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Festival Terras sem Sombra: quando a quietude, natureza e música se juntam no Alentejo

Começa no dia 2 de abril a 18.ª edição do Festival Terras sem Sombra. A…

Texto de Patrícia Nogueira

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Começa no dia 2 de abril a 18.ª edição do Festival Terras sem Sombra. A edição que tem como título “Há uma paz infinita na solidão das herdades”: Quietude, Natureza e Música (Séculos XII-XXI), arranca em Ferreira do Alentejo e vai percorrer onze concelhos até outubro.

Criado em 2003, o Festival Terras sem Sombra surgiu -pela vontade da sociedade civil - para dar a conhecer o Alentejo ao público nacional e internacional, uma região que sobressai pelos valores não só paisagísticos, mas ambientais e culturais. Este ano, comemora 18 anos de existência com o título “Há uma paz infinita na solidão das herdades”: Quietude, Natureza e Música (Séculos XII-XXI)", percorrendo, de abril a outubro, 11 concelhos alentejanos (Ferreira do Alentejo, Vidigueira, Castelo de Vide, Santiago do Cacém, Beja, Alter do Chão, Mértola, Mourão, Odemira, Montemor-o-Novo e Sines), e apresentado concertos com grupos vindos das mais diversas geografias, como (Áustria, Bélgica, Eslováquia, Hungria, Polónia, República Checa e
Espanha.

Ferreira do Alentejo é o lugar escolhido para começar o festival com uma visita guiada, pelas 15h, à aldeia de Peroguarda, a "aldeia mais típica do Baixo Alentejo". Para além deste, "cliché" associado à localidade, que lhe vem dos tempos do folclorismo do Estado Novo, Peroguarda desperta a atenção pela genuína e profunda riqueza da sua cultura tradicional, desvendada pelo etnógrafo local, Joaquim Roque. A freguesia sofreu grandes transformações desde que o regadio permitiu um intenso aproveitamento agro-industrial dos seus excelentes solos, mas a paisagem retém muito da beleza original e a aldeia não perdeu o espírito do lugar. O etnomusicólogo corso Michel Giacometti amou profundamente esta terras e as suas gentes, cujo cante divulgou, e está sepultado no pequeno cemitério da aldeia e também ele vai ser lembrado nesta iniciativa, da qual faz ainda parte o lançamento da obra Peroguarda 58/59, de Luís Ferreira Alves, com a presença do fotógrafo, catálogo da exposição de igual nome, patente no Museu Municipal de Ferreira do Alentejo.

Pelas 21h30, o agrupamento de câmara Trio Klavis atua em Figueira dos Cavaleiros (Lagar do Marmelo), num concerto intitulado “Teatro de Sombras: Música para violino, saxofone e piano”. O trio oriundo de Viena de Áustria - que tem vindo a destacar-se pelo rigor interpretativo e a qualidade tonal do ensemble vienense que lhes permite imprimir um carácter e um timbre distintos a obras-primas que vão dos períodos clássico e romântico, à era moderna - trazem um programa que integra peças de Mozart (Kegelstatt Trio, K. 498), Eychenne (Cantilène et danse), Shostakovich (Trio n.º 1, op. 8) e Sakamoto (Forbidden Colors).

O Trio Klavis atua no Lagar do Marmelo, pelas 21h30, um espaço
onde convergem a contemporaneidade agrícola, industrial e arquitetónica.

Na manhã do segundo dia, ainda em Ferreira do Alentejo, pelas 09h30, o Festival propõe resgatar do esquecimento algumas ervas com largos pergaminhos na gastronomia do concelho. Assim, sob o mote "Quando a Botânica é também Gastronomia: Carrasquinhas, Catacuzes, Funchos & Cia.” e com a orientação de guias experientes, a ação começa no Museu Municipal de Ferreira do Alentejo e os participantes partem num périplo pelos velhos caminhos em torno de Ferreira do Alentejo em direção ao Cabeço da Águia, de onde se avistam largos panoramas, hoje marcados pela preponderância do olival e do amendoal, mas onde persistem oásis da vida selvagem e autênticos redutos daquelas espécies. O objetivo é aprender a identificar, preservar e consumir ervas sem colocar em risco o seu futuro e, igualmente, ficar a saber como colhê-las e usá-las.

O Festival segue para a Vidigueira nos dias 14 e 15 de maio, onde terá lugar um concerto pelo ensemble vocal português Cupertinos, uma visita ao património cultural que incidirá sobre o vinho de talha e uma ação em prol da salvaguarda da Biodiversidade na Serra do Mendro.

Texto de Patrícia Nogueira
Fotografia de Luis Pereira Alves

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