O granito rosa
Circula na flor da água
As flores são a superfície de tudo
Das raízes onde começam
Dos caules que as seguram
Das bombas que explodem
Dos risos mais infantis
Há flores na pele de qualquer palavra
Pois não há palavra sem raiz caule
Primavera Verão Outono Inverno
Palavras que nascem com cio
Palavras que brotam no calor estival
Palavras que caem secas no chão
Palavras gélidas e angulosas
A pele das palavras flore
Infinitamente coberta de perfumes
E mesmo da sua ausência
Quando o granito rosa
Circula na flor da água
Transporta um jardim cheio de estações
Um dicionário inteiro de jogos florais
E até a cor que desejo cubra os teus lábios

-Sobre Jorge Barreto Xavier-

Nasceu em Goa, Índia. Formação em Direito, Gestão das Artes, Ciência Política e Política Públicas. É professor convidado do ISCTE-IUL e diretor municipal de desenvolvimento social, educação e cultura da Câmara Municipal de Oeiras. Foi secretário de Estado da Cultura, diretor-geral das Artes, vereador da Cultura, coordenador da comissão interministerial Educação-Cultura, diretor da bienal de jovens criadores da Europa e do Mediterrâneo. Foi fundador do Clube Português de Artes e Ideias, do Lugar Comum – centro de experimentação artística, da bienal de jovens criadores dos países lusófonos, da MARE, rede de centros culturais do Mediterrâneo. Foi perito da agência europeia de Educação, Audiovisual e Cultura, consultor da Reitoria da Universidade de Lisboa, do Centro Cultural de Belém, da Fundação Calouste Gulbenkian, do ACIDI, da Casa Pia de Lisboa, do Intelligence on Culture, de Copenhaga, Capital Europeia da Cultura. Foi diretor e membro de diversas redes europeias e nacionais na área da Educação e da Cultura. Tem diversos livros e capítulos de livros publicados.

Texto e fotografia de Jorge Barreto Xavier

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