O nome dado à exposição constitui um trocadilho que pretende questionar a evolução da humanidade. Evilution resulta da junção entre evolution, ou “evolução”, em português, e evil, ou “mal”. “A forma como nós, enquanto sociedade e humanidade, temos evoluído é, em muitos aspetos, negativa, quase diabólica. Daí o trocadilho”, explicou o artista, em declarações à Lusa. A crítica aos “excessos de lixo” produzidos pela sociedade marca também presença entre as mensagens transmitidas através das criações desta mostra.
Bordalo II afirmou que esta exposição, construída ao longo de dois anos, conta com peças de séries já conhecidas do público, como a Small Trash Animals, “Pequenos Animais de Lixo", em português, e a Big Trash Animals, ou “Grandes Animais de Lixo”. Nestas séries, o artista cria esculturas de animais de grande e pequena escala, através do uso de todo o tipo de lixo, desde brinquedos de plástico a separadores de estrada. No comunicado de imprensa referente à mostra, lê-se que, desde 2012, Bordalo II já reutilizou cerca de 115 toneladas de materiais para produzir a sua arte.
Além das peças já conhecidas, a exposição é também composta por uma “grande variedade de novas séries de trabalhos” feitos “com materiais provenientes dos sítios onde é destruído o habitat dos animais, muitas vezes para exploração intensiva”, explicou o artista. Bordalo II confessa que a pandemia de covid-19 lhe deu a “possibilidade de repensar e de pensar com mais carinho nas coisas”. Desta forma, o corpo de trabalho apresentado “acaba por ser uma evolução, ou uma ‘ivolução’” do que o artista já construía, mas com a “utilização de outros materiais ou uma diferente organização destes”, reitera.
Os cinco momentos de Evilution e a arte na rua
Bordalo II abre a exposição, constituída por cinco momentos expositivos, com peças da Small Trash Animals, divididas em três séries. A neutral constitui “pintados sobre o plástico para mostrar um animal quase real”, a half-half é “metade neutral, metade de plástico colorido em que é fácil identificar os objetos usados” e a plastic é “uma evolução que revela os objetos usados sem pintura alguma”, lê-se no comunicado.
No segundo momento é possível observar alguns dos novos materiais utilizados por Bordalo II nestes últimos dois anos. Os objetos são manipulados “em várias camadas de forma a criar diferentes formas e tonalidades”, lê-se. Já o terceiro momento, inspirado pelos primeiros tempos de Artur Bordalo, o seu verdadeiro nome, como artista, simboliza um regresso às suas origens: o graffiti. No momento seguinte, o público tem a hipótese de comprar um livro da exposição e sobre a carreira de Bordalo II e prints de edição limitada. Por sua vez, o quinto e último momentoé reservado para um evento-surpresa.
Em declarações à Lusa, o artista admitiu que, muitas das vezes, “este tipo de trabalho é trazido do espaço público para dentro da galeria, do museu ou da instituição”. No entanto, Bordalo e a sua equipa quiseram trazer a arte “de volta para a rua”, como um “processo inverso daquilo que é suposto ser a forma como as coisas acontecem no mundo da arte”, explicou. Desta forma, as peças apresentadas ocupam um armazém de grandes dimensões no Edu Hub Lisbon, em Marvila.
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