Doce e defensora dos seus, Carolina Deslandes apresentou, recentemente, um novo projeto intitulado “Mulher”. Em parceria com a UMAR- União de Mulheres Alternativa e Resposta, “Mulher” é um EP constituído por seis temas originais, uma curta-metragem e a expressão máxima do que é Carolina: uma artista atenta a causas sociais que luta pela igualdade de género.

Com estreia no Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres, 25 de novembro, de 2020, “Mulher” consiste numa história protagonizada pela própria sobre uma relação amorosa, desde o seu início até à velhice, infeliz. Esta pretende advertir para a violência verbal e física em casais, que muitas casas podem ocultar. Na mesma, encontrámos, ainda, alguns vestígios do nosso Portugal mais rural, e do catolicismo.

Em entrevista ao Gerador, Carolina Deslandes refletiu acerca do novo projeto, de como é ser mulher na sociedade atual, quais as implicações, do panorama do jornalismo, e ainda sobre as suas ambições pessoais e profissionais.

Gerador (G.) – Precisamente no dia em que se assinala o Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres, 25 de novembro, lançaste o teu novo EP intitulado “Mulher”. Porquê o género feminino como o alvo principal do teu EP? Consideras que este o mais inferiorizado na sociedade?

 Carolina Deslandes (C.D) – Eu tive um percurso em que senti que, várias das situações que me aconteciam, estavam a acontecer-me porque era mulher.  Eu engravidei do Santiago e tive a maioria dos meus concertos cancelados, porque estava grávida.  Depois, engravidei do Benjamin e a maior parte das pessoas que trabalhava comigo quis deixar de estar comigo. Diziam que o que eu queria ser era mãe e dedicar-me à família, e que não me iam voltar a procurar para trabalhar. Não me deixaram ter essa decisão. Tomaram essa decisão por mim e criaram um raciocínio com base em princípios que temos na sociedade, que estão tremendamente errados. A mulher tem uma escolha, mas nunca ninguém questiona um homem que é pai de quatro, cinco, 10 filhos se está apto para trabalhar ou não.

Claro que é uma escolha da mulher querer viver a gravidez sem trabalhar, ou querer viver a maternidade sem trabalhar, mas, lá está, é uma escolha. A mim, não me foi dada essa escolha. E isso foi uma questão que sempre me magoou muito.

Depois, ao longo da minha carreira, eu reparava que ia atingindo coisas e isso pouco interessava às pessoas porque estavam muito mais centradas na minha vida pessoal. Fosse a minha relação conjugal, fosse uma fotografia que punha com uma roupa não tão boa… Todas as notícias que saíam minhas tinham que ver com a minha vida pessoal e nada sobre a profissional. E isso deixava-me superrevoltada. Como sabes, eu sou amiga de muitos artistas homens, também, e não vejo isso a acontecer com eles.

Depois, comecei a lidar com a violência doméstica mais de perto, não por mim, que graças a Deus nunca passei por nada disso, e a relação longa que tive com os pais dos meus filhos sempre foi isenta de qualquer tipo de violência, mas começou a ser uma constante. Tanto nas notícias, como em pessoas próximas de mim. Coisas que tu achas que não vão acontecer aos teus amigos, relativamente a pessoas que tu conheces, e pensas que aquela pessoa nunca seria agressiva, e as pessoas revelam-se.

A nossa intimidade é muito complexa e tu nunca sabes qual é a verdade na relação de um casal. E senti que muitas das minhas amigas tinham vergonha em falar sobre isso. Comecei a perceber que, mesmo dentro da minha família, e de famílias próximas, já tinham sofrido de assédio por parte de um tio, de um primo, e que as mulheres ainda tinham muita vergonha de falar sobre isso.

Então, decidi que não queria falar mais sobre a minha relação, dos meus filhos, ou da minha vida, e queria fazer um grito comum a todas as pessoas que gostariam de gritar com o meu alcance e não conseguem. E meti isso na cabeça e disse que queria fazer um projeto com todas as variáveis que eu sinto que ainda estão por trabalhar, no sentido de ser mulher em sociedade, de ter voz, de poder ter proteção.

Decidi, então, criar uma história que acompanhasse uma relação do início até à velhice e que criasse uma realidade paradoxal. Quis pegar no Portugal rural, porque muitas vezes achamos que Portugal é só Lisboa, Porto, Algarve, quando existe todo um país. E quis pegar muito na questão do catolicismo. O catolicismo ainda tem muito peso no nosso país e há mensagens na religião com as quais não concordo, e acho que, de uma forma subliminar, vão posicionando a mulher num lugar de inferioridade e submissão.

Quis pegar na parte em que ela sonha, foge para Lisboa, e conhece uma pessoa que a trata bem e realiza-se profissionalmente, mas quando se sente realizada porque atinge um certo estatuto, por isso a imagem do globo de ouro e da capa mais arranjada com jóias e tudo, era a questão de OK, eu fugi, mas ainda assim não sou livre… E, para mim, era muito importante que voltássemos à história inicial e que ela fugisse já numa idade avançada.

Eu acho que muitas das pessoas, a partir de uma certa idade, deixam o comboio só andar… Já vim até aqui, já tenho 60 anos, esta é a pessoa que tive a minha vida inteira e eu não tenho, agora, hipóteses de fugir e criar uma vida. Então quis passar também essa mensagem. E juntei-me ao Filipe.

O Filipe é um dos meus melhores amigos, e é realizador. Disse-lhe que estava com uma ideia muito doida, mas que gostava de fazer isto. Ele escreveu o argumento em conjunto comigo, claro que muitas das ideias que lá estão são muito mais dele do que minhas… Eu tinha uma ideia de uma narrativa, mas as minhas narrativas são o tempo de uma canção, ou seja, três minutos, nem tinha ferramentas para acompanhar uma história com seis canções.

Foi basicamente esta a minha ideia. Eu quero criar uma obra artística, uma curta-metragem com uma narrativa que possa abordar todos estes temas….

Abordar também a sexualidade já que há muitas mulheres que não podem assumir que são sexuais, que têm vontade de estar com alguém sexualmente, não podem falar livremente de masturbação, de ter uma relação livre com o nosso corpo.

Há constantemente um pudor que nos é incutido, e que tu acabas muitas vezes sem saber se os teus gostos são legítimos… Se é normal tu seres uma pessoa desperta para a sexualidade.

Quando tive os meus filhos, eu tive três filhos, em três anos, havia muitos comentários depreciativos quanto a esse aspeto. E eu pensava — e então? Ninguém questiona se um homem gosta de sexo… O que é que tem de ser sexualmente ativa? O que é que tem não ter nenhum problema com isso? Então, tentei também mostrar esse lado das mulheres estarem à vontade com a sua sexualidade, de falar mais de próximo sobre a interatividade sexual, que é o nosso corpo, até uma letra mais descritiva… Eu achei que isso era necessário!

 O rap é o género musical predominante em Portugal a dizer que fazem, que acontecem, eu pego nela e viro-a, e está toda a gente a cantar nos festivais… Ninguém se questiona se é OK dizer aquilo ou não. Então, pensei, as mulheres têm de ter este poder.

Foi por este conjunto de coisas que eu decidi que alguém tinha de falar sobre isto, e como já estou habituada que caiam em cima de mim, e a dar o corpo às balas, eu queria mesmo falar e ser verdadeira. Não quero deixar de dizer coisas com medo das consequências que isso terá… A partir do momento que sou educada, que tenho fundamento nas coisas, que passo por muitas delas, eu sinto que tenho legitimidade para o fazer.

Fotografia disponível via facebook Carolina Deslandes

(G.) –  O que te levou a apostar neste projeto com a UMAR- União de Mulheres Alternativa e Resposta? Era algo que já idealizavas há muito?

(C.D) – Comecei a idealizar este projeto no final de 2019, quando vim do Rio de Janeiro. Depois, queria que fosse com uma associação e queria que os fundos e as pessoas ajudassem esta associação, e soubessem da existência dela.

A UMAR tem casas abrigo que tiram mulheres do seu seio familiar de risco e essas mulheres são realojadas em casas onde são muito bem tratadas, onde já está dado o alerta que aquela mulher precisa de proteção… E eu sinto que há pouca informação sobre estas coisas. As pessoas não saem, muitas vezes, desta situação porque não sabem mesmo onde procurar…

E sentia também que todas as campanhas que ouvia era da APAV, o que não tem mal nenhum, mas se todas as coisas forem canalizadas para uma organização as outras não têm onde se agarrar. Então, eu tive uma reunião com elas e fui lá.

A UMAR tem sede em Alcântara, tem uma biblioteca dedicada ao feminismo, à desmistificação da história que conta que os homens fizeram tudo e as mulheres andaram adormecidas.

A UMAR foi criada no pós 25 de Abril e foi, para muitas mulheres, o primeiro contacto que tiveram com a literatura, e a cultura. Foi onde muitas mulheres aprenderam a ler e a escrever. Até porque não lhes era permitido… As mulheres eram para estar em casa, e as mulheres que se quisessem instruir eram mal vistas.

A UMAR antes de ser “Alternativa e Resposta” era a União de Mulheres Anti- Fascistas Revolucionária… E eu passei-me e quando soube disso só disse — OK, é mesmo aqui que tenho de estar. Tive uma reunião altamente informativa e altamente informadora e saí de lá a pensar como é que eu moro em Lisboa, isto é, perto da minha casa, e eu nunca tinha vindo aqui, não sabia da existência disso. Há pouca informação a circular sobre isso.

Tens 500.000 anúncios do McDonald’s, tens 500.000 anúncios de centros comerciais, tens 500.000 anúncios de tudo, e o que é informação que devia ser obrigatória está completamente dispersa.

Eu quero passar a mensagem de que esta associação existe e é um sítio onde as pessoas vão ser bem tratadas.

(G.) Como resposta à pandemia, durante três meses, fomos submetidos a um confinamento permanente, o que me leva a crer que os casos de violência doméstica tenham aumentado substancialmente nesta altura. O lançamento do álbum, em novembro, tem alguma ligação com este período mais crítico?

(C.D) – Claro! Eu gravei em janeiro, fevereiro, enquanto estava a fazer o dança com as estrelas. Ao mesmo tempo, estava, ainda, a gravar as minhas músicas, e ao mesmo tempo faleceu a minha avó… E, portanto, esta foi a única altura da minha vida em que tive um esgotamento nervoso. Saí do trabalho, fiz a curta, um concerto, um dia a seguir fui buscar os meus filhos e cheguei a casa e desmaiei. Estava com uma carga de trabalho estúpida.

Eu não sei se as pessoas têm noção, mas entrar neste projeto, no qual eu protagonizei a curta e não sou atriz, eu tive de ser aquela pessoa. E isso consumiu-me muito psicologicamente. Foi superduro, para mim, estar naquela posição e estar a fazer aquilo. Foi mesmo muito complicado. E, depois, entramos em confinamento, e eu comecei a ver os números, e comecei a pensar, foi uma coisa que as educadoras dos meus filhos também me disseram, há muitas crianças que as únicas refeições boas que fazem vêm da escola, há muitas crianças que não são bem tratadas em casa, que têm algumas dicas que nos vão dando de um histórico de violência, por parte dos pais, e das mães também. A violência doméstica acontece mais com as mulheres, mas também acontece casos de os homens sofrerem de violência doméstica. Então, eu comecei a pensar o que ia ser destas pessoas que provavelmente estão fechadas em casa com os agressores, que estão com problemas financeiros, em que tudo o que são vícios se vão agravar, e afligiu-me muito.

Então, mobilizei uma equipa inteira para sair antes do previsto, que era 2021. Eu decidi que não, que era dia 25 de novembro, e foi o fim do mundo mesmo. Foi muito difícil fazer isto a tempo. Tenho muitas boas pessoas à minha volta. Mas, o que é facto é que quando eu apresento as coisas as pessoas confiam, e acabam por me ajudar, e foi graças a uma equipa muito grande de pessoas. Um investimento financeiro muito grande. Aliás, o meu manager investiu comigo. Foi o maior investimento que tive na minha vida. E arrisco-me a dizer que a nível de vídeo e projeto foi o mais caro de sempre. Mas valeu a pena! Deixou de ser uma urgência só minha para passar a ser uma urgência de todos…

(G.)Numa entrevista ao Observador afirmaste o seguinte: “este foi o projeto que mais fez diferença na vida das pessoas e era esse o meu objetivo.” Sentes que o álbum funciona como um grito para as mulheres agirem? Por curiosidade, recebeste alguma mensagem, por parte do público feminino, que mudou de atitude face a este projeto?

(C.D) – Recebi muitas mensagens de pessoas que já tinham passado pela situação, e que já se tinham livrado da situação, a dizer obrigada por finalmente estarem a passar esta mensagem. Tive mesmo muitas pessoas a partilhar casos de violência comigo.

Fotografia disponível via facebook Carolina Deslandes

(G.) – O teu EP é composto por seis canções. Como é que foi o processo de construção das músicas? Na altura procuraste inspiração em mulheres que passaram por casos de discriminação ou violência doméstica?

(C.D) – Inspirei-me em tudo o que ia vendo à minha volta. Da mesma forma que fui atriz na curta, tive de ser outra pessoa no momento de composição porque normalmente as minhas letras são muito autobiográficas, então tive de me pôr na pele dos outros.

A música tem muito isto… Às vezes diz coisas que nós pensamos e sentimos, e não conseguimos pôr em palavras. Então, eu sinto que essa parte mais bonita do meu trabalho é ajudar as pessoas a pôr em palavras o seu sofrimento, e os seus gritos de ajuda. E foi um bocadinho isso que fui fazendo.

(G.) – De todo o EP, qual foi a música que mais te marcou a nível pessoal? Porquê?

(C.D) – O “Não me Importo”, porque imagina, eu sinto que, nos últimos anos, sempre fui muito doce na minha abordagem, porque estava verdadeiramente feliz.

Mas eu não sou uma pessoa muito doce, não é que não trate bem os outros, mas falo com muito nervo, falo alto. E sentia que não havia material que mostrasse esse meu lado…. Sou mesmo muito defensora das minhas coisas…

E sinto que o “Não me Importo” era o grito que eu precisava e o que as pessoas precisavam! Tirei um bocado que estava aqui preso… E pensei que, agora sim, as pessoas iam conhecer-me na totalidade.

“Não me Importo”, Carolina Deslandes

(G.) – Explorando, agora, um pouco as músicas do teu EP…. Houve uma que me marcou de uma forma particular e que gostava que a explorasses. A música chama-se “Vergonha na Cara” e ouve-se o seguinte: “Perde uns quilos”; “Vê se te proteges”; “Falas menos dos teus filhos”; “E vê lá o que defendes”; “Todos dias novos estrilhos e polémica nas redes.” Mais tarde ouve-se ainda: “Que a revista é cor de rosa”, “Mas a alma deles é preta”. Isto leva-me a crer que a música fala sobre ti e é direcionada precisamente para os órgãos de comunicação social. Sentes que és menosprezada, principalmente, por estes meios?

(C.D) – Claro! Eu sinto que os artistas em Portugal ainda têm uma forma de comunicar muito pouco pessoal… E eu uso a minha plataforma de uma forma mais pessoal…. Gosto de falar sobre certos temas.

O meu momento de ligação máximo com os artistas que admiro é quando eles se tiram do pedestal, e se humanizam. Então, eu sentia sempre que se eu queria ser a melhor artista, que sonho ser, gostava de usar estas componentes.

Como sou bastante vocal, o que não é comum em Portugal, eu sinto que sou pão para toda a hora. Acabam por pegar em coisas minhas e fazer coisas que em nada têm que ver comigo. E, às vezes, fazem uma coisa com a qual eu fico lixada que é fazer um título que nada tem que ver com o corpo da notícia…. A maioria das manchetes que fazem só servem mesmo para clickbait…. Usam o meu nome para atingir certos números, mas depois não se debruçam efetivamente sobre o meu trabalho. Eu dou o litro na minha profissão, não admito que os outros não o deem na deles. O jornalismo deve ser sério.

Fotografia disponível via facebook Carolina Deslandes

(G.) – Ainda assim, o EP não é a única surpresa. Este surge acompanhado de uma curta-metragem disponível no YouTube. Quanto tempo demorou a gravação? Sentes que a junção da linguagem visual pode dar um maior impacto ao teu projeto?

(C.D) – Sinto que sim! Sinto que também o vídeo em Portugal tem evoluído muito, e que já não há saco para a história da rapariga e do rapaz a passear no jardim, como das gravações em estúdio… Eu estava um bocadinho cansada disso.

A curta foi gravada ao longo dos tempos. Houve partes que foram gravadas ao longo dos quatro dias, houve mais um dia de gravação do “Vergonha na Cara” em que fui içada a 10 metros de altura. Entre a curta metragem e o EP foi cerca de um ano.

(G.) – A curta-metragem é precisamente protagonizada por ti. Podes contar como foi o processo de preparação psicológico para vestires a pele de outras mulheres?

(C.D) – Eu tive aulas de teatro desde muito cedo. No 1º, 2º, 3º ano da escola eu tinha uma disciplina chamada expressão dramática que era opcional, mas a minha mãe inscreveu-me. Depois, passei para o ensino secundário e também havia a opção de teatro, e escolhi sempre teatro. Sei que estou longe de ser atriz, mas eu achei que era importante dar a cara e a voz.

Quer tu queiras, quer não, as pessoas que seguem o teu trabalho vão ver com mais interesse o mesmo se te virem a ti. E também é um desafio, mas eu gosto de desafios!

(G.) – A imagem do álbum foi um dos aspetos que mais despertou a minha atenção. Nele apresentas-te com um estilo mais descontraído, nomeadamente, com uma sweat. No entanto, usas alguns dos elementos que marcam a nossa cultura portuguesa como o coração de Viana ou o lenço à minhota. Podes explicar um pouco a fusão da escolha destes elementos? Qual a mensagem que pretendes transmitir?

(C.D) – Eu acho que este EP é um mix muito grande de música contemporânea e urbana, e com coisas muito portuguesas. O “Sinais de Fumo” é uma canção que tem uma componente de música tradicional portuguesa; “O Apetece”, igual. Eu procurei fazer essa função. E também é um mix entre o território urbano e o rural, em Portugal. E eu sinto que eu própria sou a junção dessas coisas: o fado e o rap.

(G.) – Por fim, o que ainda gostavas de alcançar na tua vida profissional e pessoal? A união a mais causas sociais está nos teus planos?

(C.D) – Gostava de fazer um projeto que informasse as pessoas sobre as questões do espetro do autismo, que é uma coisa que vivo diariamente em casa, e sinto que as pessoas estão muito desinformadas. Gostava muito de ganhar um Grammy e gostava de me internacionalizar. Gostava muito de cantar no Brasil, de fazer parcerias com cantores brasileiros, que parte da família da minha mãe é carioca, e que cresci a ouvir influências da música brasileira. Gostava de voltar a Londres, onde vivi um ano, e fazer alguma coisa musicalmente lá. Gostava muito de criar este movimento de os artistas trabalharem mais uns com outros, de uma forma mais assídua. Partilhar não é dividir, é multiplicar. Gostava também de acabar o meu livro.

Texto de Isabel Marques
Fotografias disponível via facebook Carolina Deslandes