Nem só de música se faz o Bons Sons. A menos de um mês da 10.ª edição do festival, que decorre de 8 a 11 de agosto, na aldeia de Cem Soldos, em Tomar, a organização deu a conhecer, em detalhe, a sua programação paralela composta por cinema, teatro, performances, palestras e atividades para toda a família.

Em ano de comemoração dos 13 anos de festival, o Bons Sons assinala a 10.ª edição do evento com “muitas atividades que ultrapassam o universo musical”,  numa programação que será de “acesso gratuito a quem é portador de bilhete do festival”, explicou a organização, o Sport Clube Operário de Cem Soldos (SCOCS).

No campo da dança, serão apresentados três espetáculos que ilustram a renovação da parceria entre o Bons Sons e o festival Materiais Diversos, que este ano também completa dez anos. A coreografia “Coexistimos”, concebida e interpretada por Inês Campos, que também combina imagem, objetos, “arquitetura de movimento”, é uma das propostas no capítulo da dança, a par de “Danza Ricercata”, de Tânia Carvalho, e “Nem a própria ruína”, o primeiro espetáculo do trio nortenho Francisco Pinho, João Dinis Pinho e Dinis Santos, este tendo como base o álbum  de 1978 “10.000 anos depois entre Vénus e Marte”, de José Cid.

Na área da representação, destaque para  a peça”Portuguesas inesquecíveis”, com direção de Cláudia Gaiolas e dramaturgia de Alex Cassal, que dá a conhecer duas históricas figuras femininas: a marquesa de Alorna (Leonor de Almeida) e Beatriz Ângelo, a primeira mulher a votar em Portugal. Além desta, destaque ainda para a”Volta a Portugal em Coreto”, peça na qual Tiago Madaleno homenageia a figura do ‘performer’ amador com a uma iniciativa que visita várias regiões do país, dando placo a quem quer mostrar o seu talento.

No que toca ao cinema, Cem Soldos volta a receber o festival itinerante “Curtas em Flagrante”, com duas sessões dedicadas a curtas-metragens. O vídeo marcará lugar no âmbito de uma parceria com o Instituto Politécnico de Tomar, da qual resultou “Ao longe, vejo de perto a aldeia”, uma instalação que convida a conhecer as redondezas da aldeia através do olhar de oito jovens estudantes de cinema.

Já na fotografia, será apresentada a exposição “Dar e Receber”, de Adriana Boiça Silva, que partilha com o público do festival a mostra instalada ao longo da aldeia que anualmente recebe milhares de festivaleiros.

Dando a conhecer o lado menos visível do festival e da aldeia, Ana Bento e Bruno Pinto convidam os visitantes a participar no percurso artístico “Cem Soldos, por detrás do BONS SONS”,  que revelará histórias e segredos da aldeia.

Em alternativa, o público terá oportunidade ainda nos momentos de reflexão proporcionados pelo projeto de jornalismo independente “Fumaça”, cujas conversas deste anos passaram pela interioridade e pela produção cultural.

Finalmente e tal como nas restantes edições do Bons Sons, existirão ainda diversas atividades para toda a família, entre as quais as sessões de música para grávidas e bebés, os “Jogos do Hélder”, inspirados nos jogos tradicionais, ou as iniciativas envolvendo o Burro de Miranda, presente no festival através da Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino (AEPGA).

Texto de Ricardo Ramos Gonçalves
Fotografia de Carlos Manuel Martins

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