De 27 de Agosto a 20 de Setembro, decorrerá a 4ª edição da bienal de música electroacústica Aveiro_Síntese, que terá lugar em vários espaços da cidade, como a Igreja das Carmelitas, os Claustros da Igreja da Misericórdia, o Pátio do GrETUA e o Teatro Aveirense. Aveiro_Síntese é uma iniciativa da Arte no Tempo, em parceria com o Teatro Aveirense/Câmara Municipal de Aveiro, financiada pela Direcção Geral das Artes, que se propõe “dar a conhecer o grande repertório da electroacústica, combinando obras históricas com criações de compositores portugueses e selecções de estúdios internacionais”, lê-se no dossier de imprensa.

A música clássica, trazida por Beethoven e John Downland, conviverá com criações contemporâneas, neste evento que conta com dez concertos, num dos quais será projectado o filme centenário O Gabinete de Dr Caligari,
de Robert Wiene. Será a dupla Tiago Cutileiro & Marta Navarro que nos trará a sua banda sonora, que se estreou no Festival Curtas de Vila do Conde, em Julho de 2019.

O guitarrista Hugo Simões abrirá a bienal, na Igreja das Carmelitas, “associando repertório do célebre compositor inglês
John Dowland (1563–1626) e a exploração que dele faz a sua compatriota
Natasha Barrett (1972) à improvisação com guitarra e electrónica.”

Estes palcos contarão com a presença de Carlos Santos, artista sonoro e designer, do agrupamento ars ad hoc, dedicado à música de câmara, em cujo concerto ouvir-se-á a estreia de dois quartetos de cordas, de João Carlos Pinto e de Ricardo Ribeiro, música acusmática de Ludger Brümmer e um quarteto de Beethoven.

André Gaio Pereira, no violino, Ricardo Guerreiro, na projecção sonora, e Pedro Fonseca, na iluminação, levar-nos ao a La lontananza nostalgica utopica futura. Madrigale per più “caminantes, da autoria de Luigi Nono e Gidon Kremer. A Orquestra XXI, “um projecto premiado que reúne músicos portugueses residentes no estrangeiro”, interpretará obras de Xenakis, Reich, Scelsi e Fujikura.

O projecto Nova Música para Novos Músicos, promovido pela Arte no Tempo, “prevê a encomenda de obras mistas a compositores portugueses, destinadas à formação de alunos de diferentes níveis, dos 6 aos 18 anos, acompanhando todo o percurso escolar.” Estes estudantes de escolas do ensino artístico especializado da música, interpretarão, entre outros, obras de Pena e Caires.

O percussionista Nuno Aroso convidou o percussionista João Lourenço e o compositor Luís Antunes Pena para, num concerto, “explorar diferentes formas de fazer música, cobrindo pólos tão distintos como o da simples manipulação de feedback à realização coreográfica que ilusoriamente desvela o som.”

Esta edição da Aveiro_Síntese encerrará com o concerto música acusmática // Música em Criação. “O programa reflecte o modelo seguido nos concertos da primeira edição da Aveiro_Síntese, consistindo na apresentação de obras históricas, obras de compositores portugueses e uma selecção de obras por algum estúdio ou compositor. Neste concerto, a obra histórica é Mycenea-Alpha (a primeira inteiramente realizada no sistema UPIC) e a música de autores portugueses constitui simultaneamente a selecção elaborada pela Arte no Tempo, no âmbito da chamada de peças “Música em Criação” (destinada a compositores em formação ou recentemente formados), que em 2020 destaca os compositores Cláudio de Pina e Marta Domingues. A obra acusmática de Ludger Brümmer estreada a 30 de Agosto é aqui trazida para dentro de portas, para uma audição mais cuidada.”

Esta iniciativa concorre para candidatura da cidade a Capital Europeia da Cultura em 2027.

Descobre o programa, de forma mais detalhada, aqui.

Texto de Raquel Botelho Rodrigues

Fotografia de Joel Wyncott, via Unsplash