A Casa da Música, no Porto, recebe entre 2 e 12 de junho um ciclo de concertos dedicados à “música do nosso tempo e criadores portugueses”, com várias estreias mundiais e agrupamentos residentes no programa. “Estado de Nação” põe em destaque os jovens compositores.

O ciclo inclui atuações do clarinetista Frederic Cardoso, que interpreta sete obras de jovens compositores lusos em estreia mundial, mas também da Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música, do Quarteto de Cordas de Matosinhos e da Orquestra Jazz de Matosinhos, principais destaques do programa.

“O ciclo investe não só nas estreias, mas também na reinterpretação da música contemporânea, promovendo uma mostra de compositores portugueses atuais de grande prestígio”, pode ler-se na apresentação.

O primeiro a subir ao palco é Frederic Cardoso, que apresenta um total de sete obras em estreia mundial num recital intitulado “Diálogo a Preto e Branco”.

“O convite surgiu da Casa da Música, e quanto me convidaram, quis fazer algo diferente com jovens compositores portugueses com que já tenho trabalhado. Quis conjugar esses compositores, elaborar uma temática e cada um compor uma peça, de instrumentação diferente, mas que se complementassem”, explicou à Lusa o músico.

Frederic Cardoso (1988) atua no dia 4 na Sala 2, acompanhado por Ana Santos na voz

Apesar de um fio condutor, há “diferentes estéticas” de cada autor a considerar, além de algumas particularidades, como um trabalho que inclui vídeo e outro que conta com a cantora Ana Santos.

Marcado para terça-feira, pelas 19h30, na Sala 2 da instituição, serão interpretados em estreia mundial trabalhos de Luís Neto da Costa, Bernardo Lima, Rúben Borges, Carlos Brito Dias, André Rodrigues, Rodrigo Cardoso e João Ferreira.

No dia 8, pelas 18h00, a Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música toca um programa intitulado “Portugal Hoje”, com a violinista ucraniana Tamila Kharambura e o pianista britânico Jonathan Ayerst, parte do Remix Ensemble.

O destaque vai para a estreia mundial, de forma póstuma, do Concerto para piano e orquestra de Clotilde Rosa (1930-2017), antecedido de “Scherzi”, uma encomenda da Casa da Música a Pedro Amaral, e o Concerto para violino e orquestra de António Pinho Vargas.

A música de câmara cabe ao Quarteto de Cordas de Matosinhos, que no dia 11, pelas 19h30, interpreta “Monodia quasi un requiem”, de António Pinho Vargas, o primeiro Quarteto de cordas de António Chagas Rosa e “Monumentum”, de Nuno Côrte-Real.

O ciclo encerra no dia 12 pelas 21h00, com a Orquestra Jazz de Matosinhos a tocar na Sala Suggia uma série de oito obras encomendadas especificamente para o agrupamento, entre elas duas estreias: “Fragmentos, Interlúdio e Canção IX”, de Daniel Bernardes, e “8 de Maio”, de Paulo Gomes.

O resto do programa, marcado pelo repertório para big band e navegando entre a clássica e o jazz, inclui peças de Paulo Perfeito, Telmo Marques, Mário Laginha, Carlos Guedes, Pedro Moreira e Zé Eduardo.

Além dos quatro principais concertos, o programa abarca outros momentos da programação habitual da Casa que incluam compositores lusos, num esforço “muito importante” para promover criadores nacionais, considera Frederic Cardoso.

“A música contemporânea portuguesa está com muita vida, e é muito importante promovê-la e promover os jovens compositores, que muitas vezes não têm assim tantas oportunidades, ainda para mais num espaço tão emblemático”, acrescenta.

Os bilhetes podem ser comprados na Casa da Música, presencialmente e online.

Texto de Lusa e Carolina Franco
Imagem de Casa da Música

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