A par das várias histórias de desconfinamento de equipamentos culturais nacionais, que o Gerador tem vindo a contar ao longo dos últimos meses, também o Teatro Municipal de Vila Real sofreu um revés no dia em que se viu forçado a encerrar portas. O online não foi uma das dimensões exploradas pelo Teatro, tendo aproveitado o período de encerramento temporário para preparar o regresso dos espetáculos a palco. 

Ao Gerador, Rui Araújo, Diretor do Teatro Municipal de Vila Real, conta que o momento do fecho foi vivido “com serenidade e espírito de colaboração, pelo dever cívico que nos competia”, não deixando, contudo, de recordar o sentimento de “tristeza pela atividade interrompida e ansiedade quanto ao futuro”. As equipas do Teatro mantiveram-se unidas e a trabalhar – uns “ficaram em teletrabalho, os restantes dedicaram-se a tarefas de organização interna, de informação, de arquivos, execução financeira, estatística, entre outros, e a manutenção de zonas técnicas”. Chegaram a haver elementos do equipamento municipal a serem “destacados para outros serviços”, por forma a manter as rotinas de trabalho, ainda que com a falta do elemento mais importante: o público.

Sem público presente e permissão para a reabertura de portas, o Teatro de Vila Real viu-se obrigado a adiar os espetáculos. O diretor explica que “os espectáculos que reuniam as condições, serão reagendados nos termos da lei”. Quanto aos que estavam em “fase de pré-planeamento serão também, sempre que possível, objeto de agendamento em períodos posteriores de programação”. 

Agora, um mês após a reabertura da Sala de Exposições e do Museu do Som e da Imagem, condicionada pelas normas de segurança da Direção Geral de Saúde, o balanço feito é positivo. Segundo Rui Araújo, “não houve ainda uma circulação de público aos níveis anteriores, mas o público que visitou os espaços tem-no feito de forma adequada”. A programação não regressou ao Teatro na mesma altura, contudo, as equipas estiveram a preparar o regresso, e este mês de julho trouxe um programa especial a Vila Real. Ao todo são 14 os espetáculos que constituem o cartaz do programa “O Verão do nosso desconfinamento”. O nome deste projeto, que decorrerá ao ar livre na Praça Cénica, entre os dias 9 de julho e 8 de agosto, foi inspirado no título do romance «O Inverno do nosso descontentamento», de John Steinbeck. O cartaz contempla cinema, teatro, poesia e música. O diretor confessa “a ideia, no geral, era não agendar apenas concertos, serial o mais fácil, mas menos interessante do ponto de vista artístico e cultural, mas sim incluir outras áreas, como poesia, teatro, cinema, e aí foi um exercício de ver quem, a solo ou com formações muito reduzidas, e dentro dos padrões de qualidade e limites orçamentais, poderia adequar-se ao programa”.

A ideia para este programa de verão surgiu ainda durante o período pandémico – a ideia “para um ciclo deste género, de ar livre, aproveitando a experiência de anos anteriores e centrando todos os eventos no espaço da Praça Cénica, um terraço panorâmico que reúne condições de delimitação e controlo de acesso”. O diretor do Teatro conta ainda que a “decisão de avançar foi, como se imagina, difícil e com pouco tempo de manobra”, mas graças à motivação e experiência da equipa do Teatro de Vila Real, ultrapassaram os obstáculos. Agora, com o programa já a decorrer, Rui Araújo prevê “uma grande assiduidade nos próximos espetáculos” e uma reação da comunidade muito positiva, com “uma vontade evidente de assistir a espetáculos”.

Até dia 9 de agosto vão passar pela Praça Cénica do teatro Lula Pena, Tainá, “Poesia transmontana contemporânea”, por Fábio Timor e Ricardo Tojal, Birds Are Indie, Quinteto de sopros da Banda Sinfónica Transmontana, “Verão 1993”, de Carla Simón, entre muitos outros. A programação interior retoma apenas em outubro – “uma parte assentará em reagendamento de espectáculos e outra na tentativa de cumprir algumas das previsões de programação que tínhamos antes da pandemia”, afirma o diretor Rui Araújo.

Texto de Bárbara Dixe Ramos
Fotografia TMVR

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