Susana Menezes, diretora do LU.CA – Teatro Luís de Camões, comunicou à Lusa no dia 1 de Janeiro, a propósito do 1º aniversário do teatro, que a nova temporada irá iniciar-se com um ciclo dedicado às eleições. Já a partir de setembro a temática será introduzida a crianças e jovens por via das artes performativas.

“Dado que vamos ter eleições [legislativas] em outubro, sentimos que era importante fazer um ciclo que nos fizesse pensar um pouco e abrisse algumas portas de entrada para este assunto junto das crianças”, afirmou Susana Menezes em declarações à Lusa.

O ciclo irá incluir “uma miniconferência dedicada a estas matérias, às questões da Democracia” e “uma oficina que se chama ‘É bom mandar’, onde as crianças vão poder praticar diferentes modelos de governação”.

“Vamos ter também sessões de cinema relacionadas com esta questão que é ‘eu poder decidir, eu poder ter uma voz, eu poder ser falante, ter uma opinião e poder manifestá-la e a minha participação poder contar efetivamente para alguma coisa’”, explicou a responsável.

A nova temporada voltará a incluir espetáculos de dança e de teatro, um dos quais “vai abordar muito as questões da acessibilidade e da inclusão”. “Inclusive estamos já a abrir um casting para uma atriz surda, que vai entrar num destes espetáculos, do Marco Paiva”, revelou Susana Menezes.

Sendo 2020 o ano em que Lisboa ganhará o título de Capital Verde Europeia, a nova temporada do LU.CA pretende sensibilizar os mais novos para questões ecológicas através de um ciclo chamado “Como é que se faz mais verde?”, no qual “procura explorar-se, em diferentes formatos artísticos, matérias que têm que ver com as preocupações de sustentabilidade e de cuidar do planeta, que é tão importante abordar e trabalhar”. 

No que às escolas diz respeito, na nova temporada, o LU.CA vai “voltar a lançar o desafio às escolas públicas da cidade de Lisboa para desenvolverem o concurso Labor, um projeto que decorre nas escolas secundárias públicas de Lisboa e que propõe uma relação de aproximação entre os criadores, as artes performativas e as escolas, na relação de proximidade entre o LU.CA e estas escolas”.

“No fundo para aproximar e, sobretudo, desmistificar ideias sobre o que é a criação teatral, o que é a morfologia processual de um espetáculo de teatro, tudo isto orientado por criadores que vão estar nestas quatro escolas”, disse Susana Menezes.

Na nova temporada está garantida também a continuação das visitas ao teatro e das leituras da Biblioteca do Público, que existe em permanência no entrepiso do LU.CA. “No próximo ano vamos ter – porque vamos começar agora com esse novo elemento de relação no entrepiso – os pontos de escuta”, referiu ainda a diretora artística do teatro.

Nos pontos de escuta, disponíveis no âmbito do primeiro aniversário, poderão ouvir-se “recados dos artistas que estão a ser apresentados em palco, bandas sonoras do espetáculo que está a ser apresentado em palco, partes do texto”.

“No fundo para também dedicarmo-nos um pouco mais às questões da mediação. E é por isso que este entrepiso que existe aqui no teatro tem várias valências e vamos tentar ampliar essas valências”, referiu.

Assim, no entrepiso, além da Biblioteca do Público, “com livros escolhidos pelos artistas que estão ali, que ajudam a compreender onde é que os artistas foram buscar inspirações e quais são os seus livros de referência, onde é que eles foram buscar ideias”, passa a haver também “os pontos de escuta para ouvir os recados destes artistas e as mensagens e músicas que eles querem mostrar”.

O Teatro Luís de Camões, na Calçada da Ajuda, reabriu em 01 de junho do ano passado, rebatizado de LU.CA, inserido no plano de reestruturação dos teatros municipais de Lisboa, tornando-se no primeiro teatro municipal em Portugal com uma programação exclusivamente dedicada a crianças e jovens.

Texto de Lusa e Carolina Franco
Fotografia de LU.CA disponível via Facebook

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