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Às Cegas: a visita ao Museu Grão Vasco que anula a visão como primeiro sentido

O Museu Nacional Grão Vasco vai receber uma visita Às Cegas, pela mão de Leonor…

Texto de Carolina Franco

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O Museu Nacional Grão Vasco vai receber uma visita Às Cegas, pela mão de Leonor Barata e Henrique Amoedo, que desafia os visitantes a confiar na narrativa que lhes vão contar ao longo do caminho. A coleção do museu é o ponto de partida para refletir a possibilidade de conhecer sem ver, de saber sem verificar com o olhar, de considerar uma prática artística que anule a visão como primeiro e mais importante sentido. 

A visita Às Cegas surge na sequência de um trabalho que o Teatro Viriato e o Museu Grão Vasco têm desenvolvido, juntamente com Leonor Barata, e que procura explorar o património do museu . A primeira visita foi uma visita dançada com Aurélie Gandit, a segunda com a participação de Patrícia Portela e a terceira é pensada de forma cúmplice com Henrique Amoedo

O processo criativo partiu da Carta sobre os cegos de Denis Diderot, mas foi mais além — “ Para além do texto do Diderot que é super importante e dá o fio condutor para todo o trabalho desenvolvido, e de uma forma brilhante como Leonor Barata vê este texto, claro que é importante falarmos com pessoas que vivência isso na primeira pessoa.”, conta Henrique Amoedo. Além da sua experiência na companhia Dançando com a Diferença, que também acabou por ser útil no processo, Henrique juntou-se a Leonor para procurar pessoas que vivam essa realidade, não só para ajudar na criação mas também para integrar a visita. A Henrique e Leonor acrescenta-se um terceiro guia, que se encontra na condição retratada. No total são quatro os guias, dois de Viseu e um da Madeira, que vêm por parte da Dançando com a Diferença, e uma representante da Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal (ACAPO). 

“O Henrique teve um papel fundamental na criação e que ultrapassou em muito a consultoria artística porque foi, de facto, um cúmplice nesta aventura.”, diz Leonor Barata sobre o papel de Henrique Amoedo na visita Às Cegas. Reconhece-lhe “uma sensibilidade artística apurada” e um olhar atento, sempre à procura do detalhe e pormenor com rigor. Henrique completa a colega, dizendo que o seu papel passou por “trazer o conhecimento mais técnico e transformá-lo em algo artístico ou dentro de uma linguagem artística.” Outro ponto que considera importante é “fazer o trabalho de consciencialização, que é um trabalho que fazemos sempre no Dançando com a Diferença, que o Teatro Viriato também assume enquanto instituição cultural; ou seja, o trabalho de tentar aproximar o produto artístico/cultural de todas as pessoas, levando-o a todos.”

A visita é pensada numa lógica invertida; em vez de a fazerem para as pessoas cegas, quiseram desde o início colocar os visitantes numa condição que não era a sua. Sobre o papel dos museus em Portugal, Henrique diz que estes “têm um processo a percorrer”. O artista acredita que há questões de acessibilidade que têm de ser trabalhadas, e que “a arte e a cultura têm de ser mais acessíveis a todos”. Vê no Às Cegas um exemplo do que é um processo pensado para todos e que começa pelos artistas, “que podem começar a pensar nos seus produtos para todos”. Remata a frase dizendo que não acha que este seja um problema dos museus ou dos artistas, mas “problema social, muito mais amplo.”

No caso do Museu Nacional Grão Vasco, o cruzamento entre diversas áreas artísticas é motor de novas práticas. Leonor Barata acha que se as diversas disciplinas — do teatro, à dança, até à música — invadirem os museus e se os museus procurarem partilhar os seus conteúdos de formas não tradicionais, inovadoras e estejam abertos a criar essas sinergias “haverá sempre ganhos.” Continua a dizer que “sairmos de nós mesmos é sempre um ganho porque conhecemos novos mundos, outras estórias e outros pensamentos, mas também porque estamos a dessacralizar um espaço — tanto o espaço do teatro, como o espaço do museu, como o espaço público. É dizer que tudo isto pode acontecer em todo o lado e esse é o desafio da arte contemporânea.”

Desafiar o museu e possibilitar um novo olhar sobre o património é um dos grandes objetivos destas visitas ao Museu Grão Vasco, segundo Leonor. Às Cegas- Visita pela mão aos Tesouros Nacionais e Acervo do Museu Nacional Grão Vasco estreia no dia 9 de fevereiro às 16h00 e é destinado a públicos com mais de 16 anos. A visita repete-se nos dias 9 de março, 6 de abril, 25 de maio, 22 de junho, 12 de outubro, 30 de novembro e 7 de dezembro, sempre à mesma hora. As escolas podem marcar visitas de 25 a 29 de março, e de 25 a 29 de novembro. 

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Texto de Carolina Franco
Fotografia de Museu Nacional Grão Vasco 

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