Esta sexta-feira, dia 6 de março, arranca a 3.ª edição do Cumplicidades – Festival Internacional de Dança Contemporânea de Lisboa, que este ano terá como programador convidado o artista plástico André Guedes, que ficou responsável secção nacional.

O festival, iniciado em 2015 e que foca a sua programação na dança contemporânea, mantém-se até ao próximo dia 21 do mesmo mês, com espetáculos que irão decorrer em diferentes espaços da capital portuguesa, nomeadamente nas galerias municipais, o Teatro do Bairro Alto, o Teatro Camões e o Teatro Taborda.

No total, o Cumplicidades apresenta 27 coreografias, performances e atuações de artistas nacionais e internacionais, cinco em estreia absoluta que aqui destacamos: Oráculo (na foto de capa), de Sara Anjo e Teresa Silva; Glimpse, de Josefa Pereira; Dança Sem Vergonha, de David Marques; Sandálias de pele de porco, de João Penalva; e, Mina, de Carlota Lagido.

Cinco espetáculos em estreia absoluta a não perder no Cumplicidades:

Oráculo (na foto de capa), de Sara Anjo e Teresa Silva, no Teatro do Bairro Alto | dias 7 e 8 de março
Trata-se da primeira colaboração das bailarinas e coreógrafas Sara Anjo e Teresa Silva, que se  materializa num exercício hipotético que, mais do que procurar respostas, escuta, observa, lê, interpreta sinais e símbolos de forma a criar possibilidades. “Confronta-nos no presente com o momento da ação e suspende a obsessão pelo futuro. O escuro do teatro torna-se o meio para iluminar algo menos visível e mais oculto e a experiência teatral pode revelar-se como uma perspetiva real e transformadora. Oráculo lança o convite para juntos praticarmos outras formas de vidência”, explica na apresentação do espetáculo.

Glimpse, de Josefa Pereira, na Galeria Quadrum | dias 6, 7 e 8 de março
Nesta peça da performer e coreógrafa brasileira, baseada em Lisboa, um corpo oscila entre os seus próprios opostos. Lado direito e lado esquerdo tensionam simultaneamente entre continuidade e interrupção, a partir de um dispositivo que propõe possíveis reentrâncias geradas pela fissura dessa bipartição supostamente simétrica. Esta performance faz parte da pesquisa em desenvolvimento no programa de mestrado DAS Choreography (AHK-NL) e conta com bolsa concedida pela Fundação Calouste Gulbenkian.

© Aline Belfort

Dança Sem Vergonha, de David Marques, no espaço Rua das Gaivotas 6 | dias 6 e 7 de março
David Marques trabalha como intérprete e coreógrafo a partir de Lisboa. Depois de ter estreado Mistério da Cultura no Festival Materiais Diversos, em setembro de 2019, volta ao palco sozinho com uma “dança-sensação” em que procura os impulsos originais que o levaram a dançar, tendo em conta os locais por onde passou.

© Ágata Xavier

Sandálias de pele de porco, de João Penalva, no espaço Appleton | dias 6, 7 e 8 de março
Com Sandálias de pele de porco, João Penalva apresenta uma nova versão de uma peça sua de 1999, intitulada Wallenda, em que o artista assobiou na íntegra A Sagração da Primavera, de Igor Stravinsky. Nesta versão, o artista justapõe a história e o processo deste seu empreendimento com a experiência de outros artistas que, como bailarinos, foram intérpretes desta peça musical que, em 1913, no Théâtre des Champs Elysées, de Paris, revolucionou a história da música e da dança do século XX.

© João Penalva

Mina, de Carlota Lagido, no Teatro São Luiz | de 12 a 15 de março
Mina é um projeto que se assume feminista, transfeminista e interseccional. É um manifesto sobre mulheres que viveram diferentes épocas, viveram conflitos de desigualdade e violência de género específicos de cada época, muitos presentes hoje. Outras revolucionaram o mundo e muitas foram aniquiladas pelo poder patriarcal”. A partir deste mote, Carlota Lagido, coreógrafa e performer que ao longo do seu percurso trabalhou com Meg Stuart, Joana Providência, Rui Horta e Mark Haim, pretende dar palco à vida de muitas mulheres, que embora já não estejam presentes, lutaram contra condições de desigualdade ou violência.

© Joana Linda

O Cumplicidades – Festival Internacional de Dança Contemporânea de Lisboa é uma iniciativa da estrutura cultural Eira, de Francisco Camacho.

Texto de Ricardo Ramos Gonçalves
Fotografia de capa de Joana Linda

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