A Culturgest apresenta “Triste in English From Spanish”, um trabalho de Sónia Baptista, nos próximos dias 17, 18 e 19 de janeiro. O trabalho partiu da tristeza da artista e teve a tristeza do mundo, em geral, como ponto de passagem. Sónia deu “a volta ao mundo para voltar até à sua tristeza particular, no final”.

As raízes de Sónia são ecofeministas, eco-queer, holístico-filosóficas, estranhas. O estado do mundo e a relação das pessoas com ele, a esperança no amor, um mergulho numa série de assuntos que mexem consigo e com aqueles que aceitaram trabalhar consigo neste projeto.

A partir do espetáculo de Sónia Baptista, uma conversa entre duas psicólogas, um biólogo e uma escritora e coreógrafa juntam-se para falar sobre a tristeza, no dia 16 de janeiro às 18h30 no Grande Auditório. Num tempo em que “todos os palcos incentivam à alegria e à felicidade”, os programadores da Culturgest decidiram incluir a tristeza na agenda. Liliana Coutinho, membro da equipa, conta que falar sobre a tristeza “surgiu naturalmente como vontade da programação da Culturgest” ao apresentarem o espetáculo de Sónia Baptista.

A propósito de “Triste in English From Spanish”, revela que “A Sónia Baptista e a equipa de mulheres artistas – performers, bailarinas, escritoras, artistas plásticas, entre outras –, que com ela conceberam esta peça, não se esqueceram da dimensão relacional das emoções. Também aqui é possível refletir acerca de como a tristeza pode resultar da forma como andamos a gerir as nossas relações humanas e sociais, mas também as não humanas, ou seja, a nossa relação com a Terra e com os seus viventes e não viventes.”. Acrescente-se que vai ser realizada, em paralelo, uma conferência sobre Ecofeminismo — que é, nas palavras de Liliana, “uma corrente de pensamento e um movimento social que propõe formas alternativas de reorganização económica e política, de modo que se possa cuidar e recompor a consciência dos laços existentes entre as pessoas e a natureza, da qual todos nós somos parte integrante.” — no dia 18 de janeiro.

A tristeza é abordada por Sónia Baptista “como momento fecundo e de transformação”, conta Liliana. Não acredita que este seja ainda um tema tabu, uma vez que os fados, canções e lamentos quotidianos estão cheios de tristezas, mas “falar sobre ela em público, partilhá-la como sentimento legítimo, inevitável e no qual por vezes precisamos de ficar um pouco, sem o camuflar, talvez não seja muito frequente.”

Sobre a responsabilidade das instituições ao descontrair estes temas, Liliana diz que “cada instituição deve assumir as responsabilidades que decidir para si” e, neste caso, “não se trata de desconstruir – talvez mais adequado seja falar de partilhar conhecimentos e experiências, debater, aprofundar, parar para reparar na tristeza e nos seus múltiplos aspetos e variações.”

Entre os dias 16 e 19 de janeiro, a tristeza está na agenda, e a Culturgest convida todos a pensarem sobre ela.

Texto de Carolina Franco
Fotografia de © Joana Dilão

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