Apoia o Gerador na construção de uma sociedade mais criativa, crítica e participativa. Descobre aqui como.

ondamarela e o festival Tremor voltam a ‘cruzar-se’ na sua nova edição

“Todos os anos é um novo desafio”. Esta é a primeira frase que o coletivo…

Texto de Patricia Silva

Apoia o Gerador na construção de uma sociedade mais criativa, crítica e participativa. Descobre aqui como.

"Todos os anos é um novo desafio". Esta é a primeira frase que o coletivo prenuncia após o questionarmos sobre a sua participação no festival Tremor. O ondamarela, "que encontra nas pessoas e nos lugares a inspiração para o desenvolvimento de projectos artísticos, sociais e educativos", participa na nova edição do festival que invade os cantos e recantos da ilha de São Miguel, nos Açores.

A decorrer entre os dias 7 e 11 de setembro, o festival Tremor volta à Escola de Música de Rabo de Peixe, que desta vez se junta a Jerry The Cat, um espetáculo que partirá do jazz como "matéria de negociação e exploração", lê-se em comunicado. Os bilhetes para o festival já se encontram à venda, sendo válidos para as atividades de sexta, dia 10 de setembro, que conta com espetáculos do coletivo ondamarela e sábado, dia 11.

"Todos os anos é um novo desafio". - ondamarela

Tremor e ondamarela. Já se 'conhecem' desde 2018. "A proposta foi sempre a de um trabalho musical com a Associação de Surdos da Ilha de S. Miguel (ASISM) e em cada ano há sempre a colaboração de um grupo de músicos, de S. Miguel, e uma comunidade nova. Este ano, por exemplo, teremos um grupo de Vila Franca do Campo, lugar onde acontecerá a apresentação final", contam ao Gerador.

O ondamarela foi criado em 2015 inspirando-se nas pessoas e nos lugares para o desenvolvimento de projetos artísticos, sociais e educativos. Surgiram como resposta a convites cada vez mais regulares para estudo e análise de territórios e comunidades e conceber ainda projetos artísticos que contribuíssem para a sua valorização.

Assinalando a criação de performances musicais, com alguns cruzamentos disciplinares (vídeo e movimento), o coletivo, este ano, junta à equipa uma coreógrafa que trabalhará de forma mais profunda o movimento e a dança. "Mas a experiência passa sempre por explorar as características e vontades dos grupos de participantes envolvidos e criar, de forma colaborativa, uma performance que seja identificativa de todo o grupo. O tema vai-se alterando, de ano para ano. Quanto mais nos conhecemos, a todos, mais profundo o trabalho se revela, aumenta a confiança, aumenta a cumplicidade e naturalmente o arrojo das propostas", continuam.

partir das falhas, das interrupções e do erro criaremos um novo dialeto, uma nova linguagem". - ondamarela

O trabalho que o ondamarela tem desenvolvido para esta edição do Tremor, juntamente com a ASISM, partiu da inspiração da língua, ou seja, a linguagem e as diferentes falhas de tradução, que acabam por explorar numa primeira fase de residência, em torno da tradução e da legendagem. "Quais as principais dificuldades de comunicação, os diferentes sentidos da mesma palavra. Qual o som que um gesto tem? Uma carícia pode ser um baile? A partir das falhas, das interrupções e do erro criaremos um novo dialeto, uma nova linguagem", explica o coletivo.

Acreditando que se reserva "uma nova criação, de raiz, feito em conjunto com estas pessoas", o ondamarela continua a alimentar o motivo pelo qual se dedica a este trabalho: uma colaboração de veio comunitário. É partindo das premissas da divulgação e integração da comunidade, como um resgate das heranças locais, que o coletivo coopera com diferentes projetos, nos quais estudam os territórios e as comunidades, o tipo de ações inovadoras que podem desenvolver e procuram traçar um maior contacto entre a cultura, a sociedade e a própria geografia.

"Sentem que este contributo se faz ouvir também por parte das comunidades?". Os membros que compõem o coletivo acreditam que sim. "Os nossos projetos se dirigem a todo o tipo de pessoas, quer enquanto artistas, participantes activos nos processos de criação, quer enquanto público".

Com o objetivo de criar "sempre" a ideia de comunidade como "o sentimento de nós" e tendo por base a abordagem Ferdinand Tonnies, sociólogo que centra o significante (comunidade) numa experiência humana e propõe uma visão simultaneamente poética e aglutinadora dos vários tipos de laços que compõe uma comunidade, o coletivo rege a sua abordagem e trabalho com e nas comunidades, um trabalho eminentemente colaborativo, de co-criação artística. "Muitas vezes trabalhamos com pessoas que nunca estariam no mesmo palco se não fosse pelo projeto, que vêm de sítios muito diferentes, no que diz respeito à arte e à participação cívica, que não fazem parte dos mesmos círculos. A partir desta ideia de “nós”, a abertura, a disponibilidade, a escuta, passam a fazer parte integrante da prática de criação artística, uma vez que o trabalho fica mais horizontal e acomoda com outra liberdade o debate, o confronto de ideias, o compromisso", explicam.

É a partir da arte e da cultura que colocam a nu, discutem e trabalham num grupo inclusivo onde a informação, as perspectivas e os pensamentos se alimentam.

Além do festival Tremor, trabalham com o Município de Vila Nova de Famalicão, onde desenvolverão um Atelier de formação em Criação Colaborativa, a arrancar já em meados de Setembro e estão ainda a preparar, também neste território, um novo espectáculo colaborativo que juntará comunidades de "diferentes backgrounds".

Já para o “Culturalem Expansão”, no Porto, estão a preparar o espectáculo de encerramento do programa deste ano, com uma apresentação em Dezembro no Rivoli e têm ainda um programa de mediação em curso, no Bairro C, projeto que desenvolvem juntamente com a Câmara Municipal de Guimarães para a zona de Couros (bairro criativo).

O Armário e o "Esta Máquina Cerca o Ódio e Força-o a Render-se” são também projetos do coletivo, apoiados pela DGArtes.

Texto por Patrícia Silva
Fotografias de yourdanceinsane

Se queres ler mais notícias sobre a cultura em Portugal, clica aqui.

Se este artigo te interessou vale a pena espreitares estes também

18 Maio 2026

Dulce Maria Cardoso abre o ciclo de conversas “O Livro Obrigatório”, na Amadora

15 Maio 2026

Tempos livres. Iniciativas culturais pelo país que vale a pena espreitar

11 Maio 2026

Mariana Alvim conduz clube de leitura ao vivo na Biblioteca Fernando Piteira Santos, na Amadora 

8 Maio 2026

Tempos livres. Iniciativas culturais pelo país que vale a pena espreitar

1 Maio 2026

Está a chegar o Cultivar, o novo simpósio dedicado à gastronomia e cultura alimentar

1 Maio 2026

Tempos livres. Iniciativas culturais pelo país que vale a pena espreitar

24 Abril 2026

Tempos livres. Iniciativas culturais pelo país que vale a pena espreitar

20 Abril 2026

Bons Sons regressa em agosto com a resistência como mote

17 Abril 2026

Tempos livres. Iniciativas culturais pelo país que vale a pena espreitar

10 Abril 2026

Tempos livres. Iniciativas culturais pelo país que vale a pena espreitar

Academia: Programa de Pensamento Crítico Gerador

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Comunicação Cultural [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Clube de Leitura Anti-Desinformação 

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Jornalismo e Crítica Musical [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Oficina Imaginação para entender o Futuro

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Oficina Literacia Mediática

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Criação e Manutenção de Associações Culturais

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Desarrumar a escrita: oficina prática [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Jornalismo Literário: Do poder dos factos à beleza narrativa [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Fundos Europeus para as Artes e Cultura I – da Ideia ao Projeto [online]

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Curso Política e Cidadania para a Democracia

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Autor Leitor: um livro escrito com quem lê 

Duração: 15h

Formato: Online

30 JANEIRO A 15 FEVEREIRO 2024

Financiamento de Estruturas e Projetos Culturais [online]

Duração: 15h

Formato: Online

Investigações: conhece as nossas principais reportagens, feitas de jornalismo lento

20 abril 2026

Futuro ou espaço de incerteza? A visão de Maria Luís sobre o ensino superior

Para muitos jovens o ensino superior continua a ser o percurso natural, quase obrigatório, para garantir um futuro melhor. Apesar disso, nem todos os que escolhem seguir este caminho encontram uma realidade correspondente às expetativas. Neste projeto, procuramos perceber, através de uma reportagem aprofundada e testemunhos em vídeo, o que está realmente a em causa no ensino superior em Portugal. O que está a afastar os jovens? O que os faz ficar ou sair? E, sobretudo, que país estamos a construir quando estudar se transforma num privilégio ou num risco.

16 fevereiro 2026

Com o patrocínio do governo, a desinformação na Eslováquia está a afetar pessoas, valores e instituições

Ataques a jornalistas, descredibilização da comunicação social independente, propagação de informação falsa, desmantelamento de instituições culturais. A desinformação na Eslováquia está a crescer com o patrocínio dos responsáveis políticos, que trazem para o mainstream as narrativas das margens. Com ataques e mudanças legislativas feitas à medida, agudiza-se a polarização da sociedade que está a prejudicar a democracia e o sentimento europeísta.

Carrinho de compras0
There are no products in the cart!
Continuar na loja
0