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Opinião de Marta Guerreiro

Bairro Celeiros

Este mês faz-me sentido partilhar um dos projectos em que estou envolvida através da PédeXumbo,…

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Este mês faz-me sentido partilhar um dos projectos em que estou envolvida através da PédeXumbo, associação que coordeno há alguns anos, o Bairro Celeiros.

A associação tem sede em Évora, no Edifício dos Antigos Celeiros da EPAC, que está habitado por outras entidades culturais da cidade, há alguns anos surgiu a ideia e vontade de se começar a criar uma maior rede de vizinhos, composta pelas pessoas e estruturas que estão diariamente neste edifício. Nesse período, organizaram-se festas e actividades entre as entidades e artistas que cada uma convidou e abriram-se as portas de cada uma a visitas e ao convívio.

Não sei, de momento, o número exacto de anos que se passaram desde a última iniciativa conjunta, mas em mim perdurou esta ideia de se criar um Bairro com uma forte componente de cultura participativa.

Em 2021, com grande ressaca causada pela ausência de trabalho artístico participativo, com diferentes comunidades, que desenvolvia mensalmente no âmbito das minhas funções e não sabendo até quando a fronteira territorial estaria limitada aos poucos quilómetros de área onde vivo e trabalho, surgiu novamente esta ideia. Ideia que foi partilhada com a minha equipa de trabalho e desenvolvida em conjunto. A ideia começou a materializar-se!  

O projecto foi então desenhado, com uma abrangência maior do que inicialmente estava pensada, saindo dos portões dos Antigos Celeiros da EPAC e mapeando-se um bairro em que este edifício é apenas mais um dos edifícios do bairro.

Este ano, o projecto deu vários passos com a criação de uma orquestra e com um ciclo de programação que está a decorrer durante o mês de maio. E é incrível estar a acontecer, e na sua implementação têm-se sucedido tantas coisas, e algumas delas comovem-me pela sua simplicidade e importância.

O Bairro Celeiros voltou a colocar-me os pés no chão e a levar o meu coração em voo. O estar na rua, dinamizar atividades para todos, ocupar espaços públicos, trabalhar em equipa, torna-me viva.

Actualmente o projecto está literalmente na rua e tem-me levado a constatar que não era só eu que necessitava de voltar a estar em contacto com pessoas e a desafiá-las a fazer, reflectir e intervir, pois somos muitos os que estamos envolvidos. E o feedback que nos tem chegado é mesmo esse. Já tivemos pessoas que deram 5 minutos do seu dia para aprender a fazer uma flor de papel e que não se despedem sem nos dizer algo como “Já mudaram o meu dia, volto hoje a casa a saber algo novo.” Outras que nos dizem o quão sentido faz a criação deste bairro, para que mais pessoas possam circular e conhecer esta zona da cidade.

É fantástico perceber que o Bairro Celeiros poderá vir a ser o projecto de uma comunidade local que quer que este continue e que se disponibiliza para fazer parte da sua continuidade. Porque faz sentido ouvir e integrar todas as pessoas; porque as ruas têm de voltar a ser habitadas; porque o saber fazer estimula conversas e ensina-nos a desenvolver competências e conhecimentos específicos; porque não podemos deixar de olhar uns para os outros enquanto trocamos ideias.

Esta é a última semana de atividades do Bairro Celeiros, mas acredito que ainda se vai ouvir falar muito deste projecto.

Bem-vindos ao nosso bairro! 

Conhece mais sobre o projecto.

*Texto escrito com o antigo acordo ortográfico

-Sobre Marta Guerreiro-

Nasceu em Setúbal de pais com naturalidade nos concelhos de Almodôvar e Castro Verde e cresce numa aldeia perto de Palmela. Aos 19 anos muda-se para o Alentejo, território que não imaginava que um dia poderia ser a sua casa, e agora já não sabe como será viver fora desta imensa planície. Licenciou-se em Animação Sociocultural, vertente de Património Imaterial, onde desenvolveu competências sobre investigação e salvaguarda de tradições culturais e neste percurso descobre as danças tradicionais e a PédeXumbo, dando assim continuidade à sua formação na dança. Ao recomeçar a dançar não consegue parar de o fazer e hoje acredita que esta é, para si, uma das formas mais sinceras e completas de comunicar. A dança tradicional liga-a ao trabalho desenvolvido pela PédeXumbo, onde desenvolve o seu projeto de final de curso com o tema “Bailes Cantados” e a partir desse momento o envolvimento nos projetos da associação intensifica-se. Atualmente coordena a PédeXumbo onde desenvolve projetos ligados à dança e música tradicional.

Texto de Marta Guerreiro
Fotografia de Catarina Silva
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