Termina, neste domingo, a 3.ª edição da Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra, que já marca lugar por vários espaços da cidade desde o dia 2 de novembro. Segundo o programa, “há algo de poético numa cidade entrecortada por um rio, como o Mondego fluindo imperturbável por entre as margens, a partir das quais se esparrama Coimbra”. Com o Mondego sempre presente, o tema deste ano do Anozero é “A Terceira Margem”.

Com início em 2015 e com periocidade de dois anos, o evento é organizado pela Câmara Municipal de Coimbra, pelo Círculo de Artes Plásticas de Coimbra (CAPC) e pela Universidade de Coimbra. Carlos Antunes, diretor do festival, considera que “a bienal tem como razão matricial da sua existência a classificação pela UNESCO da Universidade de Coimbra como Património Universal da Humanidade”. O evento, que também se propõe a levar a cultura às gentes de Coimbra e da região Centro, “é uma resposta a esta condição nova da pólis”. Para Antunes, “não é possível falar da plis sem falar da cidade, do seu espaço, do que o conforma, que é o seu território – necessariamente humanizado –, da sua paisagem e da sua arquitetura”.

O CAPC continua a ter um importante papel no desenvolvimento da Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra. Fundado há 61 anos, em 1958, Antunes conhece bem o propósito do círculo artístico: “Os ciclos de programação do CAPC não dependem da disponibilidade volátil e variável do público para a arte. Programamos a partir da consciência da urgência e da utilidade da arte, porque não concebemos um mundo sem o pensamento sofisticado que a só a arte obriga e revela.” Para o diretor, o foco é cada artista e cada espectador: “A regulação dos mercados, sejam eles financeiros ou culturais, interessa-nos pouco.”

A 3.ª edição conta com a curadoria de Agnaldo Farias, Lígia Afonso e Nuno de Brito Rocha, e com 39 artistas – 19 mulheres e 20 homens –, sempre com a igualdade paritária em mente. Destacam-se, por exemplo, Alexandra Pirici, Eugénia Mussa, Maria Condado, José Bechara, entre outros. Todos os anos, o evento é desenvolvido com diferentes temas. “A Terceira Margem” surge em 2019 com o Mondego como ponto de partida. Ao todo, são cerca de dez os lugares escolhidos para receber os diversos artistas. As exposições passam pelo Convento Santa Clara-a-Nova, Convento São Francisco, Edifício Chiado, Colégio das Artes, entre outros.

Em Coimbra, a bienal conduz uma importante estratégia de promoção da cultura e da integração de redes entre as instituições. “Não temos a pretensão de considerar que temos a capacidade de permitir novas visões sobre a cidade e muito menos que o saibamos fazer estruturadamente. Isso compete a outros agentes. Nós trazemos na mala todas as nossas dúvidas e perplexidades e formulamos todas as perguntas. Não temos a veleidade de ter a verdade, qualquer verdade, e julgar que podemos agasalhar os outros sob este nosso manto de verdade”, revela Carlos Antunes.

Sempre com os espectadores, artistas e arte na programação, a bienal fecha mais uma edição com a cultura espalhada pela cidade coimbrense. “Temos uma curiosidade infinita e somos compulsivos formuladores de perguntas. Este é o método que permite não uma nova visão sobre a cidade, mas tantas visões quantos os olhares”, remata o diretor do evento.

Entrevista e texto por Gabriel Ribeiro
Fotografia via press release

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