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Opinião de Rodrigo Sousa

Carinhosamente apelidado de serrano inquieto, apaixonado pelos vales da Beira Alta que o viram nascer e crescer. Do e para o interior, orgulhosamente educado pela escola pública. Neste momento a continuar a aventura pelas Beiras, desta vez na cidade de Coimbra onde estuda Relações Internacionais na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.

Exames nacionais? Não, obrigado

Nas Gargantas Soltas de hoje, Rodrigo Sousa fala-nos sobre a pressão e desigualdades causadas pelos exames nacionais no acesso ao Ensino Superior, defendendo a necessidade de um novo modelo de avaliação mais justo e inclusivo.

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Junho é sinónimo do início dos dias de verão, da maresia e das esplanadas que preenchem estados de espírito. Mas, para muitos estudantes, é também sinónimo dos exames nacionais do Ensino Secundário, que têm sido um fardo pesado e injusto, subvertendo a verdadeira missão da educação.

Ao converterem-se no principal critério de acesso ao Ensino Superior, estes exames retiram à escola a sua capacidade primordial de educar e formar para uma participação ativa e consciente na sociedade. A pressão desmedida, a ansiedade crescente, a competição desenfreada — tudo isto em nome de um sistema que não serve os interesses dos estudantes, mas sim a perpetuação de desigualdades históricas e socioeconómicas.

As promessas de igualdade que os exames nacionais deveriam cumprir são uma miragem. Em vez de servirem as promessas de “nivelar o campo de jogo”, apenas acentuam as disparidades, disparidades essas que não deviam caber numa escola pública de Abril: basta pensarmos no mercado de explicações e ao acesso aos recursos extras que outras camadas sociais nem sonham, e assim, a educação transforma-se numa corrida onde nem todos temos o mesmo ponto de partida.

Não só esse sistema perverso coloca os estudantes num clima de competitividade e num clima de desigualdade social, em condições por vezes subumanas ao desvalorizar-se o direito a uma avaliação contínua e integrada, que respeite os seus ritmos e modos de aprendizagem, e que reconheça o valor do seu desenvolvimento ao longo do tempo, este sistema acaba também por desmantelar as funções principais do que almejamos e sonhámos para um projeto educativo em liberdade.

Em vez de cultivar o pensamento crítico, a criatividade e o trabalho colaborativo, escolas e professores são compelidos a focar-se em rankings e resultados de exames. A aprendizagem torna-se mecânica, a descoberta é sacrificada em prol da memorização, e o sentido mais profundo da educação — o de formar seres humanos completos e conscientes — é esmagado. Testemunhamos uma desvalorização progressiva da educação para a democracia e do trabalho de projeto, elementos fundamentais para uma cidadania plena. Da construção de projetos de vida e de investigação, de definição do que queremos enquanto sociedade, da formação plena.

Urge, portanto, iniciar-se o debate sobre a criação de um novo modelo de acesso ao Ensino Superior, que transcenda os exames nacionais e os numerus clausus: precisamos de instrumentos de avaliação que sejam justos e inclusivos, e uma escola pública que não se renda à pressão do imediatismo contra a avaliação contínua. Só assim poderemos garantir que a educação cumpre o seu verdadeiro propósito: emancipar mentes, igualar oportunidades e construir uma sociedade mais justa e democrática.

Nos 50 anos de Abril, já era mais que tempo de começar a lançar as bases de uma nova era educativa, sem as amarras de um modelo que prova estar falido diariamente. Porque a luta pela educação também é a luta pela liberdade e pela igualdade. Não se estar a iniciar esse debate, é sinal de que iremos continuar - infelizmente - a falhar a toda uma geração.

As posições expressas pelas pessoas que escrevem as colunas de opinião são apenas da sua própria responsabilidade.

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