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Opinião de Marta Guerreiro

O meu grito!

Nas Gargantas Soltas de hoje, Marta Guerreiro fala-nos sobre liberdade.

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os, para responder a uma regra que não permite que todas as pessoas do seu género, sejam elas muçulmanas ou não, residentes ou turistas, sejam livres. É da Liberdade que se trata.

O que permite a um regime o direito de aplicar sanções que possam levar ao assassínio de uma forma legal? 

O mau uso de um lenço, bem como o adultério, permitem a aplicação do chamado "crime de honra", que se aplica para alterar uma "conduta imoral" e que não é nada mais que o consentimento de assassinar uma ou mais pessoas para que os princípios de uma comunidade ou religião sejam mantidos. 

Esta aplicação de poder não acontece apenas em outros continentes longínquos da velha Europa. Pelo que pude pesquisar, em 2015, na Alemanha, uma jovem mulher síria, de 20 anos, que fugira do seu país por ter sido violada, foi assassinada pelos seus familiares, alegando estes que ela os teria desonrado. Este é apenas um dos casos que encontrei, porque estes "crimes de honra" acontecem mais frequentemente do que o imaginado, e em países que não têm um regime religioso ou ditatorial.

O que acontece nas ruas do Irão nos dias de hoje é um grito de muitos que lá vivem, mas que tem tido eco no resto do mundo! Porque não se trata "apenas" de derrubar um regime, trata-se de ouvir e perceber o que se passa à nossa volta, e de como é fácil derrubarem-se estados democráticos e, consequentemente, de se  adoptarem regimes que aplicam sanções discriminatórias que condicionam a liberdade do seu povo, apenas pela condição de se nascer mulher.

Este texto é o meu grito por todas as mulheres do Irão e do mundo! Porque, ainda hoje, ser mulher é viver numa condição de discriminação, em desigualdade e com menos acesso às oportunidades.

*Texto escrito com o antigo acordo ortográfico

-Sobre Marta Guerreiro-

Nasceu em Setúbal de pais com naturalidade nos concelhos de Almodôvar e Castro Verde e cresce numa aldeia perto de Palmela. Aos 19 anos muda-se para o Alentejo, território que não imaginava que um dia poderia ser a sua casa, e agora já não sabe como será viver fora desta imensa planície. Licenciou-se em Animação Sociocultural, vertente de Património Imaterial, onde desenvolveu competências sobre investigação e salvaguarda de tradições culturais e neste percurso descobre as danças tradicionais e a PédeXumbo, dando assim continuidade à sua formação na dança. Ao recomeçar a dançar não consegue parar de o fazer e hoje acredita que esta é, para si, uma das formas mais sinceras e completas de comunicar. A dança tradicional liga-a ao trabalho desenvolvido pela PédeXumbo, onde desenvolve o seu projeto de final de curso com o tema “Bailes Cantados” e a partir desse momento o envolvimento nos projetos da associação intensifica-se. Atualmente coordena a PédeXumbo onde desenvolve projetos ligados à dança e música tradicional.

Texto de Marta Guerreiro
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