A peça que dá para o torto estreou em fevereiro em Portugal, no Auditório dos Oceanos, no Casino de Lisboa. É uma reposição da peça The play that goes wrong, que se estreou há cinco anos em Londres, numa produção da Mischief Theatre Companhy, e teve a tradução de Nuno Markl.

A produção portuguesa é encenada por Hannah Sharkey, da companhia inglesa, com a ajuda de um encenador residente português, Frederico Corado. Esta é a quarta vez que Hannah Sharkey monta o espetáculo. No elenco de atores e atrizes, estão Inês Castel-Branco, Joana Pais de Brito, Alexandre Carvalho, Cristóvão Campo, Igor Regalla, Miguel Thiré, Telmo Mendes, Telmo Ramalho, João Veloso, Rita Silvestre, Valter Teixeira e David Balbi.

Em conversa com o Gerador, o ator Alexandre Carvalho explica o que foi para si integrar o elenco de uma peça que já ganhou um Prémio Olivier para Melhor Comédia Nova, quando ainda estava em cena em Londres. “Existe responsabilidade e sobretudo respeito. É um replica-show e isso faz com que a criação do actor esteja um pouco mais limitada. Mas enganem-se aqueles que pensam que vêm ver uma 'cópia' do espectáculo de Londres. Não o é.”

Cá em Lisboa, é o Núcleo de Teatro da Sociedade Recreativa e Cultural do Sobralinho que tem a oportunidade de apresentar a sua mais recente produção, Crime na Mansão Haversham. E é assim que começa, com esta vontade, mas não é assim que continua, nem é tão pouco assim que acaba. Porque a peça dá para o torto.

Confundem-se atores com técnicos, cenário com realidade. Nada é claro e tudo pode acontecer. “Eu faço de técnico de som e luz portanto não estou englobado nesse lote [de atores/atrizes]. Mas posso só esclarecer que eles não são maus actores. As situações absurdas são-nos dadas porque eles têm alguma falta de experiência e não porque são maus actores. Eles querem fazer as coisas bem demais e acabam por surgir situações comprometedoras que derivam dessa falta de experiência e excesso de confiança”, afirma Alexandre Carvalho.

No final do espetáculo, é pedido ao público que não divulgue o que se passou e que não fotografe nem filme. Mas o Gerador pediu que se abrisse um pouco a cortina: “Devem vir ver A peça que dá para o torto para se divertirem durante duas horas e para presenciarem o que a classe artística teatral 'sofre' quando as coisas não correm como deviam. É um bocado como a Lei de Murphy. Quando tudo de mal pode acontecer, acontece.”

A peça que dá para o torto estará em cena em Lisboa até maio de 2020, no Casino do Estoril, e depois seguirá para o Porto, para o Coliseu do Porto Ageas.

Texto de Rita Dias
Fotografia de Renato Arroyo

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