“A Mentira” e a “A Verdade”, de Florian Zeller, estrearam este mês no Teatro Aberto, em Lisboa. Com encenação de João Lourenço, as duas peças, embora diferentes, são representadas pelo mesmo elenco e falam de enganos e traições. Uma das obras remonta aos anos 50 e a outra acontece nos dias de hoje.

Os espetáculos contam com interpretação de Joana Brandão, Miguel Guilherme, Patrícia André e Paulo Pires. Com o humor em destaque, as obras pretendem que se discuta sobre as nuances da mentira e da verdade no quotidiano e demonstram como o teatro pode originar uma multiplicidade de sentidos.

“A Verdade” estreou a 7 de dezembro e, no dia seguinte, foi a vez de “A Mentira”. As peças surgem a público num cenário atual em que expressões como “fake news” e “pós-verdade” são bastante frequentes e se encontram envoltas em polémica a nível político, social e mediático.

O encenador das obras e diretor do Teatro Aberto, João Lourenço, afirmou, em comunicado à imprensa, que os dois espetáculos servem para “pensarmos um bocadinho no que andamos a fazer”, já que “andamos todos a mentir uns aos outros e nem nos apercebemos que andamos a fazê-lo”, pelo que “andamos também a mentir a nós próprios”. “E nem falo dos políticos, porque esses mentem sempre”, acrescentou.

João Lourenço admitiu ainda que exibir as duas peças em simultâneo, com os mesmos quatro atores, constituiu um grande desafio, pelo que decidiu pôr a ação de “A Verdade” nos anos 50 do século passado e manter o tempo de “A Mentira” na atualidade. Juntamente com o encenador, também Vera San Payo de Lemos assina a dramaturgia destas versões nacionais das obras. A cenografia está a cargo de João Lourenço e António Casimiro, os figurinos são de Ana Paula Rocha e o vídeo cabe a Nuno Neves.

O espetáculo “A Mentira” decorre às quintas-feiras e sábados às 21h30 e, aos domingos, às 16h, na Sala Azul. “A Verdade” tem lugar às quartas e sextas-feiras às 21h30 e, aos domingos, às 18h30, na Sala Vermelha. O custo do bilhete inteiro é de 17 €.

Texto de Carolina Gaspar
Fotografia de Miguel Cunha Duarte, disponível via flickr

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