Sara Barros Leitão, atriz, é natural do Porto e formou-se em interpretação pela Academia Contemporânea do Espetáculo. Para além de atriz é também assistente de encenação, diretora artística da Carruagem, produtora, estudante e revolucionária quanto baste. Embora já tenha trabalhado em cinema, televisão e teatro é neste último que se sente realmente realizada. À paixão do teatro junta-se o papel fundamental que a literatura ocupa na sua vida.


No café da Casa da Música encontrei a Sara Barros Leitão a tomar um café, rodeada de papéis que seriam os materiais que havia recolhido para preparar o espetáculo que ia fazer nessa noite. A horas da estreia da visita guiada à Casa da Música, a Sara arranja um tempinho para um jogo e convida-me para me sentar à mesa com ela. Explico-lhe as regras da Pergunta da Sorte e a Sara lança o dado que nos manda avançar 2 casas indo parar à casa da Pergunta da Sorte, a casa em que posso fazer a pergunta que escolher na altura. Começamos em beleza comigo a escolher a primeira pergunta para a Sara.

Pergunta da Sorte: Muitas das fotos que publicas são contigo rodeada de livros. Que papel assume a literatura na tua vida?

Sara Barros Leitão (SL): A minha vida! (risos). Acho que um dos dias mais importantes da minha vida foi quando eu aprendi a ler. É um papel completamente fundamental e o maior símbolo de liberdade e democracia. Uma pessoa saber ler e poder ler o que quiser.

Andreia Monteiro (AM): Também se liga muito ao teu trabalho enquanto atriz, porque fazes muita investigação, não é?

SL: Sim, claro! Eu não sei como é que se é ator sem se ler muito, a toda a hora. Não sei como isso é possível. Acho que caminha mesmo lado a lado, porque ser criador é ser um cidadão atento ao mundo e acho que a literatura nos abre a porta para o mundo, para uma parte. Por isso, acho que é importantíssimo.

Voltando a lançar o dado, avançamos uma casa indo parar à casa do Pessoal, onde as cartas fazem perguntas sobre a vida pessoal da artista.

Pessoal: Qual foi o momento mais embaraçoso que viveste?

SL: Foi uma vez, em que tinha 18 anos, e fui fazer uma viagem sozinha para Londres e resolvi ir ao Madame Tussauds. Queria tirar fotografias com as estátuas. Mas depois tinha vergonha, porque não conseguia tirar fotografias a mim própria. Não havia telefones, portanto era uma camara. Portanto, quando me punha ao pé das estátuas tirava fotografias ao chão, ou ao teto, nunca conseguia. Depois tinha vergonha de pedir às pessoas para tirarem uma fotografia comigo, então aquilo estava a ser caótico. Resolvi entrar na parte das estrelas de cinema e pensei, pronto agora vou mesmo tirar uma fotografia, tem de ser, vou conseguir! Olhava à volta e via a estátua do Brad Pitt cheia de gente, o mesmo com a Angelina Jolie. Tudo cheio de gente e pensei que não ia conseguir. Nem queria acreditar, tinha pago tanto dinheiro e não ia conseguir uma fotografia. Então, olho para um lado e vejo uma estátua do Jackie Chan e disse, olha nem sequer gosto do Jackie Chan, mas vou tirar uma fotografia com ele. Começo a tirar a máquina, ponho-me junto à estátua, abraço-a, aponto a máquina e o homem começa, ‘ai!’. Pronto, nem sequer era o Jackie Chan. Era um chinês que estava só parado. Eu olhei e pensei que era o Jackie Chan, mas não. Era só um homem chinês que estava ali parado à espera da mulher. Foi um momento muito embaraçoso, foi horrível. Confundi o Jackie Chan com um chinês aleatório visitante do Madame Tussauds.

AM: Foi das melhores histórias que eu já ouvi! (risos)

SL: Foi ridículo!

Depois do momento mais embaraçoso e cómico que alguma vez me lembro de ter ouvido, é altura de continuar. Enquanto a Sara lança o dado, pergunta-me se ele está viciado, porque só saem números baixos. Mas, não. O dado é isento, nós é que estamos com muita sorte. Sai o número 4 que nos leva até à casa Carreira, onde as cartas revelam perguntas sobre a vida profissional da artista.

Carreira: Se não precisasses de dinheiro para viver o que estarias a fazer profissionalmente?

SL: Precisamente o que estou a fazer agora, porque eu não ganho dinheiro precisamente nenhum com o que faço (risos). Se eu fizesse isto pelo dinheiro … Mas se calhar queria ter mais tempo para estudar.

AM: É curioso, porque o João Botelho nesta pergunta respondeu-me exatamente o mesmo, que o cinema não dava dinheiro.

SL: Pois, não dá não. Precisamente.

Voltando a lançar o dado é tempo de avançarmos 3 casas que nos levam ao número 10, onde nada acontece. À segunda tentativa a Sara, toda animada, avança 6 casas e vamos parar a mais uma Pergunta da Sorte.

Pergunta da Sorte: O que é que o teatro tem de especial para ser a área, dentro da representação, que te faz realmente feliz? 

SL: O teatro, logo à partida, é das coisas mais especiais da vida e é uma das coisas mais intrínsecas em cada um de nós. Não é preciso ser ator para fazer teatro ou para sentir que esse jogo teatral está dentro de nós. É talvez a primeira brincadeira que a criança faz, o colocar-se nesse jogo, e não são precisos recursos nenhuns para isso acontecer. Logo à partida isso é o que torna o teatro especial. Basta que existam duas pessoas, uma que faz e uma que vê e já está a acontecer teatro. Não é preciso uma camara, não é preciso editar, não é preciso mais nada. Acho que isso é muito transformador. Em segundo lugar, o teatro é o lugar onde o trabalho do ator é mais importante, mais do que em qualquer outra área. Na publicidade é uma indústria. Na televisão nem se precisa de ser bom ator, o que interessa é o folclore que existe à volta daquilo, as revistas que vende, os likes no Facebook. Numa novela não interessa nada se são bons atores ou não, desde que seja uma pessoa bonita e que consiga chorar… mas também se não conseguir eles metem umas coisas nos olhos e eles choram. Portanto, aquilo é muito fraco. No cinema é sem dúvida a arte do realizador, do diretor de fotografia. Tenho quase a certeza que é difícil uma pessoa ir mal no cinema, porque acho que é mesmo a arte do realizador e que ele consegue pôr qualquer pessoa a ir bem com a edição, com as escolhas que faz. Há sem dúvida atores fantásticos a fazer cinema, mas não é o lugar do ator. Apesar de serem fantásticos. Em última instância, e agora de um ponto de vista muito mais pessoal, é o sítio onde não tenho de fazer coisas dos outros. Posso fazer as minhas. Nos outros sítios tenho de fazer as ideias dos outros, tentar fazer o que eles imaginaram e tentar corresponder da melhor maneira. Claro que é um desafio muito bonito, mas de ser mandada estou eu farta, ainda por cima sendo mulher nesta sociedade. Estamos sempre a fazer o que os outros querem que nós façamos. Então o teatro é o lugar que eu encontro em que posso fazer as minhas ideias, ser aquilo que eu acredito, escrever os meus textos e posso dizer aquilo que eu realmente quero. É o lugar mais político que há, para mim. Não consigo ser tão política na televisão ou cinema. Para mim a arte é sempre política, por isso eu acho que o teatro é o sítio que corresponde melhor a isso.

AM: Achas que crescemos enquanto pessoas quando fazemos teatro?

SL: Claro! Acho que na representação nós nunca somos outros. Acho que somos nós. Estamos mais próximos daquilo que realmente somos quando estamos a interpretar. Mas acho que não somos outros. Somos sempre outros lados de nós. E é por estarmos tão próximos daquilo que realmente somos e que anulamos, que depois crescemos.

Crescendo no jogo o dado rola, ditando que avancemos 5 casas, onde temos mais uma Pergunta da Sorte.

Pergunta da Sorte: Como é o teu processo de trabalho enquanto atriz? Ou por outras palavras, por que etapas passas antes de as pessoas te verem em cena?

SL: Os processos de trabalho como atriz dependem do processo de trabalho de quem está a dirigir. Tenho os meus processos de trabalho quando sou eu a dirigir, quando sou eu a criadora. Também tenho processos de trabalho diferentes quando sou assistente de encenação, outros quando sou produtora. Como atriz acabo sempre por estar a meio da linha. Não sou eu que levo aquilo à frente. O meu processo de trabalho tem de ser de acordo com os processos que os outros estão a imprimir no próprio processo geral. Mas à partida sei o que vou fazer, se já existe o texto, ou a obra. Leio em português, leio na versão original se não for em português, leio várias traduções, que é o que está a acontecer agora. Estou a ler uma tradução. Depois leio as receções dessa obra, ou seja, estudo o que se escreveu sobre essa obra. Por exemplo, uma tragédia grega tem muita coisa para ler, porque tem muitos anos de estudo em cima. Se for uma obra contemporânea se calhar não tem tantas coisas, mas posso ler como foi feita, onde foi feita, onde estreou. Faço esse dossiê de recolha. Depois, faço o meu próprio dossiê da minha própria receção da obra, o que ela me diz a mim. Muitas vezes esse documento nunca é partilhado com mais ninguém. Depende da abertura dos encenadores. Às vezes posso partilhar com a equipa, outras vezes se forem encenadores mais autoritários e verticais podem não querer saber da minha opinião. Mas eu faço na mesma essa receção que a obra tem em mim. Faço todo esse levantamento antes de chegar à sala de ensaio. Outras vezes não existe texto e só existe uma ideia, um conceito, uma imagem. Aí também faço todo um trabalho de preparação e pesquisa até esse momento. Leio uma série de coisas e, normalmente, para o primeiro dia de ensaios levo sempre muitos livros, muitas referências, vídeos, fotografias. Coisas que acho que podem ajudar a fazer essa coleção de pesquisa. Depois depende do encenador. Há uns que ficam muito tempo numa mesa e ficamos imenso tempo a ler, a descobrir coisas, a discutir e depois passamos a decorar, levantamo-nos e começamos a improvisar e depois há pequenas coisas que começam a ficar mais orgânicas e registadas. O encenador marca a peça, vêm os figurinos e depois estreamos. Isto é a forma mais ortodoxa, mas também acho que é a menos interessante. Gosto mais quando discutimos todos horizontalmente, ou seja, a equipa toda. Quem está a fazer os figurinos acompanha os ensaios desde o primeiro dia e pode provocar, assim como nós provocamos e, portanto, a orgânica de chegar ao espetáculo final é muito mais interessante, porque todos estamos implicados e nos contaminamos uns aos outros. Ou então prefiro ser eu a dirigir.

AM: Acho que aquilo que menos se sabe é sobre toda essa fase de pesquisa que existe. Principalmente quando se vê televisão, acho que a ideia que se tem é muito de que se decora o texto e já está.

SL: Em televisão depois também é diferente. Tenho um método em televisão, mas acho que não é muito comum. Leio os episódios todos, de todos os personagens, e faço uma coisa chamada percurso da personagem onde escrevo um resumo de todas as minhas cenas, de onde venho, para onde vou, qual era o estado emocional em que estava e observações de figurinos. Por exemplo, tinha a mala do lado direito quando saí. Registo isso tudo e é um documento que trago sempre comigo e depois quando sai o plano de trabalho para o dia seguinte vejo que cenas tenho, vou buscá-las ao meu dossiê e depois com esse documento sei de onde venho e para onde vou, estudo a cena e depois é muito simples porque tenho os apontamentos todos. Só sei fazer dessa maneira, mas há quem não faça. Acho que é mais normal. Estás tão por dentro daquilo que não precisas. Vais pelo teu instinto se calhar, porque a exigência também é diferente.

Tomando o dado o gosto pelo número 5, vamos parar a mais uma pergunta sobre a Carreira.

Carreira: O que menos gostas de fazer na tua profissão?

SL: Candidaturas à DGARTES. Porque a minha profissão não é só estar no palco, isso é mentira. Para uma pessoa conseguir estar no palco tem de fazer muitas candidaturas para conseguir orçamentos e dinheiros, tem de ter muitas reuniões com Secretários de Estado, com a Direção Geral das Artes, tem de estar implicada no sindicato, assembleias e associações dos trabalhadores do setor. Tem de estar muito engajada politicamente, ler muitos regulamentos de apoios e candidaturas, fazer relatórios e orçamentos. Acho que isso é o que eu menos gosto. É horrível fazer candidaturas, não é nada encantadora esta resposta, mas é verdade.

AM: Lá está outra coisa que também não se sabe. A não ser quem faz. Acho muito interessante.

Longe de candidaturas, lança-se novamente o dado que nos faz avançar 3 casas. Calha-nos uma Pergunta Rápida, onde temos cartas com perguntas de sim ou não que têm de ser respondidas sem pensar muito.

Pergunta Rápida: Filmes ou séries?

SL: Teatro. Pode ser?

AM: Pode sim!

É altura de fazer o dado rolar novamente. 3 casas à frente vamos parar ao número 32, onde nada acontece.

SL: Tu não jogas também?

AM: A não ser que vires o jogo ao contrário…

SL: Ai é? Então eu quero fazer!

Vamos ver se a Sara tem sorte nessa demanda! Voltando a lançar o dado sai o número 3 que nos leva a outra pergunta sobre Carreira. Parece que ainda não foi desta, Sara.

Carreira: O que podemos esperar do projeto em que estás a trabalhar agora?

SL: Olha nem eu sei, porque só o vou começar na segunda-feira. Vou ser assistente de encenação do Nuno Carinhas, no teatro Nacional de S. João, de um espetáculo que é o Otelo. Como sou assistente de encenação não tomo decisões. Por isso, nem eu sei muito bem o que esperar desse projeto. Na verdade, eu é que vou ser surpreendida com o que os atores vão dar e com o encenador. A minha função é fazer com que tudo resulte. Faço tabelas de ensaio, dou a minha opinião em algumas coisas, mas é sobretudo ajudar a que o encenador consiga executar as ideias que tem e facilitar-lhe a vida.

Desta vez o dado decide mandar avançar 2 casas indo parar a um Sê Criativo, a casa que lança um desafio que o convidado tem de resolver de forma criativa.

Sê Criativo: Muahahahah Hora do desafio!!!

SL: Ai meu Deus! Não te metas com grandes coisas… isto é muito cedo, estou muito cansada (risos).

AM: Por acaso ia pôr…

SL: Era o quê?

AM: Queria que me lesses este teu texto, com a interpretação que lhe quiseres dar.

Este foi o excerto do texto da Sara que ela leu:

"Começas por escolher as cerejas-mais-vermelhas-quase-pretas. Dentro dessa selecção, escolhes as mais duras. 
A seguir comes as cerejas-não-tão-vermelhas mas vais afastando as que têm partes moles, as que parecem azedas e as que têm mau aspecto.
Quando dás por ti, estás no último parágrafo, na última linha, a Karenina morreu, o Levin voltou para o campo, as cerejas acabaram e nas pontas dos dedos só sentes os caroços frios e húmidos. O livro acabou e tu acabaste por comer as cerejas todas, mesmo aquelas que no início nunca pensaste que ias comer.
Parece que o mundo se uniu contra ti. O livro acabou. As cerejas acabaram. Numa situação normal, estarias condenado à solidão. Sem livro e sem cerejas. Mas não. Tu estás mais feliz do que nunca. É primavera e tu pensas que não há nada que encha mais do que um livro e nada que nos preencha mais do que cerejas, ou ao contrário.
"

Vê o vídeo da sua leitura aqui:

Um grande caos que recupera a ordem com as vontades do nosso amigo dado. Agora avançamos 5 casas indo parar a uma das casas que parece gostar mais da Sara, a da Carreira.

SL: Tanto trabalho! (risos)

Carreira: Qual o trabalho que mais gostaste de fazer até hoje?

SL: Não sei se sei responder a esta pergunta. Acho que quando pomos tanto de nós no nosso trabalho é difícil, porque há sempre coisas que amamos e odiamos ao mesmo tempo. Nunca tive um trabalho que fosse todo bom ou todo mau e, por isso, não sei responder. Sofro imenso a fazer os trabalhos, a maior parte deles só sofro. Não consigo tirar grande prazer. Mas como eu gosto de sofrer, se calhar aqueles em que sofri mais são os que gostei mais.

AM: Sofres em que sentido? A nível da entrega que dás?

SL: Sim, sofro em todos os sentidos. O ato criativo é um sofrimento enorme para mim.  Estou sempre a arrepender-me de ter escolhido esta profissão, estou sempre a achar que não devia de estar a fazer isto. Mas ao mesmo tempo é isso que me alimenta e me faz querer estar viva. Talvez o que considere mais importante tenha sido o espetáculo que estreei o mês passado, que foi a minha primeira criação sozinha. Foi sem dúvida o trabalho que me pôs mais à prova em tudo e que se chama “Teoria das Três Idades”. Não gostei de fazer, porque sofri muito, mas ao mesmo tempo também acho que sofri porque foi muito recente e a minha cabeça ainda não anulou aquilo que foi mau. Digo o que não gostei, mas ao mesmo tempo sei que foi o mais importante para mim, o mais transformador e o que me deu mais prazer. É assim uma contradição, mas nós também somos muito de contradições, não é?

AM:, Na altura desse espetáculo fizeste uma publicação em que dizias que vias um monólogo como uma contracena direta com o espetador. Agora que já estreaste e passaste por todo o processo manténs essa ideia?

SL: Não tenho dúvidas. Pelo menos neste espetáculo, sim. Não sei se os outros espetáculos também são. Nunca tinha feito um monólogo. O teatro é sempre uma contracena com o espetador, mas acho que é uma descoberta muito pessoal. Se calhar se dissermos em voz alta parece uma daquelas verdades absolutas que toda a gente sabe menos tu. Mas há dias em que descubro coisas que toda a gente já sabe e eu também, mas de repente descobri no meu corpo. Todos nós sabemos o que é a saudade, mas há um dia em que sentimos isso profundamente em nós e é como se tivéssemos descoberto a saudade, embora soubéssemos conceptualmente que ela existe e o que é. É uma verdade absoluta, que toda a gente sabe, mas que eu descobri no meu corpo, então é uma grande descoberta para mim. Na verdade eu não descobri nada, mas descobri em mim. Acho que um monólogo é uma contracena direta com o espetador. É muito tonto dizer, mas é o que eu sinto.

Sem tontice nenhuma damos novamente voz ao dado que nos encarrega de avançar mais 5 casas, indo parar ao número 47.

SL: Ah! Agora conta para ti. Como é que foi o dia em que sentiste que cresceste?

AM: Não sei se houve um dia em que sentisse que tinha crescido. Mas um momento em que senti que cresci talvez tenha sido o ano passado. Fui fazer um interrail, porque senti que estava muito no meu mundo, fixada nos meus problemas, como se só eu existisse. Então quis ir para fora para ter um choque com a realidade. Acho que houve um dia, mais para o final da viagem, em que estava sentada a olhar para o pôr-do-sol numa praia e em que os meus amigos tinham ido à água. Portanto, eu estava sozinha. Não sei o que aconteceu nesse momento, mas sinto que houve algo que encaixou cá dentro e que voltei àquele estado em que percebi que havia vida além dos meus problemas, que o mundo era muito maior do que isso e consegui desvalorizar essas coisas novamente.

SL: Que lindo! Viste? Afinal existiu um dia. Acho que existe sempre.

AM: Sim, pelo menos foi uma viragem importante na minha vida.

Por falar em viragens, é hora de fazer o dado mexer novamente. 2 casas à frente vamos ter à casa do Pessoal.

Pessoal: Qual é a primeira coisa que fazes ao acordar? E a última ao deitar?

SL: A primeira coisa que faço ao acordar é pôr mais cinco minutos no despertador do telemóvel. A última coisa que faço ao deitar acho que é pôr o despertador para o dia seguinte (risos). É tão triste quanto isto. Ponho o despertador e durmo. Depois, acordo e ponho mais cinco minutos, porque não foi tempo suficiente. É isso.

Pertíssimo da casa final do jogo ainda nos aventuramos a ver se o dado nos dá oportunidade para mais uma pergunta. O dado pára de rolar e sai o número 5. Parece que não tivemos sorte. Chegamos, por fim, à Casa Gerador, a casa final do jogo, onde a entrevistada irá responder a uma pergunta da convidada anterior e deixar uma pergunta para o próximo. Ainda se lembram da pergunta do João Barradas? “Independentemente da profissão que ele tiver, neste caso vai ser ligado às artes, saber o porquê. Porque é que ele a continua a fazer. Não como foi, como chegou, mas no ano de 2018 porque é que ele continua a fazer o que ele estiver a fazer?”. Podes rever a pergunta do João aqui.

Vê o vídeo em baixo para saberes qual a resposta da Sara e a pergunta que deixou para o próximo convidado da Pergunta da Sorte! Vemo-nos em breve! ;-)

Entrevista por Andreia Monteiro