“Mist”, de Andreia Santana, conta com curadoria de Alberta Romano e ocupa o espaço da Ermida Nossa Senhora da Conceição. Já “A Failed Entertainment #3 – Manoela Ritornella”, de Francisca Carvalho, é um projeto curatorial de Ana Anacleto e pode ser visto na porta N.º11 da Travessa do Marta Pinto, em Belém. Ambas são de entrada livre e podem ser visitadas até 17 de outubro.

Em “Mist”, Andreia Santana apresenta uma instalação que compreende duas obras escultóricas em aço, que dialogam com a arquitetura setecentista da Ermida Nossa Senhora de Belém, dando continuidade à pesquisa que a artista tem desenvolvido em torno das anotações de campo e apontamentos arqueológicos.

“Abrangendo diferentes períodos históricos, esta coleção denuncia modos típicos de organização do trabalho local em arqueologia – que, consequentemente, levaram à invisibilidade das contribuições dos trabalhadores – numa tentativa de abrir espaço para um poder contra-discursivo que permita novas historiografias, contra-mitologias e utopias. Concebidas como “elementos mutantes”, as novas obras produzidas para a exposição “Mist” refletem sobre o seu inerente estatuto fluido, possibilitado pela sua natureza não inscrita perpetuando um caráter em constante mudança que possibilita outros tipos de existência no futuro”, pode ler-se na sinopse da exposição.

Já a intervenção «A Failed Entertainment #3 – Manoela Ritornella” corresponde ao terceiro momento expositivo do projeto curatorial “A Failed Entertainment”, desenvolvido por Ana Anacleto para o programa De Porta a Porta da Ermida. Em Manoela Ritornella, a artista Francisca Carvalho apresenta uma imagem que recupera a linoleogravura – uma prática com origem na Europa do final do século XIX-, cruzando-a com o universo gráfico da tradicional xilogravura nipónica, nomeadamente, com referências de caráter erótico ou pornográfico (Hentai) e de padrões tradicionais como ondas e nuvens.

“A artista parte de uma série de desenhos desenvolvidos em 2013 e cria, a pretexto desta exposição, uma nova composição recorrendo agora à cor, através do uso de pigmentos naturais (índigo e dióxido de titânio). Numa construção em camadas (própria, literalmente, da prática tradicional da gravura, mas também entendida metaforicamente na sobreposição das várias referências que somos convidados a descobrir), a obra Manoela Ritornella estende-se ainda para lá do seu suporte físico, propondo uma relação evocativa com o próprio lugar onde é apresentada – Belém, a presença manuelina e o seu contexto histórico de representações visuais”, refere a curadora.

A exposição “Mist” pode ser visitada de terça-feira a sábado, entre as 14h e as 18h, e a intervenção «A Failed Entertainment #3 – Manoela Ritornella” pode ser visitada 24 horas por dia.

Texto de Flávia Brito
Fotografia de Dariya Susak via Unsplash

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Travessa da Ermida regressa com duas exposições simultâneas