Portugal é o quarto país do mundo com a média de idade dos seus habitantes mais elevada, logo a seguir ao Japão, Alemanha e Itália. A idade média de um habitante em Portugal é de 43,9 anos.

Portugal foi das nações da Europa Ocidental que, em 2019, mais gastou em despesas militares em percentagem do PIB. Em Portugal 1,94% do PIB foi despendido em despesas militares, ao contrário de 1,86% em França, 1,74% no Reino Unido, 1,28% na Alemanha e 1,24% em Espanha.

Cerca de 800.000 pessoas morrem por suicídio todos os anos, em todo o mundo. Muito mais do que a soma dos homicídios (400.000), das mortes em conflitos, como as guerras (130.000), e das mortes resultantes de actos terroristas (26.500).

Portugal é a segunda nação mais vacinada contra a Covid-19 do mundo, logo a seguir ao Emiratos Árabes Unidos. 89% dos portugueses está vacinado com as duas doses, contra 72% dos franceses, 69% dos ingleses, 66% dos brasileiros e 61% dos norte-americanos.

Portugal foi a segunda nação com mais mortes por milhão de pessoas por covid-19 em janeiro de 2021, logo a seguir a Gibraltar. A 31 de janeiro de 2021 morreram 28 pessoas por milhão de habitantes em Portugal, versus 17 no Reino Unido, 9 nos Estados Unidos, 6 em França e 5 no Brasil.

Os números não conseguem mentir. Falo, óbvio, daqueles que provêm de fontes credíveis e seguras. Os números podem ser amputados e torturados, mas, no fim, vão sempre ser honestos.

No entanto, sabendo nós da credibilidade dos números, tendemos a tentar manipulá-los em favor dos nossos interesses menos ou mais saudáveis. Mesmo usando números reais, algumas tendências ou conclusões podem ser inquinadas ou mesmo falsas.

Falta darmos mais importância à numeracia em Portugal, à capacidade de entender e calcular informação. E, naturalmente, a saber procurar as fontes correctas e fidedignas.

Todos tivemos aquele colega na escola que decidiu ir para letras para evitar matemáticas, apesar de se sentir mais à vontade com a ciência ou ter mais jeito para o desenho.

É um clássico ver um amigo nosso fugir de uma operação muito simples na divisão da conta do jantar, argumentando que nunca teve habilidade para a matemática, que fica bloqueado mal ouve números.

Todos os dias ouvimos dizer que os artistas querem-se longe dos números, com medo que a racionalidade numérica afecte a inspiração criativa, como se a matemática e a ciência simplesmente se ausentassem de fazer parte da cultura.

Soubemos percorrer um longo caminho na literacia, apesar das nossas dificuldades educacionais históricas, mas ainda não olhámos para a interpretação dos números como um dos saltos qualitativos mais relevantes que podemos dar.

À medida que o tempo vai passando, mais informação é recolhida, mais dados são tratados, mais números precisam de ser interpretados. Compreender números será, aliás, um dos principais empregos do futuro. Estamos preparados para isso?

PS. Toda a informação estatística que mencionei aqui pode ser consultada em Our World in Data.

*Texto escrito ao abrigo do antigo Acordo Ortográfico

-Sobre Tiago Sigorelho-

Tiago Sigorelho é um inventor de ideias. Formado em comunicação empresarial, esteve muito ligado à gestão de marcas, tanto na Vodafone, onde começou a trabalhar aos 22 anos, como na PT, onde chegou a Diretor de Estratégia de Marca, com responsabilidades nas marcas nacionais e internacionais e nos estudos de mercado do grupo. Despediu-se em 2013 para criar o Gerador.
É fundador do Gerador e presidente da direção desde a sua criação. Nos últimos anos tem dedicado uma parte importante do seu tempo ao estreitamento das ligações entre cultura e educação, bem como ao desenvolvimento de sistemas de recolha de informação sistemática sobre cultura que permitam apoiar os artistas, agentes culturais e decisores políticos e empresariais.

Fotografia de David Cachopo
A opinião expressa pelos cronistas é apenas da sua própria responsabilidade.
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