Contrariando a tendência dos tempos modernos, há uma associação cultural que tem procurado recuperar o legado das lavadeiras do Meco através de recriações etnográficas.

Durante muito tempo, as lavadeiras foram uma presença assídua nas margens de rios e ribeiras de todo o país, mas na atualidade são raros os registos de pessoas que pratiquem esta atividade. A iniciativa da associação Meco – Nativos e Amigos surge precisamente com o objetivo de lembrar este passado que ainda chegou a ser o presente de gerações mais antigas. Gilda Garcia Melo é um dos membros ativos desta comunidade: “Um dos objetivos da nossa associação que é o de recuperar tradições antigas, relembrando uma tarefa comum à maioria das mulheres da nossa aldeia até à chegada da água canalizada às suas casas. Tentamos recuperar a forma como as mulheres se vestiam quando iam lavar a roupa, bem como fazer a re-criação num dos locais que era usado para o efeito.”

E, afinal, que sabão eram costume as lavadeiras usaram nos seus afazeres? Não há limpeza sem sabonete:  “O mais comum era o sabão azul e branco, no entanto, há memória de algumas pessoas, há mais de 70/80 anos, usarem cloreto em pó (lixívia) e o sabão gordo (amarelo). Mais tarde, apareceu o sabão branco e rosa, que era igualmente usado como o sabão azul e branco.” Segundo Gilda Garcia Melo, a lavagem da roupa fazia parte das tarefas de todas as mulheres que tratavam das lides domesticas e das que trabalhavam para as famílias mais abastadas.

No dia 22 de março está previsto um evento que pretende ser a recriação etnográfica das Lavadeiras do Meco. Geralmente este dia é preenchido com várias atividades com destaque para um momento: “Um desfile de lavadeiras pela aldeia e a simulação da lavagem da roupa na Fonte dos Curvais. Do evento fazem parte também atuações musicais e almoço convívio.” Este evento pode estar sujeito a mudança de agenda. Aqui podes pedir mais atualizações.

Texto de Mafalda Lalanda
Fotografia Fonte dos Curvais de José Lucas

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