A peça Amores Pós-Coloniais, de André Amálio e Tereza Havlíčková, da companhia Hotel Europa, estreou em 2019, na Sala Estúdio do Teatro Nacional D. Maria II, entidade co-produtora. Chega, hoje, dia 22 de Maio, pelas 21h00, à Sala Online.

Aqui o amor chegou a partir de histórias vividas no tempo e no espaço, com o corpo, num contexto tão particular e frágil, como o do colonialismo. A equipa procurou pelo amor a partir de documentos, enquanto objectos, mas, também, enquanto sujeitos, soldados portugueses, portuguesas brancas e filhos/as das relações destes tempos naqueles espaços. O político chega à intimidade. O político entra no amor. “Amores Pós-Coloniais quer saber o que significava amar no espaço colonial e pós-colonial, refletindo sobre o amor enquanto espaço político e utópico. Quer retratar as políticas do amor no espaço colonial e perceber como a violência do colonialismo condicionava as relações amorosas”, lê-se na sinopse.

“Falámos com muitas pessoas, ouvimos muitas histórias de amor e olhámos também para o amor de uma forma múltipla, porque não são muitas vezes só aqueles amores dos romances mas de uma forma mais lata, como é que se vê o amor numa criança que é adotada, que é trazida, que é tirada aos pais, como é que esse amor é tão marcante e faz parte do quotidiano”, contou André Amálio à Lusa.

O tema arrasta muitos outros, visto que o colonialismo transformou profundamente as comunidades dos países colonizados. Neste sentido, o espectáculo toca no racismo e nas formas das suas diferentes ramificações, nomeadamente a língua, o imaginário anedótico ou a própria organização urbana, por exemplo, o que nos mostra que está tão misturado no nosso quotidiano que, tantas vezes, nem o vemos.

Texto de Raquel Botelho Rodrigues

Fotografia de Filipe Ferreira