Alimentação, o que dizer sobre alimentação?

Não devemos comer o que nos sabe bem, mas o que nos faz bem à saúde. No meu caso, se fosse a comer o que me sabe bem, realmente bem, estaria muito gordo e a saúde não seria das melhores: um monte de batatas fritas carregadas com queijo derretido, carne de porco frita em banha, tostas barradas com manteiga ou hambúrgueres de 4 andares com 3 carnes diferentes e carradas de bacon.

Mas calma, pessoal! O Varela não faz isso. Há uns 6 ou 7 anos que comecei a ter alguma atenção com a alimentação chegando ao ponto de ficar um ano sem comer carne. Hoje em dia tento evitar a carne mas, se for preciso, como. Contudo, depois sou capaz de ficar meses sem voltar a comer. Primeiro, sentia um género de nojo a carne; e mais tarde comecei a ter outro tipo de atenção, que vai desde um maior respeito pela vida animal até às questões climáticas ou por querer um estilo de vida mais saudável.

Vivemos numa sociedade onde desde cedo nos dizem que um ser humano, bem formado fisicamente, com força e capacidade de trabalhar ou estudar deve comer bem e o comer bem para a maior parte das pessoas é um prato enorme com arroz, batata frita e um bife gigantesco que em muitos sítios daria para alimentar 4 pessoas.

Que carne dá sustento e força, eu arrisco-me a dizer que, em muitas entrevistas de trabalho para a construção civil, se alguém dissesse que não comia carne podia ser logo um factor eliminatório, partindo do princípio que quem não come carne é fraco e sem qualquer tipo de força.

ERRADO.

Demorei algum tempo a perceber isso mas lá cheguei. Não me considero uma pessoa que saiba fazer uma alimentação equilibrada mas tento, e tento muito. Os novos tempos também ajudam, e facilmente encontramos pela internet forma de ter uma alimentação saudável sem recorrer a alimentos de origem animal ou pelo menos apenas com leguminosas e alguns derivados de animais.

Sempre fui bom garfo e facilmente encontram no meu Instagram uma fotografia de uma grande travessa de cozido à portuguesa ou uma cachupa rica, cheia de frango, carne de vaca, de porco, vários tipos de chouriço e linguiça de cabo-verde. E como fazemos este switch?

De forma radical, não me recordo, mas devo ter passado de um rancho para uma salada com quinoa e um hambúrguer de cogumelos, assim de um dia para o outro.

Sinto diferença em muitos pontos: no peso, não me sinto tão pesado; a digestão é muito mais fácil; e quando vou à quinta pedagógica consigo olhar para os animais sem me sentir culpado.

Ainda como alguma carne de vez em quando, o que faz com que algumas pessoas digam que sou um falso vegetariano. Já estive em jantares onde me apeteceu comer frango, por exemplo, e alguns amigos vegetarianos olharem para mim com ar de quem estava a fazer uma traição. Atenção que nunca me assumi como vegetariano. Ao dizer que estava a deixar de comer carne, foi-me logo dada a alcunha de veggie boy por alguns amigos. Isto para não falar que deixei de comer carne, mas continuo a comer peixe. Aliás, tenho comido muito mais peixe até.

E faço algumas batotas pelo caminho, sendo o frango, carne dita branca, nunca consegui ficar muito tempo sem comer o clássico português, FRANGO ASSADO. Não dá. Posso não comer um cozido à portuguesa há mais de um ano, mas frango assado não consigo mesmo. É isso e a bifana de um restaurante que há no Porto chamado “Conga”. Podem passar-se meses sem tocar em carne, mas se estiver no norte, nem penso duas vezes e sou capaz de comer logo umas três bifanas seguidas. Mas há algo que me deixa a pensar, que é o sentimento de culpa sempre que como carne, por isso sei que não me falta muito até conseguir mentalizar-me que tenho mesmo que deixar a carne de lado e também o peixe. Acho que o que me falta é um maior conhecimento de soluções e receitas. Penso que a chave está em fazer um desses workshops de alimentação saudável e focadas no vegetarianismo, porque é mesmo um caminho que pretendo seguir.

Algo que todos deviam pensar pelos diferentes pontos que já falei aqui. Aconselho a todos, pelos menos, a fazerem uma redução e tentarem ficar uns meses sem comer carne. O planeta agradece.

-Sobre Nuno Varela-

Nuno Varela, 36 anos, casado, pai de 2 filhos, criou em 2006 a Hip Hop Sou Eu, que é uma das mais antigas e maiores plataformas de divulgação de Hip Hop em Portugal. Da Hip Hop Sou Eu, nasceram projetos como a Liga Knockout, uma das primeiras ligas de batalhas escritas da lusofonia, a We Deep agência de artistas e criação musical e a Associação GURU que está envolvida em vários projetos sociais no desenvolvimento de skills e competências em jovens de zonas carenciadas.Varela é um jovem empreendedor e autodidata, amante da tecnologia e sempre pronto para causas sociais. Destaca sempre 3 ou 4 projetos, mas está envolvido em mais de 10.

O Nuno Varela é formador do curso de 9h “Introdução ao movimento Hip-Hop”, que decorre de 9 a 11 de agosto na Academia de Verão do Gerador. Se te interessas por este tema clica aqui para saberes como podes assistir.

Texto de Nuno Varela
Fotografia de Pedro Vaccaro
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