Pelo meu envolvimento na música acabo por ser um grande consumidor de festivais nacionais, e por isso é muito normal conhecer bem o Nos Primavera Sound no Porto ou o Sudoeste na Zambujeira do Mar. Digamos que com isto até tenho algum know-how acerca de festivais e, pela minha experiência e pela quantidade de Festivais que este País tem, Portugal sabe organizá-los muito bem.

Pensando sobre o assunto e, depois de várias idas ao IMINENTE, ponho-me a pensar se é justo colocar o IMINENTE na categoria de festivais. Falando com amigos, chegamos a conclusão que é mais uma experiência, uma obrigação,  um objectivo de vida 😅, e porquê? Pelos mixed feelings que tens quando estás lá. Acaba por ser uma droga única, que só vai perceber quem lá esteve e consumiu. Droga no sentido de viciante, de emocionante, de vibrante.

A arte, os diferentes estilos, as interações pelo espaço, fazem com que este "Festival" seja único. Nesta última edição, parei e estive em modo detective - analisei as diferentes dinâmicas, pessoas, sons e pensei que bom que seria participar apenas na reunião de planeamento do festival. Não quero opinar, não quero intervir, só quero ouvir, perceber que mais ideias fora da caixa são postas em cima da mesa e que me possam deixar de boca aberta.

O aspecto urbano é muito presente e mergulhamos num submundo. Se ainda fosse consumidor de algumas substâncias como fui no passado, possivelmente iria pensar que estava numa dimensão diferente, um mundo paralelo, onde parece haver espaço e voz para todos. As diferentes classes da sociedade, ali, misturam-se e somos iguais, uma só tribo. Alguns estilos musicais estranhos ao princípio começam a entrar de maneira diferente e temos uma maior abertura para conhecer novas coisas.

Recordo-me de estar na edição do IMINENTE feita em Inglaterra e um grupo de portugueses que trabalhavam na banca, em Londres, reconheceram-me. Depois de alguns minutos em conversa, um deles elogiou o festival e disse que se pudesse dava os parabéns ao Vhils, e o Vhils estava a nossa frente. Eu, do nada, disse "então podes dar agora, olha ele ali". Os jovens ficaram perplexos e não queriam acreditar que o grande Vhils estava ali no meio do festival. Dentro daquela humildade que já lhe é conhecida, falou com os jovens (sorry, Vhils 😅).

O mesmo acontece por aqui. É normal ver o homem por trás deste grande evento no meio do público ou nas bancas de comida a aguardar a sua vez para comer. Esta ligação directa ao público é mais um daqueles toques especiais.

Este ano tive o prazer de participar nas conversas que normalmente acontecem no IMINENTE, onde abordei alguns assuntos sociais e os territórios. Senti o Festival de maneira diferente. Fiz parte desta edição, o gosto foi diferente.

Continuando nesse sentido, é de louvar as várias associações de bairros de Lisboa presentes no Festival, bem como várias marcas urbanas que tiveram direito a uma banca para vender os seus produtos.

Foram dias em que muitas nacionalidades tiveram oportunidade de ali estar representadas e respeitadas. Acredito que, por esse mundo fora, existam muitos festivais que marquem a diferença, mas este, sem dúvida, que marca qualquer pessoa que lá passe.

Este ano, depois de uma pandemia, tudo era aceite e acredito que a organização não estaria à espera de tanta gente, mas fazendo o balanço entre as experiências que tens e o tempo que perdes a ir buscar uma cerveja, nós é que ficamos a ganhar, as filas eram longas, mas mesmo assim, consegui beber muito, e não fui o único.

Acredito que mais edições internacionais vão acontecer. Quero ir e aconselho o pessoal a ir. Deixo os meus parabéns a todos os envolvidos, sei que ficou muito mais para dizer, mas calma, não vamos dar tudo ainda.

It's all about the Network.

-Sobre Nuno Varela-

Nuno Varela, 36 anos, casado, pai de 2 filhos, criou em 2006 a Hip Hop Sou Eu, que é uma das mais antigas e maiores plataformas de divulgação de Hip Hop em Portugal. Da Hip Hop Sou Eu, nasceram projetos como a Liga Knockout, uma das primeiras ligas de batalhas escritas da lusofonia, a We Deep agência de artistas e criação musical e a Associação GURU que está envolvida em vários projetos sociais no desenvolvimento de skills e competências em jovens de zonas carenciadas.Varela é um jovem empreendedor e autodidata, amante da tecnologia e sempre pronto para causas sociais. Destaca sempre 3 ou 4 projetos, mas está envolvido em mais de 10.

Texto de Nuno Varela
Fotografia de Pedro Vaccaro
A opinião expressa pelos cronistas é apenas da sua própria responsabilidade.
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