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Mulheres na tecnologia continuam a sentir-se discriminadas, mal pagas e pouco representadas

O relatório “Women in Tech 2024”, publicado pela Web Summit, dá conta de que o sexismo no local de trabalho continua a ser uma realidade para mais de metade das inquiridas. Em entrevista ao Gerador, Carolyn Quinlan, a VP de Community na Web Summit, fala sobre os resultados do inquérito.

Texto de Débora Cruz

Fotografia via Unsplash

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Preconceitos de género inconscientes, a dificuldade de equilibrar a carreira com a vida familiar e o número insuficiente de mulheres em posições de liderança são apontados como os principais desafios para as mulheres no setor da tecnologia, segundo o relatório Women in Tech 2024, da Web Summit. 

Apesar de reconhecerem uma melhoria das suas condições de trabalho ao longo dos anos, 55,9 % das cerca de mil mulheres inquiridas acreditam que o setor não está a fazer o suficiente para combater a desigualdade de género. Ao mesmo tempo, cerca de 68,8 % sentem-se insatisfeitas com a ação desenvolvida pelos seus governos para combater o problema.

Um dos indicadores que tem revelado poucas oscilações ao longo dos cinco relatórios globais divulgados pela Web Summit refere-se ao número de mulheres que dizem experienciar sexismo nos seus locais de trabalho. Este ano, mais de metade (50,8 %) das inquiridas reportou situações de discriminação e mais de 75 % admitiu sentir a necessidade de trabalhar mais que os colegas do sexo masculino que desempenham funções semelhantes. 

“Ser mulher num ambiente predominantemente masculino significa ter de provar as tuas capacidades a dobrar, enfrentando desafios adicionais para ser reconhecida e valorizada”, refere uma das mulheres inquiridas. Também no que diz respeito às remunerações, mais de metade das mulheres que responderam ao inquérito sente-se injustamente compensada face aos homens. 

Por sua vez, a pressão sentida para escolher entre uma carreira e a vida familiar foi um dos indicadores do estudo que revelou uma evolução negativa. O relatório dá conta de que 49,1 % das inquiridas, comparativamente a 41,8 % no relatório do ano passado, se sente pressionada para tomar essa decisão. Em entrevista ao Gerador, via e-mail, Carolyn Quinlan, VP de Community na Web Summit, explica a potencial influência do trabalho remoto para este indicador.

“Um dos tópicos discutidos durante os recentes jantares da Web Summit Women in Tech foi o facto de o declínio das funções totalmente remotas - especialmente para cargos não superiores - poder tornar mais difícil para muitas mães equilibrar a família e a carreira”, atestou a VP. Apesar dos desafios, Quinlan sublinhou que as mulheres no setor da tecnologia continuam a alcançar progressos e a ser resilientes, muitas vezes “retirando força das ligações que estabelecem com outras mulheres no terreno”.

O inquérito no qual é baseado o estudo foi enviado às participantes do programa Web Summit Women in Tech, em agosto. As cerca de mil inquiridas que responderam têm entre 18 a 74 anos, com cerca de 37 % na faixa etária dos 35-44 anos. “Ao focar-se nas experiências pessoais das mulheres ao invés de métricas-padrão — tais como salário, taxas de emprego ou valores de financiamento — a pesquisa fornece perceções e sentimentos diferenciados que se alinham com a missão da Web Summit de promover um setor de tecnologia mais inclusivo”, explica Carolyn Quinlan.

Desde o início do programa Women in Tech, em 2015, a participação feminina nos eventos da Web Summit aumentou. A VP de Community dá conta de que a participação das mulheres aumentou de 26 % em 2013 para 50,5% em 2021, o ano em que a presença feminina superou a dos homens pela primeira vez.

O "potencial" da Inteligência Artificial para promover a igualdade

O relatório Women in Tech 2024 dá conta de que 68 % das cerca de mil mulheres inquiridas revelam algum otimismo em relação à possibilidade de a Inteligência Artificial  (IA) poder ser usada para promover a igualdade de género. 

“Apesar da narrativa comum de que a IA terá um impacto negativo na paridade de género, fomos inspirados a acrescentar esta pergunta [no inquérito] com base em informações recentes partilhadas pela PwC sobre como a IA pode promover a igualdade de género no local de trabalho”, explica a VP de Community na Web Summit, Carolyn Quinlan.

A VP refere-se ao artigo publicado pela entidade PwC, em março deste ano. “Quando utilizada de uma forma responsável e orientada para o ser humano, a IA pode ser usada para alcançar grupos de talentos mais vastos, reduzir os preconceitos nos esforços de atração e contratação e pode também proporcionar oportunidades para interromper os preconceitos em tempo real nos sistemas de gestão de talentos”, lê-se na publicação. “Também pode ajudar a transformar as comunicações e a implementação da aprendizagem, tornando-as mais inclusivas, para além de facilitar uma colaboração mais acessível no local de trabalho através do envolvimento no metaverso”, lê-se também.

Este otimismo teve eco nas respostas ao inquérito da Web Summit e nos jantares recentemente organizados em Lisboa, Dublin e Londres, diz Carolyn Quinlan. “No entanto, continuam a existir preocupações”, ressalva a VP, apontando para a pesquisa da Universidade de Washington, que mostra que “a IA ainda pode reforçar estereótipos, muitas vezes posicionando homens brancos em papéis de autoridade enquanto retrata mulheres e minorias em papéis subordinados”. 

Este mês, a Web Summit vai aprofundar esta discussão através de sessões dedicadas ao uso ético da IA, incluindo uma mesa-redonda com a participação de Christian F. Nunes, presidente da Organização Nacional de Mulheres (NOW, em inglês), sobre como a IA não regulamentada pode alimentar a violência digital baseada no género. A fundadora e CEO da Defined.ai, Daniela Braga, também vai examinar os limites do uso ético da IA.

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