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Doclisboa propõe “mais momentos de encontro” num festival que se prolonga por seis meses

Foi apresentada ontem, 12 de outubro, a programação do próximo Doclisboa, que começa este mês…

Texto de Carolina Franco

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Foi apresentada ontem, 12 de outubro, a programação do próximo Doclisboa, que começa este mês e se prolonga até março de 2020. Organiza-se “em 5 andamentos” e tem como ponto de partida as inquietações dos tempos que vivemos —  “Deslocações”, “Espaços de Intimidade”, “Ficaram Tantas Histórias Por Contar”, “Arquivos do Presente” e “De onde venho, para onde vou”. 

A sessão de abertura faz-se no dia 22 de outubro às 21h30, na Culturgest, seguida da projeção de Nheengatu - A Língua da Amazónia, um filme de José Barahona que percorre o Rio Negro, na Amazónia, à procura “de uma língua imposta ao índios pelos antigos colonizadores”, no dia 23 no Cinema São Jorge. Na primeira semana de festival há cinema português, com filmes de José Oliveira e Marta Ramos (Ficaram Tantas Histórias por Contar) ou Bagabaga Studios e Bataclan (Chelas City), mas também estreias internacionais e nacionais, de que são exemplo os filmes de Paula Gaitán (É rocha e rio, Negro Leo), e Gregory Monro (Kubrick by Kubrick).

Além dos cinco programas temáticos acima referidos, o Doclisboa criou sinergias com associações que permitiram pensar o cinema dentro de temas como o trabalho, através do programa Corpo de Trabalho e do prémio Locais de trabalho seguros e saudáveis, com a Agência Europeia para a Segurança e Saúde no Trabalho, sendo que o prémio já existe há 11 anos.  

No cinema português, destaca-se a estreia nacional de Amor Fati, filme de Cláudia Varejão que estreou no Visions du Réel, numa edição marcada pela pandemia e o momento de confinamento obrigatório. Inserido no programa “Deslocações”, o filme mostra a viagem de norte a sul do país que a realizadora fez à procura de “histórias de amores inabaláveis que se expressavam em fisionomias idênticas”.

“Este filme é um atlas de histórias e emoções que expressam o meu sentimento pela humanidade e que tende a engrandecer diante da nossa vulnerabilidade, diante da morte. Criar imagens é a minha tentativa de superar a efemeridade dos eventos, incorporando algo maior e mais belo. A vida é assim, ininteligível. O meu esforço, com os meus filmes, está em torná-la inteligível. Talvez o cinema nos ajude, assim, a fintar o fim”, diz Cláudia Varejão no comunicado de imprensa enviado pela produtora Terratreme. 

No cinema português ou feito em Portugal destacam-se ainda Desterro de Maria Clara Escobar, Making a Living in the Dry Season de Inês Ponte, A Resistência Íntima de Rift Finfinnee, O Primeiro Passo da Melomania é  uma Birra de Guilherme Sousa, A Nossa Terra, o Nosso Altar de André Guiomar, Memória Descritiva de Melanie Pereira, A Vida em Comum de Diogo Pereira, as sombras e os seus nomes de João Pedro Amorim, O que não se vê de Paulo Abreu, Visões do Império de Joana Pontes e Fé, Esperança e Caridade de Maria João Rocha.

À semelhança dos anos anteriores, haverá também a seção Verdes Anos, dedicada a jovens cineastas, e ainda a oficina Docs 4 Kids, destinada às crianças.

Podes saber mais sobre a 18ª edição do Doclisboa, aqui

Texto de Carolina Franco
Still de Desterro de Maria Clara Escobar

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