As mulheres, enquanto produtoras de pensamento, arte e conhecimento, são o mote para o evento “Abril no Feminino”, apresentado recentemente em Coimbra, que propõe 16 iniciativas culturais em oito espaços e duas ruas daquela cidade.

“É uma proposta de programação em que as mulheres são o pretexto das várias iniciativas que vão ocupar a cidade de Coimbra”, disse à agência Lusa a programadora cultural Margarida Mendes Silva, adiantando que o programa, de 02 a 30 de abril, propõe conversas, exposições, uma visita orientada, filmes, leitura encenada, um concerto de música barroca e teatro para a infância.

O programa abre a 02 de abril, no Museu Nacional de Machado de Castro, com a exposição “Num Milionésimo de Segundo”, com ilustrações de Catarina Sobral, “reconhecida como um dos maiores talentos da ilustração nacional”.

A 14 de abril, a autora lança, no mesmo local, o livro “Coimbra”, incluído na coleção “A Minha Cidade”, editada pela Pato Lógico.

O programa inclui ainda o ciclo de cinema “Como Elas Cantam”, dias 03, 11 e 17 de abril no Salão Brazil, dedicado a três “figuras maiores da música”: Janis Joplin, Sarah Vaughan e Violeta Parra.

Já o ciclo de conversas abre a 04 de abril, sob o tema “Mulheres na Ciência”, com a participação de Eugénia Cunha, Helena Freitas e Paula Santana, e moderação de Alexandre Quintanilha. A 05 de abril, é a vez de “Mulheres Viajantes” – Sónia Serrano à conversa com Maria José Goulão – e, a 08 de abril, o padre Nuno Santos, reitor do Seminário Maior de Coimbra, debruça-se sobre “10 mulheres que marcaram a vida de Jesus”.

O ciclo de conversas, sempre na Casa da Escrita e com entrada livre, encerra a 13 de abril, sob o tema “Mulheres na Arquitetura”, com Letícia Callou, Patrícia Pedrosa e Susana Lobo (moderação de Paula Chaves).

A 06 de abril, 12 montras de casas comerciais das ruas Ferreira Borges e Visconde da Luz, na baixa de Coimbra, recebem a exposição de fotografia de Rita Carmo, intitulada “12 Mulheres, 12 Vozes”, que retrata as cantoras e artistas Aldina Duarte, Ana Moura, Carminho, Celina da Piedade, Cidália Moreira, Cristina Branco, Gisela João, Márcia, Maria João, Mariza, Mísia e Surma. À inauguração, pelas 11:00, segue-se uma conversa com Rita Carmo, conduzida por Sara Meireles Graça, no café Santa Cruz.

Margarida Mendes Silva argumentou que a ideia “não convencional” de expor fotografias em lojas resultou de uma parceria com a Agência de Promoção da Baixa de Coimbra, na tentativa de mobilizar os comerciantes para o projeto, o que “não se revelou fácil”, admitiu, mas que levou à adesão das 12 casas comerciais.

“Tentamos sempre otimizar sinergias locais e parcerias de acolhimento, como acontece com a Casa da Escrita, onde vai decorrer o ciclo de conversas ou o Seminário Maior [que será palco de um concerto de música barroca]. Tenho sempre a preocupação de contaminar o território urbano com iniciativas”, afirmou a programadora.

No mesmo dia 06 de abril, pelas 18:00, a sala São Tomás do Seminário Maior de Coimbra será palco do concerto de música barroca “Cravo(s) e outras flores”, por Cândida Matos (cravo) e a soprano Leonor Barbosa de Melo, espetáculo que está a ser “criado de raiz” para o Abril no Feminino, revelou Margarida Mendes Silva.

A 12 de abril, na galeria Santa Clara, decorre a iniciativa “Pela Mão de Judite”, uma leitura encenada de crónicas e contos da escritora Maria Judite de Carvalho, “unanimemente considerada uma das vozes femininas mais importantes da literatura nacional do século XX”.

A 14 de abril, o Museu Nacional de Machado de Castro recebe uma visita orientada, a cargo de Carlos Santos, Pedro Ferrão e Virgínia Gomes, intitulada “Três Mulheres Singulares: a Matrona, a Rainha e a Pintora”, que versa sobre três figuras femininas – Agripina, a Antiga; Rainha Santa Isabel e Josefa d’Óbidos – representadas nas coleções do museu.

O programa inclui ainda uma sessão de cinema alusiva à revolução de Abril de 1974 – com exibição do filme “Cartas a uma Ditadura”, de Inês de Medeiros, a 23 de abril, no Teatro da Cerca de São Bernardo.

O evento encerra a 30 de abril, com um espetáculo de teatro para a infância denominado “Mulheres Incríveis”, sobre mulheres portuguesas de diferentes tempos históricos, pela companhia Camaleão, na escola básica da Solum Sul.

Texto de Lusa
Fotografia de Uriel Soberanes via Unsplash

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