Ana Seixas é uma ilustradora natural de Viseu, mas há muito que encontrou a sua vida profissional na cidade do Porto. No meio deste caminho, conheceu outras cidades: formou-se em Aveiro em Design e conheceu Design Editorial e Ilustração Infantil em Barcelona.

Neste momento, trabalha para clientes diversos, desde editoras, agências de publicidade e revistas. Possui uma loja online com todos os seus serviços, desde postais, livros, cerâmica, calendários, entre outros. Para celebrar a sua cidade natal, criou o livro ilustrado Viseu – A Minha Cidade. No entanto, é pelo Instagram que podemos ver o seu trabalho de forma recorrente. Ana faz parte do grupo de ilustradores que já conquistou milhares de pessoas na rede social.

Gerador (G.) – Como surgiu este gosto pela ilustração?

Ana Seixas (A. S.) – Foi durante a licenciatura em Design que surgiu o interesse pela ilustração. Durante o curso, foi-me difícil encontrar uma área da disciplina do Design que me interessasse realmente até que surgiu a cadeira optativa de ilustração. Entendi que ali poderia existir um caminho, mas foi apenas alguns anos mais tarde, quando conheci pessoas que realmente viviam da ilustração, que decidi abandonar os trabalhos de freelancer que tinha como designer gráfica e arrisquei começar do zero.

G. – Quem passa pelo teu Instagram, depara-se com uma enorme paleta de cores. Este arco-íris nas ilustrações também reflete a tua personalidade?

A. S. – Talvez, nem sei. Gosto de muitas cores, alegres e com contraste entre elas. Fazem-me sentir bem. Sou ativa e tenho muita energia, talvez aí se reflita a minha personalidade.

G. – Ainda sobre o teu Instagram, possuis agora quase 15 mil seguidores. Atualmente, de que maneira as redes sociais são um canal para a divulgação da tua arte? Esperavas tanto alcance quando começaste o projeto?

A. S. – Quando comecei a usar o Instagram, não tinha muita noção do potencial desta rede social, usava para publicar fotografias banais do meu dia a dia, como a maioria das pessoas. Não esperava nada dali, obviamente. Houve um momento em que entendi que podia usar esta plataforma para divulgar o meu trabalho, para além do site/portefólio, e comecei a pôr imagens de projetos em processo ou já terminados. Hoje em dia, tento dar melhor uso a esta rede, programar publicações, construir uma galeria apelativa e, acima de tudo, conduzir as pessoas para a minha loja online. Funciona, e isso é bom.

Penso que é importante para um ilustrador ter uma galeria interessante no Instagram, que seja rápido de entender o que cada um faz e, numa questão de segundos, decidir se se gosta ou não.

G. – Como é que desenvolves o teu processo criativo? 

A. S. – Na verdade, depende do tempo que tenho para cada projeto. Tento ser o mais eficiente possível, por isso, quando tenho uma proposta à frente, o primeiro a fazer é procurar referências, seguido de esboços, esboços e esboços, e no final colorir. No entanto, penso muito, às vezes demasiado, tento poupar tempo e aproveito para desenvolver ideias no caminho para o estúdio, na hora de almoço e antes de ir dormir. Às vezes, é difícil separar os momentos de trabalho dos momentos de não-trabalho.

G. – Nasceste em Viseu e vives no Porto. Fala-se muito em centralização cultural nos dois polos portugueses: Lisboa e Porto. Sentes que na ilustração se observa o mesmo fenómeno?

A. S. – Sem dúvida. A maioria dos ilustradores que conheço vive no Porto ou Lisboa, salvo raras exceções. As editoras, as agências de publicidade, as empresas que realmente podem contratar um ilustrador encontram-se quase todas nos grandes centros. As escolas também. É assim que funciona, e é difícil contrariar esta tendência.

G. – Por falar em Viseu, lançaste um livro ilustrativo chamado Viseu – A Minha Cidade. O que representa para ti juntar a tua arte com a tua cidade?

A. S. – Essa foi uma proposta bonita da editora Pato Lógico. Foi bom revisitar a cidade, procurar nas memórias da infância e adolescência e viajar no tempo.

G. – Como olhas para a ilustração em Portugal? 

A. S. – Admiro muitos ilustradores portugueses que são referência para mim e vejo muita gente nova a fazer maravilhas. Vejo também que cada vez mais a ilustração é incluída em campanhas publicitárias, projetos gráficos e revistas, o que é ótimo.

G. – Com o desenho digital, sentes que o desenho físico é coisa do passado?

A. S. – Nada disso. O desenho digital é uma ferramenta ótima, que permite trabalhar mais rapidamente e desde qualquer sítio. A meu ver, o desenho em papel continua e continuará a ser fundamental.

G. – Imagina que terias de ilustrar a tua vida, como descreverias esse desenho?

A. S. – Muito confuso! Neste momento, talvez um circo, cheio de equilibristas e malabaristas que trabalham em conjunto para que a tenda não venha ao chão. Faz sentido?

Entrevista por Gabriel Ribeiro
Fotografias de Rita Estima

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