A Companhia Nacional de Bailado regressará ao palco na edição do Millennium Festival ao Largo de 2020, que decorrerá entre 10 e 25 de Julho, no Palácio Nacional da Ajuda, contando, também, com transmissão online e através do canal televisivo RTP2. Nos três últimos dias, a partir das 22h00, poder-se-á assistir a duas novas criações contemporâneas, projectadas para este momento, Symphony of Sorrows, de Miguel Ramalho, e algo_ritmo, de Xavier Carmo e Henriett Ventura, bem como a excertos do Acto I, de Dom Quixote, de Eric Volodine, segundo Alexander Gorski.

Os três primeiros coreógrafos são também bailarinos da Companhia. Na primeira criação, Symphony of Sorrows, Miguel Ramalho partiu da vida interior de cada corpo, da sua música. “Os nossos corpos formam um organismo que vislumbra a imagem do que temos no subconsciente. […] Como se conseguíssemos ver cada nuance musical enquanto vivemos pequenos momentos que nos são fortemente familiares”, lemos na sinopse.

Em algo_ritmo, Xavier Carmo e Henriett Ventura, propõem uma reflexão sobre a singularidade humana atravessando a comunhão. “No espaço – tempo em que o indivíduo se expressa e existe ele é ÚNICO, mas faz parte da HUMANIDADE. Em algo_ritmo, procuramos uma imersão num espaço que não é espaço, num tempo que não é tempo, senão aqueles que lhes quisermos atribuir, e em que o intérprete nele se imprime como ser único e singular, dentro do coletivo que o rodeia.A fórmula de Fibonacci serve de inspiração para este trabalho. A sua sequência tida por muitos matemáticos como a “impressão divina”, ou a prova de uma inteligência superior, de um grande arquiteto sobre o mundo natural, será o motor para uma outra busca, a de uma impressão Humana.”

O bailado Dom Quixote, de Marius Petipa, é um dos mais marcantes na vida do ballet clássico e sua estreia decorreu em 1869, na Rússia. Parte de um clássico da literatura universal, a obra espanhola Dom Quixote de La Mancha, de Miguel Cervantes. Em 1900, Alexander Gorski criou uma nova versão do bailado, que se veio a tornar “numa referência coreográfica” e se caracteriza pela alternância “entre uma natureza realista e popular, com o mundo de fantasia e sonho.” Nesta edição de 2020 do Millennium Festival ao Largo, poder-nos-emos encontrar com “o espírito sedutor de Espanha”, que “se revela, entre pandeiretas e leques, através das danças contagiantes de bailarinas de rua, de toureiros, e do par amoroso desta história, Basílio e Kitri”, continua a sinopse.

As transmissões não contemplam a programação completa. Verifica os dias em que poderás assistir através da página de Facebook do Millennium Festival ao Largo e do Millennium bcp, assim como do canal de televisão RTP2. Caso queiras assistir no Palácio Nacional da Ajuda, a entrada é gratuita. Poderás adquirir os bilhetes até dois dias úteis antes da sessão pretendida, a partir das 13h, nas bilheteiras do Teatro Nacional de São Carlos, Teatro Camões e do endereço www.bol.pt.

Texto de Raquel Botelho Rodrigues

Fotografia de Hugo David, disponível na página de Facebook da CNB