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Cinema no Estendal: “Celebrar a vida de bairro, a arte e as cuecas da vizinha”

É já na sexta-feira, 31 de maio: o Beco do Jasmim, na Mouraria, aconchega-se e…

Texto de Redação

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É já na sexta-feira, 31 de maio: o Beco do Jasmim, na Mouraria, aconchega-se e recebe a terceira edição do Cinema no Estendal. “É um cinema para as ruas. Celebramos as escadas, os estendais, a vida de bairro, a arte e as cuecas da vizinha.”

Por uma noite, o beco vira pequeno anfiteatro, uma sala de cinema ao ar livre. Num estendal, pendura-se a tela e projetam-se “filmes para toda a gente, vindos de toda a parte”. “Queremos ter uma seleção variada. Com um foco em filmes portugueses ou feitos em Portugal, e feitos no sítio onde os mostramos. Tentamos ter presente alguém que tenha feito parte do filme, para haver momentos de conversa”, conta Ricardo Guerreiro, do Coletivo Pátio, que organiza o evento com apoio do Food Temple, restaurante vegano bem ali ao lado.

“Em vez de estarem fechados numa sala, queremos trazer o cinema e a arte para a rua. Envolver o bairro. E que seja sempre gratuito”, explica o jovem cineasta, que há quatro anos se apressou para Lisboa mal terminou os estudos. Embora nunca aqui tivesse vivido, diz que veio “por saudade”.

A ideia do estendal brotou duma brincadeira, numa viagem de carro. “Os estendais de Lisboa são muito queridos, podes ver quem vive numa casa pelo que lá pendura. Há a meia perdida. A cueca da vizinha, tão grande que quase podias projetar filmes!” Projetar filmes?

https://www.facebook.com/COLETIVOPATIO/videos/469377793615510/

Em 2018, o Cinema no Estendal criou serões informais e intimistas em torno de filmes em Lisboa e em Monchique. Coletivo Pátio

Com as projeções, aproveitam para “apresentar um tópico que seja relevante para a cidade ou para o momento em que vivemos”. No ano passado, estenderam a tela em Lisboa e Monchique e centraram-se na luta contra a prospeção de gás e petróleo no Algarve. Este ano, entre as projeções, estará um trabalho de videoarte sobre a diversidade de personagens do Martim Moniz, feito antes de se saber que a praça ia voltar a mudar. Prevê-se uma apresentação e conversa acerca deste espaço público que a câmara quis tornar centro comercial e onde um movimento de habitantes vislumbra um jardim.

Pátio de encontros

Ricardo Guerreiro e Ricardo Dias partilham bem mais do que o nome próprio: a amizade, as origens em Portimão, a paixão pelas imagens, os estudos de cinema em Inglaterra e o quotidiano em Lisboa. “Para lá de fazermos filmes e os mandarmos para festivais, achámos giro fazer o nosso próprio evento, experimentar coisas diferentes.”

O Beco do Jasmim, na Mouraria, volta a tornar-se sala de cinema ao ar livre. Coletivo Pátio

Com um grupo internacional de amigas e amigos, criaram o Pátio: coletivo de criativos de áreas como cinema, design, som, tatuagem e curadoria de arte. A ideia é “que funcione como um pátio onde se juntam pessoas e se criam ideias. Criar e difundir, em conjunto, arte e cultura, com e para as comunidades à nossa volta. Com atenção para os problemas ecológicos e sociais do momento”, conta Ricardo Guerreiro.

Um pátio que se desenha triangular e do tamanho da Europa: com vértices em Lisboa, Atenas e Berlim. Querem pôr em relação as três cidades onde vivem, com eventos culturais, intercâmbios e oficinas.

O Cinema no Estendal é o primeiro bebé do coletivo e quer crescer. Tornar-se num festival recorrente, ter uma open call para curtas permanente, e “levar cinema a bairros e aldeias onde normalmente não aconteceria um festival de curtas-metragens mais experimentais, sejam documentário ou ficção”.

Câmara pousada, os olhos claros de Ricardo apontam para o futuro: “Um dia, nos becos de Alfama, nos bairros de Lisboa, noutros sítios em Portugal, ter diferentes tipos de filmes projetados em simultâneo. Sem centralizar, ter Lisboa como ponto de partida e levá-lo para aldeias por todo o país. Estendais há muitos!”

Cartaz da terceira edição do Cinema no Estendal. Coletivo Pátio

Texto de Francisco Colaço Pedro
Fotografias do Coletivo Pátio

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