Apoia o Gerador na construção de uma sociedade mais criativa, crítica e participativa. Descobre aqui como.

Associações do setor preparam fundo de solidariedade para trabalhadores da cultura

“Este fundo surge porque era necessário. Há momentos em que o facto de estas entidades…

Texto de Ricardo Gonçalves

Apoia o Gerador na construção de uma sociedade mais criativa, crítica e participativa. Descobre aqui como.

“Este fundo surge porque era necessário. Há momentos em que o facto de estas entidades poderem fazer qualquer coisa para aliviar a situação que se vive, equivale a uma obrigação moral das mesmas”: é desta forma que Miguel Carretas, diretor geral da Audiogest, descreve ao Gerador o Fundo de Solidariedade para a Cultura, que se encontra na sua fase final de preparação e que pretende ajudar trabalhadores das artes afectados pela pandemia.

Para além da Audiogest, participam também no fundo a Gestão dos Direitos dos Artistas (GDA), a Associação para a Gestão Colectiva de Direitos de Autor e de Produtores Cinematográficos e Audiovisuais (Gedipe) e a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML). Embora este apoio de emergência arranque com 1,35 milhões de euros de base, está ainda “aberto a mais contribuições e donativos”.

O contexto de pandemia revelou fragilidades antigas do setor da cultura em Portugal, sendo essa a principal razão apontada para o aparecimento deste apoio que deverá ser lançado oficialmente nas próximas semanas. Embora já tivesse sido anunciado pelas associações referidas, os responsáveis encontram-se, neste momento, a ultimar os “critérios necessários” para se dar inicio à fase de candidaturas.

“Há todo o trabalho inicial de estabelecer as regras e os critérios para lançar o fundo”, adianta Miguel Carretas que sublinha ainda que o mesmo pretende funcionar em complementaridade com a linha de apoio recentemente lançada pelo Ministério da Cultura (MC). “O que aconteceu foi que nós entendemos que não podíamos ser cegos ao facto de ter sido lançado também, e em boa hora, uma linha de apoio complementar aos apoios gerais e transversais por parte do MC”.

Neste sentido e tendo-se verificado que este novo fundo “podia abranger mais pessoas do que aquelas que podem usufruir dessa linha aberta pelo Governo”, as diversas associações têm estado a “trabalhar nas adaptações necessárias para dar primazia aos profissionais deste setor que não conseguem aceder a esse mesmo apoio”, acrescenta o responsável.

De forma complementar e o mais “abrangente possível nas pessoas a quem pode chegar”, o Fundo de Solidariedade para a Cultura destina-se sobretudo a casos de pessoas individuais, existindo espaço para apoio a estruturas coletivas. “Este fundo destina-se fundamentalmente a pessoas individuais. No entanto, em certos casos, as estruturas coletivas também se podem candidatar com  o objetivo de manterem os seus postos de trabalho. O que nós queremos é evitar que as pessoas se afastem deste setor e que se consigam manter neste setor mesmo durante este período que é absolutamente dramático”, sustenta.

Miguel Carretas revela ainda que o fundo terá o valor mínimo de apoio de 438 euros – semelhante ao apoio concedido nesta altura pela Segurança Social – e um tecto máximo de 740, 83 euros. A duração dos mesmos deverá estender-se “durante o período de crise”, sendo que poderá aumentar conforme a angariação de donativos.

“Se tivermos disponibilização de valores adicionais obviamente que o que iremos fazer é abrir novas fases de candidaturas. Enquanto durar a crise e enquanto tivermos valores disponíveis ou que cheguem novos valores para distribuir, nós vamos continuar esse esforço”, realça.

Foi também neste sentido que se realizou, em junho, o Festival Regresso ao Futuro, organizado pela Sons em Trânsito, cujas receitas de bilheteira reverteram para o fundo. Foi ainda lançada uma coleção de jóias da cantora Ana Moura pela Portugal Jewels, cujas vendem revertem a favor do apoio.

Recorde-se que este fundo surge no seguimento da criação, em março, de um gabinete de crise para dar apoio técnico e jurídico a agentes do setor afectados pela paralisação do setor por parte da Audiogest e a Associação Fonográfica Portuguesa (AFP).

Já no passado mês e depois dos diversos esforços junto da Ministra da Cultura e do Governo, a Audiogest apelou ao Governo, para que este não só implementasse verdadeiros e próprios apoios públicos de emergência aptos a dar resposta à crise do setor cultural, anunciando ainda, a aprovação no Parlamento de um conjunto de alterações para o setor da Cultura, no regime dos espetáculos que foram adiados ou cancelados.

Embora não consiga adiantar uma data específica para a abertura da fase da candidaturas ao apoio, Miguel Carretas salienta que será lançado em breve, mantendo-se aberto a donativos, através do site solidariedadecultura.pt.

Texto de Ricardo Ramos Gonçalves
Fotografia de Manos Gkikas via Unsplash

Se queres ler mais notícias sobre a cultura em Portugal, clica aqui.

Se este artigo te interessou vale a pena espreitares estes também

31 Agosto 2026

(Não) Deitar a toalha ao chão: mas ainda há quem acredite na política?

24 Agosto 2026

Violência de género: quando uma novela gráfica abre a conversa que algumas escolas evitam

10 Agosto 2026

Marcha Gualteriana: 120 anos a levar Guimarães para a rua

3 Agosto 2026

Lançada petição para romper o silêncio sobre a Exposição Colonial do Porto de 1934

27 Julho 2026

Festival Extremo: com música e oficinas, a fronteira entre o dia e a noite voltou a diluir-se na Falperra

20 Julho 2026

Quão perto vive de parques e jardins? Um mapa das cidades mais verdes da Europa

13 Julho 2026

«A Albânia não está à venda» — como a Revolução dos Flamingos deu à juventude albanesa uma razão para ficar

6 Julho 2026

“Por um fio”, ou os desafios ambientais e sociais da Contextile 2026

29 Junho 2026

Em Beco sem Saída, a arte de um grupo de mulheres mistura-se com as suas dores

20 Abril 2026

Bons Sons regressa em agosto com a resistência como mote

Academia: Programa de Pensamento Crítico Gerador

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Iniciação ao vídeo – filma, corta e edita [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Oficina Literacia Mediática

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Comunicação Cultural [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Gestão de livrarias independentes e produção de eventos literários [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Financiamento de Estruturas e Projetos Culturais [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Curso Política e Cidadania para a Democracia

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Clube de Leitura Anti-Desinformação 

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Jornalismo e Crítica Musical [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Jornalismo Literário: Do poder dos factos à beleza narrativa [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Fundos Europeus para as Artes e Cultura I – da Ideia ao Projeto [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Desarrumar a escrita: oficina prática [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Oficina Imaginação para entender o Futuro

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Criação e Manutenção de Associações Culturais

Duração: 15h

Formato: Online

Investigações: conhece as nossas principais reportagens, feitas de jornalismo lento

20 abril 2026

Ensino superior: futuro ou espaço de incerteza?

Para muitos jovens o ensino superior continua a ser o percurso natural, quase obrigatório, para garantir um futuro melhor. Apesar disso, nem todos os que escolhem seguir este caminho encontram uma realidade correspondente às expetativas. Neste projeto, procuramos perceber, através de uma reportagem aprofundada e testemunhos em vídeo, o que está realmente a em causa no ensino superior em Portugal. O que está a afastar os jovens? O que os faz ficar ou sair? E, sobretudo, que país estamos a construir quando estudar se transforma num privilégio ou num risco.

16 fevereiro 2026

Com o patrocínio do governo, a desinformação na Eslováquia está a afetar pessoas, valores e instituições

Ataques a jornalistas, descredibilização da comunicação social independente, propagação de informação falsa, desmantelamento de instituições culturais. A desinformação na Eslováquia está a crescer com o patrocínio dos responsáveis políticos, que trazem para o mainstream as narrativas das margens. Com ataques e mudanças legislativas feitas à medida, agudiza-se a polarização da sociedade que está a prejudicar a democracia e o sentimento europeísta.

Carrinho de compras0
There are no products in the cart!
Continuar na loja
0