Entre os dias 30 de agosto e 1 de setembro, de sexta a domingo, o Festival A Salto regressa a Elvas para estabelecer diálogos entre projetos artísticos transdisciplinares, a topografia social e a arquitetura do município. 

Depois de uma edição zero concretizada com sucesso, no ano de 2016, a UMCOLETIVO avançou com o evento nos anos que se seguiram, solicitando o projeto. Este ano a performance, a pintura mural, o teatro, a instalação, o novo circo, a literatura e a música encontram-se num ambiente de festa e dedicado a todas as faixas etárias. 

Pássaro Verde, uma exposição de fotografias sobre o processo de trabalho de OzeArv, inaugura no primeiro dia às 18h00 no Bairro de S.Pedro, estando marcada para a mesma hora uma caminhada performática do mesmo ponto até ao centro histórico. Segue-se a performance e instalação Ser acontecimento uns para os outros — qualquer semelhança com palavras de Natália Correia não é coincidência — no Museu Militar às 19h00, que se mantém no espaço até ao último dia de festival. 

O primeiro dia termina com Baixos e Altos, um espetáculo de novo circo que junta Palmela à Eslovénia, às 22h00 na Cafetaria Bar – O Castelo, e às 23h00 com Modos de Ver: Elvas, uma audiowalk pensada pelo teatromosca para conhecer os caminhos secretos da cidade de Elvas, que se repete no sábado às 10h30.

Depois de Modos de Ver: Elvas, a manhã do dia 31 abre o programa com uma conversa com os criadores de Each Other – (un)balanced, um projeto que funde âmbitos disciplinares através de “um artefacto mecânico que proporciona uma conversa secreta entre os seus utilizadores, motivando a reflexão sobre relações de equilíbrio, forças, pesos, pressupondo um par ação-reação”. A proposta do Coletivo Suspeito pode ser visitada na Rua da Cadeira sexta e sábado das 10h00 às 20h00. 

Como qualquer momento é uma boa desculpa para um encontro da comunidade está marcado para as 13h00 um almoço convívio na Casa Tangente, destinado a maiores de 12 anos e com uma lotação máxima de 20 pessoas. 

Depois do convívio uma viagem até ao Brasil, com Meu Lixo é Sua Existência de Paulo Valle. Às 17h00 há uma conversa com o artista no Salão nobre O Elvas CAD sobre a peça que pode ser visitada das 10h00 às 18h00 entre sexta e domingo. Duas horas depois o caminho ruma à Banda 14 de janeiro para ver Testamento em Três Atos, uma performance da Silly Season e mais tarde, às 22h00, ao Jardim das Laranjeiras para ver Reflexo, um espetáculo de novo circo do Chapitô. O dia acaba com Rombo – Um Furo no Tempo e no Espaço, uma instalação sonora de Francisco Oliveira que decorre na Cisterna às 23h30. Para os mais corajosos há um Open Mic à 01h00 na Casa Tangente. 

O terceiro e último dia começa com uma visita ao projeto Peripatética, da artista brasileira Drika Prates, com a autora. O ponto de encontro é as 11h00 no Posto de Turismo e propõe um novo olhar sobre os limites da cidade. Também do Brasil vem Simone Donatelli que assina a instalação Em Ver Lhe Ser Se, que a apresenta às 16h30 na Torre Fernandina. 

Pelas 17h30 a Escola de Mulheres apresenta Da Voz Humana, um ciclo de leituras que é também “espaço de encontros improváveis e sinergéticos que o caracterizam e lhe conferem importância”, na Fábrica da Ameixa. Às 20h00 Inês Oliveira faz o público dar um salto até ao novo circo no Cineteatro Municipal, partindo da história de Gisberta, transexual que foi espancada até à morte no Porto, para The Fall — que “protagoniza o acto de alguém que encarna a sua própria luz, alguém que, sem outro remédio, guia-se a si próprio na sua própria escuridão.”

A Casa Tangente é o último poiso do festival, que encerra com Costura do Manto Vivo, às 22h00. “Nossa proposta consiste em costurar nossas experiências com as vivências locais através da arte da performance como prática móvel, encadeando cinema, fotografia, dança e caminhada”, explicam Julia Delomondes e Sofia Mussolini, as criadoras.

O Festival A Salto surgiu em 2016 pelas mãos da UMCOLETIVO com o objetivo de unir artistas locais, nacionais e internacionais para olhar de outra forma para a cidade, que durante três dias é transformada e reimaginada. 

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Texto de Carolina Franco
Fotografia de Festival A Salto disponível via Facebook

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