A mais recente música de Mário George Cabral e Mia Tomé “Cântico do País Emerso”, nasceu numa noite de Verão. Uma harmonia composta pelas palavras da poetisa Natália Correia que percorrem uma viagem dos anos 60 até hoje.

O ponto de encontro foi a Ilha de São Miguel. Mia Tomé estava em filmagens e Mário George é residente, ” Num jantar em casa do Mário, ele mostrou-me o instrumental da canção e automaticamente surgiu a sugestão da minha voz entrar na música.”, conta-nos Mia.

O artista procurava algo entre o “cantar” e a “declamação”, que como a atriz afirma “um lugar específico portanto, que ficasse próximo do spoken words”. As palavras certas faziam a diferença e era necessário que “falassem com quem escuta, e que estivessem em harmonia com o instrumental”, completa.

Foi inspirada em Natália Correia que Mia rapidamente escolheu o poema “Cântico”, “O Mário deu-me liberdade para escolher as palavras. Lembrei-me automaticamente da Natália, porque os poemas dela são sempre arrebatadores”, admite.

É com as palavras “assustadoramente atuais” que a jovem atriz recorda os tempos que se vivem e que, coincidentemente ou não, eram caminhos que se cruzavam na ilha, que foi também o local de nascimento da poetisa.

Ao que nos indica, tudo fazia sentido. Questionada sobre o “grito” que as palavras poderiam ser face à realidade, Mia afirma que “Se pudermos gritar com a arte ou através dela, melhor, aqui tentámos fazê-lo.”

Descritas como “certeiras” foi com “agitação” que a artista tentou gravar essas mesmas palavras. A inevitabilidade de reação aos tempos que vivemos é, segundo a mesma, algo que ocorre e, fazê-lo através da música e da poesia é “bom”, “elas salvam-nos”.

Texto por Patrícia Silva
Fotografia de Diana Mendes

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