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“Threadbare”, um álbum que viaja pelos géneros musicais e pelo mundo

Kiko & The Blues Refugees lançaram o seu mais recente álbum a 13 de fevereiro….

Texto de Patricia Silva

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Kiko & The Blues Refugees lançaram o seu mais recente álbum a 13 de fevereiro. Composto por um "filme sonoro" que expõe um género universal - Blues - o disco revela as longas estradas que a banda já percorreu e a que nos pode levar. Threadbare já se encontra disponível em todas as plataformas digitais.

Composto por 11 temas originais de Kiko Pereira, o disco parte do Sul dos Estados Unidos e leva-nos a percorrer diferentes locais entre Mississipi e Chicago, passando por Detroit. É então que as bagagens se cruzam e difundem-se com outros géneros como o rock-roll, o rhythm and blues, a soul ou o jazz.

Inspirando-se nos episódios do dia-a-dia que lhe foram dando pistas," isto porque o criador não cria. Descobre.", o Kiko Pereira encontrou nesses mesmos episódios assuntos dos quais queria falar, "na altura, era sobre a gentrificação e as pessoas deixadas para trás. Hoje em dia, é algo tão distante falarmos de gentrificação com esta reviravolta. No entanto, o tema tornou-se estranhamente pertinente nesta altura da pandemia e, portanto, foi de certa forma premonitório. Falamos de retratos, críticas não no sentido moralista mas sim de observação do dia-a-dia, desde as fake news ao instagram. É a vida como nós a vemos com um pouco de soul, blues e rock-roll", conta-nos o músico e representante da banda.

“Giver” foi o single que se mostrou como ponto de partida no início da pandemia. Desde “Sittin’ and Wishin’” em dueto com Marta Ren, “Too Lazy to be a nice guy” até “Sugar for your Instagram”, os artistas que completam a banda descrevem o disco como "bem capaz de ser o suplemento de alma que estamos a precisar para aguentar com ritmo este complicado período".

Assinalando este primeiro momento, "Giver", da autoria de Kiko Pereira e Anabela Trindade, é um vídeo que acompanha o single e conta com a colaboração de algumas “mãos” famosas, como por exemplo, Rui Reininho, Selma Uamusse, Helder Reis, Peter Eldridge, Fernando Martins, entre muitos outros.

Atendendo à importância do digital na música que se faz ouvir, Kiko explica-nos que este meio já não é novidade, "nos anos vinte e trinta, um pouco antes talvez, a rádio era o wireless na altura, era uma tecnologia de ponta. Foi então que a rádio democratizou um pouco a Cultura. Talvez 50 anos antes, essa mesma cultura era considerada 'alta cultura' de salões, auditórios e salas de espetáculos diferenciando-se da 'cultura popular' de casa. A Rádio democratizou, portanto, esse mesmo acesso e tornou-se na grande música dos mais diversos géneros, formando um público, nomeadamente, no centro da América e, isso é também o que está acontecer hoje em dia, com outros meios, ainda mais democratizados".

Threadbare, conta com a produção de Mário Barreiros e Kiko, que se dedicam ao blues, explorando um conjunto de músicos distintos na tradição da música americana, nomeadamente, Paul Simon e Art Garfunkel, Allman Brothers, Ray Charles e ZZ Top.

A banda composta por Kiko Pereira, António Mão de Ferro (guitarras), Jorge Filipe Santos (teclados), Carl Minnemann (baixo) e João Cunha (bateria), apresenta ainda alguns convidados que participaram neste novo disco, como é o caso de Marta Ren, Bj Cole, Mila Dores, João Andresen e Rafaela Alves. Parte desta seleção é resultado da importância do momento e da reflexão na construção do processo criativo de Kiko.

Com um reconhecimento internacional significante, os artistas voam com a vontade de que se "ouça música" valorizando todos os processos que a percorrem. É, desta forma, que Kiko finaliza a sua conversa deixando-nos o desafio de uma comemoração do dia Internacional da Música, sem música, louvando a sua importância na vida de cada um.

Texto de Patrícia Silva
Fotografia de Anabela Trindade

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