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Opinião de Mafalda Fernandes

O racismo é um conceito que é falado pelo senso comum e de forma trivial

Nas Gargantas Soltas de hoje, Mafalda Fernandes fala-nos sobre como o conhecimento pode ser uma prática de respeito.

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Racismo é um conceito demasiado complexo para ser falado por qualquer um que se senta para tomar um café. É tão complexo, que é um daqueles assuntos que continua sem uma solução efetiva. É tão horrendo que tanto os que sofrem com o mesmo, como aqueles que o perpetuam, procuram fingir que o mesmo não existe. 

Racismo não é opinião. É um problema social estudado pelas Ciências Sociais. Da mesma forma que a Matemática não é uma opinião, mas sim uma ciência estudada pelos matemáticos e físicos, entre outros. A subjetividade existe, e é inerente às Ciências Sociais, mas a subjetividade não está presente naquilo que é a definição dos conceitos. 

Os conceitos evoluem nas suas definições, pois a sociedade em que vivemos não é estática, e aquilo que fazia sentido há 50 anos, talvez já não faça sentido hoje em dia. Para isso existem os psicólogos, os sociólogos e os antropólogos. Certificam-se de que existe uma atualização a estes conceitos. 

É triste, porque desde pequenos aprendemos que existe uma linha que separa o bem e o mal, definida pelos adultos. Temos alguém que nos avisa constantemente quando estamos a pisar essa linha. É tudo preto e branco. Tudo binário. 

Tentamos transpor isso para as conversas sobre discriminação racial, só que esquecemos-nos que os adultos, no que toca ao racismo, têm muita dificuldade em definir que linha é esta entre o bem e o mal. E, portanto, fazemos o mal achando que estamos a fazer o bem. Não é algo propositado ou com más intenções, é apenas e somente ignorância específica no tema em questão. As perguntas para as quais existem tantas respostas devem ser feitas aos especialistas. 

É triste, que para sermos pessoas conscientes que lutam pela justiça, tenhamos que fazer todo um trabalho de casa para isso. Estudar, ler, ouvir. Já não é algo binário, a preto e branco que possa ser determinado aqui e agora. É um processo longo de aprendizagem e os mais preguiçosos arriscam-se a ser racistas. 

Ninguém quer ter o rótulo de racista, mas são poucos aqueles que procuram aprender como ser anti-racista. Ficam na dúvida qual dos rótulos lhes faz mais "comichão", mas todos os dias antes de irem dormir, fazem uma check-list mental que confirma que são boas pessoas. 

Tenho de voltar atrás. A vida não é a preto e branco, nem binária. A vida é um espectro no qual posicionarmo-nos dá muito trabalho. Quem somos e a forma como somos percepcionados pelos outros varia de acordo com múltiplas circunstâncias. E ser uma boa pessoa é tão relativo como ser uma má pessoa. O que determina quem somos, é a luta diária que fazemos para sermos melhor do que éramos ontem. E na binariedade ser racista é mau. Mas no espectro, ser racista é apenas e só normal. Por isso, sermos melhores do que éramos ontem, é tornarmo-nos num racista em desconstrução, para que num futuro próximo talvez nos consideremos anti-racistas. 

Falar sobre racismo tem de passar a ser algo sério, definido como algo que é difícil de entender. Falar sobre racismo tem de passar a ser algo em que muitos dizem com orgulho e sem preconceito: 

  • Não sei. 

Porque não saber é o início do processo de aprendizagem. E responder com todas as certezas, é a fatalidade de facilmente ser racista.

-Sobre Mafalda Fernandes-

Nascida e criada no Porto, filha de pais brancos e irmã de mulheres negras. Formada em Psicologia Social, o estudo e pensamento sobre problemas sociais relacionados ao racismo, são a sua maior paixão. Criou o @quotidianodeumanegra, página de Instagram onde expressa as suas inquietudes. Usa o ecoturismo como forma de criar consciência anti-racista na sociedade. Fã de Legos, livros e amizades, vive pela honestidade e pelo conhecimento. 

Texto de Mafalda Fernandes
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