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500 paus pela melhor banda desenhada: concurso da Chili Com Carne está de volta

As candidaturas estão abertas até 4 de fevereiro de 2025. O trabalho vencedor é publicado pela associação, e o autor ganha 500 euros, para além de se tornar júri da próxima edição da iniciativa.

Texto de Flavia Brito

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Já estão abertas as candidaturas para a 12.ª edição do concurso “Toma lá 500 paus e faz uma BD!”, com o qual a associação Chili com Carne (CCC) tem tentado “matar a modorra na cena portuguesa” do universo da banda desenhada. A melhor banda desenhada ganha 500 euros e é publicada.

Podem candidatar-se artistas portugueses, residentes ou não em território nacional e a artistas estrangeiros residentes em Portugal. A única condição é ser sócio da CCC. Se ainda não pagaste a quota (30 euros, ou metade se tiveres menos de 30 anos), podes fazê-lo no site da Associação, no qual também estão explicadas todas as regras de participação.

Aceitam-se vários formatos: uma BD longa de um autor ou com parceiros, um livro com várias BD do mesmo autor ("desde que tenham uma ligação estética ou de conteúdo") ou uma antologia de vários autores com um tema comum, indica a associação. No caso das antologias, são permitidos artistas internacionais, desde que estejam em minoria.

De acordo com o regulamento, é dada uma preferência a projectos a preto a branco (embora a cor não seja proibida) e a livros “apresentados num formato das colecções” já existentes da Chili Com Carne.

Os trabalhos serão avaliados por Vanessa Alfaro (sócia da livraria e galeria Tinta nos Nervos), Marcos Farrajota (autor de BD, editor e fundador da Chili Com Carne), Alexandre Piçarra (vencedor da edição anterior) Ondina Pires (Master Punk) e Tomas Ribeiro (direcção da Chili Com Carne).
Ana Ruivo (sócia da livraria e galeria Tinta nos Nervos, que apoia o concurso).

Os candidatos devem concorrer até 4 de fevereiro do próximo ano, enviando para o email *@***********ne.com" target="_blank" rel="noreferrer noopener">cc*@***********ne.com, através de um serviço de descarga em linha (como o WeTransfer), pelo menos quatro páginas seguidas e acabadas e 20% das páginas planeadas, um texto de apresentação do(s) autor(es), a sinopse do projecto e o planeamento por fases (com datas). Tudo isto no formato .pdf. O vencedor é anunciado dez dias depois, a 14 de fevereiro 2025.

Askar o General, de Dileydi Florez, O Subtraído à Vista, de Filipe Felizardo, The Care of Birds/ O Cuidado dos Pássaros, de Francisco Sousa Lobo, Acedia, de André Coelho, e as antologias Nódoa Negra e All Watched Over by Machines of Loving Grace são alguns dos livros que já saíram deste concurso. Em janeiro deste ano, a associação publicou o número 42 do Mesinha de Cabeceira, Partir a Loiça (toda) de Luís Barreto.

A CCC faz um balanço "obviamente positivo" da iniciativa. "Variedade há sempre muita, pelo que já publicamos percebe-se isso", diz o fundador da associação, Marcos Farrajota. Desde a primeira edição, em 2013, já foram publicados 12 projectos vencedores, de novelas gráficas a antologias, em livros ou em zines, incluindo dois trabalhos que não venceram o concurso. "Agora nem tudo são rosas", diz ao Gerador.

"Foi imposta à BD, em geral, a ideia que só existe, se for um webtoon [webcomics ou mangá sul-coreanas publicados online] tonto ou um livro sério que a nova indústria apropriou-se e tem arrotado como "novela gráfica".

Segundo Marcos Farrajota, "um autor jovem ou novo não consegue fazer um livro de 200 páginas sobre um assunto sério, assim sem mais sem menos, é preciso produzir BD curtas para ganhar experiência ou um estilo", argumenta, criticando também a falta de interesse em trabalhos colectivos.

"A união faz a força, costuma-se dizer... [mas] em tempos individualistas, pelos vistos, é complicado juntar uma malta e fazer um livro colectivo." Por esse motivo, o formato antologia foi o único aceite na 5.ª edição do concurso da CCC. "O resultado foi a Nódoa Negra, que foi a primeira antologia dirigida por mulheres artistas!", partilha o também editor e autor de banda desenhada. "Valeu a pena termos feito a obrigação? Creio que sim, o problema é que temos de o fazer, senão não acontece... para mim, é triste!"

Questionado sobre como olha para o mercado português de banda desenhada, Marcos Farrajota, fala em "grassa ignorância e mau gosto, apesar de nunca antes se ter publicado tanto" no país. "Não havendo uma cultura da BD em Portugal – apesar de termos excelentes artistas no passado, a começar pelo Bordalo Pinheiro, e apesar de vivermos a "Era da Informação" –, há um enorme terreno vago a ocupar".

O fundador da CCC admite que sempre houve artistas "que apresentam obras sólidas e diferentes do normal", como Filipe Abranches, Maria João Worm, Francisco Sousa Lobo ou Amanda Baeza, no entanto, explica que a maioria das publicações com selo português são "literatura gráfica "light" ou uma terceira divisão de géneros fantasia/ acção /ficção científica." E nesse sentido, comenta: "Nada contra o "light" ou a fantasia que gosto de ler na casa-de-banho, ou nos transportes públicos, mas são apenas pálidas imitações de modelos comerciais, impossíveis de competir com as grandes indústrias de entretenimento internacionais."

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