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Sara Barros Leitão: “Os primeiros passos num regime autoritário são acabar com as possibilidades de organização coletiva”

O espetáculo ‘Nós, Sozinhas’ foi o mote para uma conversa com a atriz e encenadora Sara Barros Leitão sobre as conquistas e limitações que ainda persistem no exercício do direito à Interrupção Voluntária da Gravidez, consagrada na lei há quase 20 anos. Com salas esgotadas até ao final do mês em Ílhavo, Espinho e Fafe, a peça regressa em fevereiro de 2027.

Texto de Cátia Vilaça

Edição de Tiago Sigorelho

Fotografia de Filipe Ferreira

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Quando esta entrevista aconteceu, ainda não sabíamos que a habitação levaria as pessoas à rua, de forma persistente, resistindo a cargas policiais. O termo acampada ainda não fazia parte do nosso vocabulário corrente, mas Sara Barros Leitão demonstrava confiar na capacidade de organização coletiva, que há 20 anos também se revelaria essencial para consagrar a Interrupção Voluntária da Gravidez na lei. A partir de um trabalho exaustivo de pesquisa e entrevistas, a encenadora recupera histórias de quem enfrentou a repressão anterior à lei e aponta entraves ao exercício deste direito, como a objeção de consciência.

Já se passaram quase 20 anos sobre a despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG). Em que momento decidiste que continuava a ser importante falar sobre este tema?

A questão da IVG já me vem acompanhando há algum tempo, porque se cruza muito com o trabalho que vou desenvolvendo, apesar de nunca ter sido sobre a IVG. A partir do momento em que eu dedico grande parte do meu trabalho a processos longos de investigação que envolvem pesquisa e que cruzam política, os acontecimentos e a história das mulheres, a IVG cruza-se sempre. Em todos os trabalhos em que entrevisto mulheres, acabamos sempre por, em algum momento na conversa, falar sobre aborto. É uma questão que eu percebi que era intergeracional, interclassista, e que cruza as preocupações de qualquer mulher, ou qualquer pessoa com útero. E esse medo de engravidar é um medo que acho que é transversal a qualquer adolescente. O grande medo das adolescentes é engravidar. 

Continua a ser…

Eu acho que é. E acho que crescemos com uma relação de medo com a nossa sexualidade. A nossa sexualidade não é libertadora, não somos educadas para usufruir dela, temos medo de engravidar. Uma das coisas curiosas que fui percebendo em muitas entrevistas, que se cruzava depois com isto, era haver mulheres rurais, até analfabetas, ricas, pobres, mulheres muito distintas, mulheres muito conservadoras, muito religiosas, que me diziam coisas como ‘eu sou contra, eu não seria capaz de fazer, mas votei a favor, porque elas lá sabem os motivos delas, e quem sou eu para dizer o que podem ou não podem fazer.’ Acho que há um acordo tácito entre a grande maioria, sobretudo das mulheres, no que diz respeito a este tema. Grande parte das pessoas da minha família é contra, ou melhor, é a favor da lei 6/84 [admitia o aborto em caso de violação ou risco para a saúde da mulher], uma lei com a qual apenas umas seis pessoas não devem concordar, que é aquele grupo das mulheres conservadoras. A lei que nós temos ainda é melhor, tem a ver com a emancipação da mulher. Mas a minha questão não é se as pessoas são contra ou são a favor. Elas podem ser contra ou a favor, mas tem de haver uma lei que proteja quem quer fazer. Foi por causa de todas essas conversas que percebi que isto merecia uma reflexão aprofundada apenas sobre este tema. Quando começo a projetar os anos seguintes e percebo que estamos a chegar aos 20 anos da despenalização, [concluo que] faria sentido ter um espetáculo que ocupasse também o meu lugar, que é o teatro, para trazer essas reflexões sobre um debate que acho que vai ser muito mais amplo na sociedade e que vai estar no debate político e nos programas de comentário.

Nós, Sozinhas

Fotografia de Teresa Pacheco Miranda

Apesar deste consenso e de não haver julgamentos, pelo menos do ponto de vista literal, jurídico, durante essa pesquisa conseguiste perceber se ainda continua a haver julgamentos morais?

E jurídicos também, é importante que se diga, ou seja, as mulheres podem realizar um aborto até às 10 semanas, mas se for 10 semanas e um dia, já são julgadas por isso. E isso significa que em Portugal continua a haver mulheres que se sentam no banco dos réus por terem praticado aborto. E o relatório da Amnistia Internacional relata muitos casos de julgamentos, que são desconhecidos mas acontecem em Portugal, de mulheres que se sentam no banco dos réus por terem feito um aborto. Essa é uma das críticas que faço: o tempo é demasiado restritivo, e isso faz com que muitas mulheres não consigam, em tempo útil, por uma série de circunstâncias, conseguir ter acesso à IVG. Agora, há um caminho conservador que se vai fazendo em várias áreas, e acho que os jovens estão tendencialmente conservadores. Mas há um setor que me preocupa particularmente que são os profissionais de saúde, cada vez mais conservadores no que diz respeito à IVG. 

O que se reflete na objeção de consciência.

Exatamente. O Estado Social, com a escola pública, que é um grande projeto, apesar de tudo tem falhado no seu acesso. O acesso ao ensino superior, nomeadamente a Medicina, continua a ser uma questão de classe. É normal que quem aceda acabem por ser pessoas de classe média, média alta, porque foram as que conseguiram ter um percurso escolar com acompanhamento, excelência e, por isso, ter as médias necessárias. É muito difícil a uma pessoa que nasce num bairro social aspirar a entrar em Medicina, ainda que exista ensino público. As propinas estão a aumentar e os quartos deslocados são impossíveis para muitas pessoas. Portanto, é importante dizer que o acesso é também classista, e esse classismo reflete um conservadorismo. Nas grandes franjas da nossa sociedade de classe média e de classe média alta existe uma elite burguesa de esquerda, mas a grande maioria é conservadora, e muito ligada ao movimento católico, e isso reflete-se, em última análise, nos profissionais de saúde que apanhamos.

A ginecologista Ana Campos, ativista pelos direitos sexuais e reprodutivos, e uma grande mulher, diz que passaram já anos suficientes para que os profissionais de saúde que tinham memória do que era receber mulheres em urgência, vítimas de aborto clandestino, estão a reformar-se, e há uma nova geração que já está a formar-se com esta lei. Isso significa que há uma perda de memória sobre as consequências de um aborto clandestino. E como não existe essa memória, e não está a ser passada, as pessoas declaram a objeção de consciência por desconhecimento do que aconteceria se voltássemos atrás. E colocam os seus dilemas morais à frente de uma questão de saúde pública, e para mim a IVG é uma questão de saúde pública e não um dilema moral.

O espetáculo contribui para reavivar as consequências para as mulheres que entram em urgência ainda com o cabide preso ao corpo. Para as pessoas que têm memória de ver isto, não interessa se são contra ou se são favoráveis ao aborto, interessa é que não pode acontecer. Se o aborto for proibido, vai continuar a ser praticado, mas com uma mortandade enorme de mulheres que já são mães, que deixam filhos. Elas vão fazê-lo de outras maneiras, porque quando uma mulher tem de fazer, ela vai fazê-lo. E a questão que eu coloco é: faz sentido que se a IVG é um dos procedimentos previstos na área de Ginecologia e Obstetrícia, como o parto e outros procedimentos, o acesso à  profissão por pessoas com objeção de consciência se dê naquela especialidade? Tu podes continuar a ter a tua objeção de consciência, mas se calhar não podes ir para a Ginecologia ou Obstetrícia. Da mesma maneira que uma pessoa que é objetora de consciência em relação à guerra não se vai alistar no exército.  Se fores objetor de consciência, podes ir para Dermatologia, continuas a ter acesso à Medicina, mas não vais para aquela especialidade. É uma uma proposta que devia estar em cima da mesa mas é preciso enfrentar o lobby dos médicos e dizer que se calhar não podem aceder a essa especialidade. E não há uma proposta assim tão descabida. Há países onde isto não acontece porque no acesso à profissão dizem às pessoas que vão ter de fazer um conjunto de procedimentos e perguntam se aceitam. E se não aceitarem, não acedem. É uma proposta radical, mas acho que o teatro também tem esse lugar de poder falar de ideias radicais.

Apesar de tudo, este tema ainda não tem sido um cavalo de batalha por parte dos setores mais conservadores. Achas que este aparente consenso social em torno da IVG é suficiente para, pelo menos, prevenir retrocessos do ponto de vista legal e formal? 

Não devemos deixar que sejam os outros a marcar a nossa agenda. Acho que há sempre ameaças, é evidente, e temos de estar atentos a elas. Mas a nossa energia deve ser colocada não à defesa, mas ao ataque. Há muita coisa para fazer para melhorar esta lei. Este momento permite-nos refletir sobre o que foram estes 20 anos de lei, o que é que os dados, os estudos e os factos nos dizem e, com base nisso, melhorar a lei. Não é mudar a lei, é melhorar. As mentes conservadoras que fizeram campanha pelo Não diziam que ia ser uma rampa deslizante. Não foi. Diziam que o aborto ia ser usado como método contracetivo. Não foi. Diziam que ia ser usado por jovens inconscientes que iam passar a fazer aquilo a toda hora. Não foi. Os dados dizem que as IVG são feitas por mulheres entre os 30 e os 45 anos, com mais do que um filho e em relações estáveis. Significa que são descuidos, dentro de relações estáveis, coisas que acontecem. Significa que são mulheres que já experimentaram a maternidade e sabem o que é maternidade e, portanto, podem escolher se querem voltar a vivê-la ou não. São pessoas que podem não ter capacidade económica ou habitacional para mais um filho. São pessoas que sabem o que é ter um filho e sabem que não é uma escolha de ânimo leve. A criança tem direito a ser desejada e tem direito a ter as condições que os pais querem que ela tenha. Escusamos de estar agora aqui a trazer esqueletos que não existem.

A questão do aborto e de todos os movimentos pró-aborto foi sempre acompanhada de uma grande discussão sobre educação sexual, contraceção, planeamento familiar, nas escolas e nos centros de saúde. O que eu acho curioso é ser preciso falar de IVG para que os movimentos conservadores aceitem falar de educação sexual. Isso para mim é bizarro. Nós vemos estes movimentos que não querem educação sexual nas escolas, que acham que é marxismo cultural, e é preciso falarmos do aborto para que digam que antes do aborto temos de falar de educação sexual. Pois cá estamos, nunca nos escusámos a esse debate, e foi por termos sempre lutado por educação sexual em todo o lado que a questão do aborto diminuiu. Agora, precisamos da nossa energia para melhorar a lei. É preciso aumentar o tempo, 10 semanas não faz sentido. A lei é muito conservadora, e Cavaco Silva, quando a promulgou, fez uma lista de coisas que têm que sair dali. Temos de tirar o Cavaco da lei. Os três dias de reflexão não fazem sentido. Estarem dois médicos presentes em consulta não faz sentido. Isso é um atestado de menoridade colocado às mulheres, como se elas não pudessem tomar a decisão sozinhas. Têm de estar dois médicos a perguntar se têm a certeza, se têm mesmo a certeza. Isso tudo cria obstáculos e as nossas energias têm de ser canalizadas para melhorar essa lei. Se outros põem energias em tentar mudá-la e voltar atrás, eu não vou andar a reboque deles. 

Este espetáculo resulta de uma pesquisa exaustiva, e isso já tem acontecido noutros casos, como o Monólogo de uma mulher chamada Maria com a sua patroa ou o Guião para um país possível, só para citar dois exemplos recentes. A nossa história coletiva ainda tem muitas histórias por contar?

Sim, tem muitas. O meu trabalho tem sido o apaixonamento por essas histórias coletivas, mas invisíveis, vividas por quem não tem acesso aos mecanismos de escrita da grande história, como as empregadas domésticas, ou a história do trabalho das mulheres, que é tão invisível. Criámos esta ideia de que as mulheres só começaram a trabalhar na revolução industrial; não, elas sempre trabalharam, mas só começaram a receber na revolução industrial. Trabalharam nos campos, no trabalho doméstico, sempre acumularam duplas, triplas jornadas, mas não eram reconhecidas pelo seu trabalho, e muito menos tiveram tempo de escrever as histórias do seu trabalho. Temos de reescrever essas histórias, mas há outros setores invisibilizados. No caso de As Suplicantes, temos as migrações, e há outras histórias coletivas, nomeadamente de organizações e de movimentos, que ainda podem ser contadas. Acabámos de  submeter uma candidatura para os próximos dois anos e já começo a pensar no futuro e no que é que aí vem, e é sempre à volta dessas histórias invisíveis que me apetece trabalhar. 

Que força tem o teatro para contar estas histórias?

Tem a força do dispositivo. O teatro acompanha muitas das maiores revoluções do mundo. O teatro começa com a grande revolução que é a descoberta do fogo, que permite às pessoas estarem à volta de uma fogueira a contar histórias. O teatro é mais antigo do que a revolução da escrita, que é a grande descoberta do mundo. É mais antigo do que a matemática, do que qualquer outra coisa. E houve tantas coisas que, entretanto, foram descobertas. O cinema, a televisão, a inteligência artificial, os telemóveis, tudo isso parece dizer-nos que o teatro está ameaçado. E o teatro resistiu a tudo isso. O cinema está mais ameaçado. O teatro resiste porque tem um dispositivo único, muito poderoso, que é o facto de só existir quando as pessoas se convocam para estar presentes no mesmo espaço. E tem a ver também com o nosso semelhante. Por muito que a inteligência artificial crie histórias, elas nunca nos vão interessar tanto como as histórias feitas no teatro. Porque aquilo que nos conecta não são as histórias, é a capacidade de alguém igual a nós contar essas histórias. Nós não nos interessamos pelas histórias das máquinas. Interessamo-nos pela capacidade, como no desporto. Vi no outro dia uma notícia que dizia que a China vai ter a primeira seleção de robôs que já jogam. Isso é giro enquanto facto. Mas ninguém vai parar para ver robôs a jogar, porque aquilo que nos fascina num jogo de futebol é ver corpos iguais aos nossos a fazer coisas que nos põem a pensar como são capazes. É esse espanto pelo nosso semelhante. Assim como quando nós lemos literatura e pensamos como é que alguém igual a nós escreveu aquilo. Como é que alguém igual a mim fez esta descoberta química? E o teatro tem esse dispositivo de nos pôr a pensar que alguém igual a nós conta aquela história. E isso leva a um lugar de empatia. Nós empatizamos pelo nosso semelhante, não pela máquina. A máquina tira-nos a empatia. O teatro convoca as pessoas para uma coisa hiper-revolucionária nos dias de hoje, que é terem de sair de casa, apanhar transportes, entrar noutra sala, desligar o telemóvel e ficar durante duas horas só com elas próprias, sem mais nenhuma distração, a ouvir aquela história. Isso é muito poderoso. E eu acho que esse é o poder do teatro.

Nos tempos que correm é muito contracorrente, não é? 

A grande ameaça que eu senti foi a Covid. Foi o momento em que nós não pudemos estar juntos na mesma sala. Por isso é que a grande ameaça ao teatro são os regimes autoritários, que nos impedem de estar em grupo, coletivamente. O movimento coletivo é mesmo muito poderoso e por isso é que os primeiros passos num regime autoritário são acabar com as possibilidades de organização coletiva. E faço agora uma ponte que pode parecer muito rebuscada, mas não é. Estou em crer que estamos silenciosamente a caminhar para aí, com desmantelamentos de instituições como a [agência] Lusa ou, por exemplo, da Cooperativa António Sérgio para a Economia Social (CASES), uma cooperativa que organiza as cooperativas, desmantelada por este governo, uma coisa que tem passado entre os pingos da chuva, mas que tem um impacto brutal, porque significa que existiu uma diretiva governamental [Decreto-Lei nº 150/2026, que transfere para a Administração Pública poderes anteriormente conferidos à CASES] que desmantela uma das grandes ferramentas conquistadas no 25 de Abril, que é o poder de organização coletiva, nomeadamente a cooperativa. Acho que isso já nos demonstra como há tiques autoritários que têm como objetivo individualizar-nos. Nós, individualmente, somos muito mais fracos, por isso é que no neoliberalismo o grande objetivo é dizer: ‘és só tu, esquece o movimento sindical, luta por ti próprio, vai por ti’, porque é muito mais fácil aniquilar trabalhadores isolados do que trabalhadores organizados.

A consagração do direito à IVG deve muito à mobilização popular, precisamente. Achas que ainda temos essa capacidade de nos mobilizarmos, como Espanha e França estão a fazer?

Acho que temos toda a capacidade. Há um caminho mais difícil para nós porque 48 anos de ditadura têm marcas muito profundas. E acho que isso se reflete na nossa capacidade reivindicativa. Somos um país pobre, e tudo isso afeta a nossa capacidade de mobilização. Mas também acho que seria muito desonesto com as pessoas que dedicam grande parte do seu dia a essa organização. Os sindicalistas, as pessoas que fazem parte de associações. Fazer parte de uma associação é uma coisa muito difícil, mas muito bonita. Conseguirmos encontrar o que há de comum em nós é muito difícil, é muito mais fácil autoproclamar ‘eu digo o que acho’. Pois, mas é muito difícil não dizeres o que tu achas, mas dizeres o que aquilo que tu representas acha, porque isso implica que anules muitas das coisas que queres em prol daquilo que toda a gente acha. Isso é um exercício muito, muito difícil, mas há muita gente a fazê-lo. E fico chateada quando as pessoas ignoram muitos movimentos, até juvenis, que têm muito fulgor e muita força e são muito ridicularizados. Não acho que os devamos ridicularizar, acho que são mesmo o futuro. Por exemplo, os jovens que se mobilizam pela crise climática, que ocupam escolas, que atiram latas de tinta, que param a segunda circular. Adoramos ridicularizá-los e dizer que agora não podemos ir no nosso carro trabalhar e isto é uma desordem, mas são pessoas que estão organizadas. No caso dos ativistas pela Palestina, há pessoas que estão neste momento a ser ouvidas na Polícia Judiciária, a quem entraram em casa, a quem arrombaram a porta de casa. Isso está a acontecer em Portugal. Os ativistas pela Palestina estão a ser escrutinados de uma maneira impressionante, portanto a carga policial é brutal, e essas pessoas são ativistas profissionais que se mobilizam por uma causa. Dizer que isto não existe em Portugal seria negar estas pessoas. Eu acho que elas existem e por isso acho que a minha energia, mais uma vez, deve ser usada para lhes dar essa visibilidade e não para apontar para aquilo que poderia ser a maioria e dizer que somos um país de brandos costumes, onde ninguém se mobiliza, quando há pessoas que de facto se estão a mobilizar. Não nos podemos esquecer da história. Tivemos duas greves gerais no último ano, uma coisa inédita. Isto existiu, mas o governo gosta de dizer que não. As pessoas pararam o país. Portanto, sim, estamos aqui organizados a mobilizar-nos, e sim, vamos conseguir. Na altura do Que Se Lixe a Troika, juntámos 500 mil pessoas. Acho que temos todas as capacidades para isso e, sinceramente, este governo está a conseguir dar-nos todas as razões. Por isso, só temos de juntar as duas coisas. Já temos as razões, vamos agora para a rua.

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