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‘Mulheres de Almada’: A história do concelho conta-se no feminino

As biografias de quase meia centena de mulheres marcantes e a importância das suas conquistas…

Texto de Sofia Craveiro

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As biografias de quase meia centena de mulheres marcantes e a importância das suas conquistas na História de Almada. Esta é a súmula que melhor descreve o livro "Mulheres de Almada", que acaba ser lançado pela Emporium Editora com o apoio da Câmara Municipal de Almada.

A obra, da autoria de M. Margarida Pereira-Müller e Florbela Barão da Silva, reúne 49 biografias de personalidades femininas que têm marcado a vida do concelho de Almada, “desde o século XV aos nossos dias”. O tema surge como relevante pelo facto de “a História e o mundo nunca realçarem o trabalho das mulheres, nunca darem importância e [ficarem] sempre só os homens como heróis”, explica ao Gerador Margarida Pereira-Müller.

Com ilustrações de Isa Silva, o livro percorre a vida de personalidades históricas, como a rainha de Portugal Leonor de Avis ou figuras contemporâneas como a judoca Telma Monteiro e a cientista Elvira Fortunato. Ao mesmo tempo procura, também, honrar o legado de operárias na indústria da cortiça, costureiras, lavadeiras ou outras que “têm uma grande influência na sua comunidade” e às quais as autoras quiseram “dar uma voz”.

M. Margarida Pereira-Müller, Florbela Barão da Silva e Isa Silva

Segundo escreve no prefácio Inês de Medeiros, presidente da Câmara municipal de Almada, "todos nós já fomos confrontados com o facto de a história ser feita pelos e para os vencedores. Quando se aborda a questão das mulheres na História, o caso é ainda mais complexo. No entanto, basta um olhar mais cuidado para se perceber que não só elas estão sempre presentes, como o estão de forma ativa" na sociedade.

A ideia passa, assim, por resumir o percurso das mulheres retratadas numa abordagem de proximidade, que pretende estabelecer uma relação com a comunidade local. “Não queríamos que fosse um “calhamaço científico”. Queríamos que fosse [um trabalho] com alguma intimidade, [para] que as pessoas se sentissem próximas destas mulheres”, diz Margarida Pereira-Müller.

Além de destacar a importância das mulheres, o livro pretende ainda ser um contributo pedagógico para o conhecimento e divulgação da História e cultura locais. “O que nós gostaríamos era poder apresentá-lo e falar o conteúdo nas escolas, para crianças e adolescentes, na disciplina de Cidadania e Desenvolvimento”, diz Florbela Barão da Silva.  “Ensinamos a História Universal – que é importantíssima – a História de Portugal também, mas deveria haver algo sobre a História do concelho onde se está inserido”, acrescenta Margarida Pereira-Müller.

De acordo com as autoras, a escolha de 49 mulheres foi feita pois este é um número que representa “persistência, prontidão e firmeza”, estando “fortemente associado ao apoio no desenvolvimento cultural”. Desta forma, foi dado significado a uma seleção que dizem ser sempre limitada, por nunca esgotar as tantas histórias por contar. “Não se consegue abranger todas. Ficaram muitas mulheres de fora, o que dá uma janela aberta” para continuar” um próximo volume, refere ainda Margarida.

 M.Margarida Pereira-Müller nasceu em Portalegre, colabora com diversas publicações e blogs e já publicou várias biografias, livros de contos e lendas e de gastronomia (premiados internacionalmente). Já Florbela Barão da Silva nasceu, reside e trabalha em Almada como consultora de comunicação com a sua marca pessoal. Escreve artigos em publicações sobre relações públicas e participa em palestras de empreendedorismo. Ambas dizem ter ganho um novo olhar sobre o concelho através da realização desta obra, e mostram-se satisfeitas pelo impacto que está já a ter na comunidade local.

O livro foi concretizado com recurso a arquivos municipais, bibliotecas e catálogos de exposições que permitiam aos poucos recolher informação relevante. Todo este trabalho, dizem, justifica-se pela importância de combater a masculinidade como norma e normalizar o papel ativo da mulher na sociedade. “Enquanto não houver visibilidade não há consciência das coisas. Nós temos que chamar a atenção”, afirmam.

Texto por Sofia Craveiro
Fotografias cedidas pelas autoras

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