versão que têm de Black Dog de Led Zeppelin.

Rodrigo Leão, Lonely Carousel (com Beth Gibbons) (Cinema – 2004)

Rodrigo Leão é para saborear com tempo e para sempre. Descobri-lo foi como descobrir que existem outras cores que não tinha visto antes.

Foge Foge Bandido, Ninguém é quem queria ser (O amor dá-me tesão / Não fui eu que estraguei – 2008)

Descobri-os através de um presente que me chegou pelas mãos do João Pedro dos Da Guida (para ouvir, saborear e bem dispor este grupo). Era todo o pack, o livro com os CD’s! Foi descobrir e desfrutar da ousadia de criar sem limites, de experimentar com o som, a música e a palavra. Muito bom!

Fotografia de Carlos Barros

Se queres ouvir mais Mesclas da Semana, clica aqui.

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