A programação da 10ª edição do Bons Sons foi apresentada aos jornalistas no dia 16 de abril em Cem Soldos, o lugar onde tudo acontece. Luís Ferreira, o diretor artístico do festival, fez uma visita guiada por aqueles que serão em agosto de 2019 os palcos a compor o mapa do Bons Sons. “Quem nunca veio cá pode não imaginar, mas cabem aqui dois palcos”, disse Luís no pequeno parque de estacionamento do Largo do Rossio. Ali será — como já tem sido — o palco Lopes-Graça, ao qual pertencem a música tradicional e a música do mundo.

Entre 8 e 11 de agosto comemoram-se 13 anos e 10 edições de Bons Sons, numa celebração onde se quer menos pessoas, mais palcos e mais aldeia. Os 13 anos vão refletir-se em 13 bandas que já estiveram no festival e regressam para tocar umas com as outras, em encontros simbólicos que juntam músicos que já partilharam o palco e outros que dão a mão pela primeira vez. Distribuídos pelos palcos Lopes-Graça, Zeca Afonso e António Variações estão Diabo na Cruz — o único grupo a solo —, First Breath After Coma + Noiserv, Lodo + Peixe, Sopa de Pedra + Joana Gama, Glockenwise + JP Simões, Joana Espadinha + Benjamim, e Sensible Soccers + Tiago Sami Pereira.

 

10 edições representadas em 10 palcos

Se os 13 anos de existência do Bons Sons são simbolicamente representados pelas bandas e músicos que regressam a Cem Soldos, as 10 edições vêem-se refletidas em 10 palcos. Lopes-Graça, Zeca Afonso, Giacometti – Inatel, Amália, Aguardela, Agostinho da Silva e o Auditório Agostinho da Silva mantêm-se onde estavam e juntam-se António Variações, no local do antigo palco Eira, Carlos Paredes, na igreja, e Música Portuguesa A Gostar Dela Própria (MPAGDP), que se muda também para o lagar de Cem Soldos.

A habitar os 10 palcos durante 4 dias de festival estão músicos que criam encontros entre gerações, géneros musicais e memórias. O alinhamento e a distribuição por palcos já pode ser partilhada:

No Auditório Agostinho da Silva apresenta-se a programação paralela, que resulta da parceria entre o Bons Sons e o Festival Materiais Diversos. “Coexistimos”, um espetáculo de Inês Campos, e “Danza Ricercata”, de Tânia Carvalho pisam o mesmo palco que “Nem a Própria Ruína”, de Francisco Pinho, João Dinis Pinho e Dinis Santos. Além das artes performativas, vão ser mostradas na mesma sala uma série de curtas-metragens que ainda não foram anunciadas, em parceria com o Curtas em Flagrante, e outra de debates e conversas, em parceria com o Fumaça, “um projeto de jornalismo independente, progressista e dissidente”.

Serviços ampliados e zonas de estadia melhoradas

Além da programação do festival foram apresentadas em Cem Soldos as melhorias previstas para a próxima edição. Uma zona de campismo melhorada, que continua a ser gratuita para os portadores do passe de 4 dias, vai ser pensada tendo em conta as críticas que foram sendo feitas à organização do festival. Se sentires que o campismo não é para ti, tens possibilidades como o parque de caravanas, o aldeamento (com soluções alternativas ao campismo e tendas já montadas no recinto), e outras opções que podes encontrar no site do Bons Sons.

O serviço de segurança e bem-estar vai ser reforçado tanto nas equipas de segurança como na zona de saúde, que pela primeira vez passa a ser um Hospital de Campanha que estará disponível durante 24 horas no serviço de prevenção de acidentes e na aplicação de primeiros socorros.

A restauração também vai ser repensada, valorizando sempre a gastronomia regional mas aumentando o número de opções. Refeições ligeiras, opções vegetarianas, produtos biológicos, iguarias tradicionais, tascas vernaculares, bares variados e petiscos para comer sentado ou a caminho dos palcos, é o que promete a organização. Tanto as refeições como tudo o que se consumir dentro do festival é pago através do método cashless, que funciona através de uma pulseira com chip na qual se carrega o valor pretendido para gastar ao longo dos quatro dias.

Para quem quiser levar os mais novos, existe um Espaço Criança com zona de fraldário e outros serviços como babysitting, atividades lúdicas e a aquisição de auriculares infantis para proteção de ruído.

Cem Soldos como ponto de encontro

Aos jornalistas e membros da organização juntaram-se no dia 16 Mano a Mano e Sallim, que atuam em agosto no Palco Giacometti – Inatel. Depois de uma pequena apresentação de cada um, trocaram os discos que vão poder voltar a ouvir no verão ali mesmo, em Cem Soldos.

“O Bons Sons não é um ato isolado”, diz ao Gerador Luís Ferreira no fim da apresentação. “O Bons Sons é uma associação que promove o encontro de gerações ao longo de todo o ano. Já quando eu era mais novo os meus amigos não eram só as pessoas da minha idade, eram os pais e os avós deles também, porque é também uma questão de necessidade; são as pessoas que cá estão.” Luís sente que é sempre preciso “procurar a afetividade e o interesse no outro, e o que há nele que te pode unir”, o que, acredita, “é mais fácil na aldeia”.

É sempre a pensar nas características de Cem Soldos que o diretor artístico do festival pensa a programação. Explicou que a escolha dos artistas para esta edição foi feita “por uma certa pertinência de trazer estas bandas, fosse porque estavam com um novo projeto ou a lançar um novo disco” e que tentam “que em cada palco retrate o melhor possível a efervescência da música portuguesa, seja através de artistas mais consagrados que hoje estão a arriscar ou através de [artistas] emergentes que mostraram algo novo”. A ideia é que “se consiga ter uma prova dos vários caminhos possíveis”.

Luís acredita que “o Bons Sons é um lugar de descoberta não só para o público mas também para os artistas”. “Não conheço um festival em que haja tantos músicos como público” — conta — ” e em que haja uma curiosidade efetiva em relação a pessoas de quem até podes já ter ouvido falar mas nunca te deslocaste para ir ver. Como não há concertos em simultâneo os artistas podem ver-se uns aos outros”.  “Foi no Bons Sons que First Breath After Coma e Noiserv se conheceram há uns anos, já fizeram uma música juntos e este ano vão partilhar o palco cá”, conta. Para Luís, o sucesso da música em Portugal vem “desta visão abrasileirada em que todos cantam uns com os outros, em que o guitarrista faz parte de outra banda qualquer” e que “a noção de partilha e de grupo ajudou muito para partilhar recursos, para ajudar na dinâmica da internacionalização e até para chegar a novos públicos”.

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Já depois da sua pequena atuação e de ter partilhado discos com os Mano a Mano, Sallim conversou com o Gerador e confirmou a perspetiva de Luís Ferreira quanto à presença dos músicos no festival: ” Eu nunca vim assistir ao ao Bons Sons mas sempre tive imensa curiosidade, até porque tenho amigos que já tocaram cá. Este ano vou ser espectadora e artista ao mesmo tempo.”

Sallim acredita que o Bons Sons é o festival ideal para tocar porque “já há uma certa visibilidade, mas ao mesmo tempo tem um lado muito familiar e de intercâmbio”. “Vê-se que o objetivo não é vir cá, tocar e ir embora. Sinto que é para estar cá, conhecer os outros artistas, e isso tudo deixa-me entusiasmada. À partida é uma premissa muito promissora”, conta.

“Há muitas coisas a acontecer e nós sabemos que há, ouvimos falar delas. Mas haver assim um espaço onde há esse encontro é super positivo, pode sair daí algo bom”, conclui.

Sallim lançou “A ver o que acontece”, o seu segundo álbum, em janeiro deste ano

Em quatro meses a aldeia volta a estar em festa e a comunidade e os visitantes voltam a ser uma espécie de família muito grande que se junta no querido mês de agosto. O passe de 4 dias para o Bons Sons está à venda nos locais habituais por 45€ até julho, dependendo sempre do stock existente. Em agosto o valor sobe para os 50€ e o bilhete diário, que até julho se mantém a 22€, sobe para os 25€. Sabe mais sobre o Bons Sons e os artistas que vais poder encontrar lá, aqui.

Texto de Carolina Franco
Fotografias de André Imenso

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