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Hugo Canoilas parte da vida no oceano para nos levar numa experiência de corpo e de espaço

Moldada na Escuridão é a exposição de Hugo Canoilas, que nos propõe uma experiência sensorial…

Texto de Patrícia Nogueira

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Moldada na Escuridão é a exposição de Hugo Canoilas, que nos propõe uma experiência sensorial e imersiva na Galeria de Exposições Temporárias do Museu Calouste Gulbenkian, de 18 de fevereiro a 30 de maio.

Centro de Arte Moderna convidou Hugo Canoilas que entre vários trabalhos e distinções recebeu o prémio Kapsch Contemporary Art, em 2020, a produzir um projeto especificamente para a galeria de exposições temporárias do Museu Calouste Gulbenkian. Tendo como base uma investigação em torno de um dos territórios da Terra mais omnipresentes, mas também o mais desconhecido - o Oceano -, Hugo Canoilas propôs Moldada na Escuridão. O título alude ao texto "The Gray Beginnings", um dos capítulos da obra The Sea Around Us (1950), da autoria de Rachel Carson, escritora, bióloga marinha e figura seminal do movimento ambientalista de meados do século XX, um estudo científico que narra de forma poética a formação do oceano, berço da vida na Terra, e é publicado no catálogo que acompanha a exposição em português e em inglês, juntamente com um texto da curadora e fotografias inéditas das obras, da autoria de Daniel Malhão.

Hugo Canoilas, «Poças», 2020-2022. Galeria Quadrado Azul. Foto: Daniel Malhão

O artista, que destaca os limites do conhecimento e da complexidade da relação da cultura ocidental com a natureza, convida a uma experiência total do corpo e do espaço. A escuridão da Galeria de Exposições Temporárias dramatiza os fundos dos oceanos e o seu potencial de assombro e de desconhecido, subalternizando a visão e criando as condições para a emancipação dos outros sentidos. Quem percorre a exposição pode encontrar, no chão da galeria, esculturas em vidro e resina acrílica e objetos têxteis que constroem camadas que se acumulam e se sobrepõem, como estratos sedimentados. A galeria abriga um conjunto de ecossistemas, em que cada objeto-coisa-criatura age sobre o outro, perde a sua autonomia e identidade única. O artista criou assim uma circulação fluida entre os objetos, mas também entre os processos do fazer da pintura e da escultura, utilizando formas de fixação natural, sem molde, acolhendo o imprevisto e os efeitos intrínsecos às qualidades da matéria e dos materiais que incorpora nos seus trabalhos, simulando os processos criativos na natureza.

A exposição pode ser vista de 18 de fevereiro a 30 de maio no Museu Calouste Gulbenkian e tem visitas orientadas com Ricardo Mendes, em português e Língua Gestual Portuguesa, no dia 26 de fevereiro, 19 e março, 23 de abril e 14 de maio, pelas 16h.

Texto de Patrícia Nogueira
Fotografias disponíveis através do site da Gulbenkian

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