Raquel morre no Teatro São Luiz, entre 26 de Fevereiro e 15 de Março. Em A Morte de Raquel, uma co-produção do Barba Azul, do Teatro Nacional São João e do São Luiz Teatro Municipal, a encenadora Raquel Castro imagina a sua morte em 2080 e partilha a memória da vida, a partir de 2020, ano do seu nascimento.

A biografia é uma narrativa e Raquel explora uma potencialidade da sua, aos 99 anos. Assistimos à memória "de uma mulher que, entre outras coisas, foi filha, irmã, mulher, cidadã portuguesa, artista, esposa, mãe e um animal de cabelo ondulado", como se lê na descrição da peça.

"Gosto de sentir a criação como um espaço de liberdade. Um espaço sem amarras, onde posso começar uma coisa e pensar que ela pode ser o que eu quiser. Gosto de pensar na criação como um lugar onde posso viver de determinada maneira com algumas pessoas durante alguns meses. É quase como criar o nosso próprio espaço de vida", diz em entrevista a Susana Moreira Marques.

Poder "viver de determinada maneira" é também morrer de determinada maneira, a que a arte permite. O teatro trabalha precisamente com o diálogo ser/não ser.  Os actores Joana Bárcia, Nuno Nunes,  Rita Morais, que partilham o palco com Raquel Castro, tocarão esses limites.

Texto de Raquel Rodrigues
Fotografia de Estelle Valente