Abre a Carta, Lobo Mau!, peça integrada no projecto Boca Aberta, encenada por Catarina Requeijo, escrita por Inês Fonseca Santos e Maria João Cruz e interpretada por Gonçalo Egito e Sandra Pereira, estreará no dia 30 de Novembro no Teatro Nacional D. Maria II, permanecendo em cena até dia 14 de Dezembro, contando, ainda, com uma apresentação a 11 de Janeiro do próximo ano.

Boca Aberta teve início em 2015. Este projecto, que cria, anualmente, dois espectáculos para a infância, a partir de textos do Plano Nacional de Leitura, bem como clássicos da literatura e obras de autores portugueses e estrangeiros em vários géneros, sendo um apresentado no Salão Nobre do TNDM e outro nas escolas, trabalhará os medos, através da figura do Lobo Mau. Este espectáculo insere-se no segundo triénio do projecto, que teve início no ano passado, com a peça Mau, Mau, Lobo Mau!, onde este tema  começou a ser explorado, dialogando com a forma como o encaramos e levantando questões para a repensar. Não se trata de retirar a dimensão sombria dos contos tradicionais, mas, pelo contrário, “voltar a essa essência”, pois “muitas vezes eram utilizados como ferramentas na resolução de determinados problemas e foram muito adocicados pelas versões Disney, com uma camada mais “glicodoce” e mais simpática”, esclarece Catarina Requeijo.

Em Abre a Carta, Lobo Mau!, o Lobo Mau tem medo de umas cartas que lhe são enviadas por correio e entregues pela Menina do Casaco Vermelho, que, por sua vez, tem medo de um relógio de cuco. Juntamente com as cartas e com os bolinhos, também o leva ao amigo, na esperança que a ajude.

Apesar de não haver um tempo cénico definido, dos cenários e dos figurinos não estarem datados, as cartas que amedrontam o Lobo, enviadas por uma entidade de elevada importância, introduzem, aquando reveladas no final da peça, uma componente política e social contemporânea, “mapas dos dias que vivemos”, pois estas anunciam que o Lobo, já velho, tem que deixar a sua casa, à semelhança “das pessoas que estão habituadas a viver num sítio e se sentem forçadas a mudar de repente”, refere a encenadora.

Catarina Requeijo elucida que a peça não visa potenciar, particularmente, uma catarse, sendo este efeito uma resposta possível: “para alguns há-de ser mais imediata e pode haver uma identificação, “se ele (uma personagem da história) conseguiu passar, eu também vou conseguir”. Para outros, vai surgir mais tarde, sobretudo se, quando chegarem à escola, voltarem a falar sobre esse tema. Talvez aí possa haver linhas orientadoras que ajudem a fazer a ponte com a vida deles. Mas não tem que ter sempre essa função. Para muitas crianças, pode ser, simplesmente, o prazer de ver um espetáculo”.

 

Este artigo não segue o Novo Acordo Ortográfico

 

Texto de Raquel Botelho Rodrigues
Fotografia de Filipe Ferreira

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