A nova exposição da artista e poetisa Maria Mergulhão chama-se “Up Next: It’s Your Life” e decorre no centro LGBT de Lisboa, de 9 a 24 de outubro. As obras desta mostra estão ligadas, sem subterfúgios, à experiência da própria artista enquanto “queer e feminista”. A inauguração será dia 9 de outubro. O centro LGBT Lisboa é a sede da associação ILGA (Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual e Transgénero) e está aberto de quarta a sábado, das 19h às 23h.

“Up Next: It’s Your Life” inclui obras de pintura e escultura marcadas por uma componente abstrata e pela presença de texto, nomeadamente poesia. “Poemas para engolir, para saborear”, diz-nos Maria Mergulhão, acrescentando que o conteúdo das peças forma uma narrativa sem ordem definida.

“Há quadros a gritar por atenção e amor, como crianças que só querem amor. Há quadros que são exactamente o que são: manifestos da realidade queer e feminista. Há obsessão nas obras abstratas, o espaço não respira, está bombardeado de informação para ser levada para fora da exposição”. Para Maria Mergulhão, o “levar para fora” é importante, sobretudo pela falta de informação sobre as temáticas que lhe são centrais (o ser-se queer e feminista). A artista identifica essa lacuna no nosso país e, por isso, diz sentir a necessidade de criar aquilo que falta.

Quando questionada sobre a escolha do local para a exposição, o centro LCBT de Lisboa, Maria não hesita em mostrar a sua admiração pela associação em causa: “Fazem milagres na sociedade portuguesa, nomeadamente na integração social, no apoio psicológico, no serviço de apoio às vítimas LGBTI, no departamento jurídico, na organização de eventos culturais.”. Acrescenta ainda que encara esta exposição como o seu contributo para a missão da ILGA, “fui convidada para fazer a inauguração do Dia do Coming Out e é com muito orgulho que a faço num espaço tão precioso para a comunidade (…)”.

Maria Mergulhão é uma artista de 26 anos, natural de Lisboa. Aos 17 anos emigrou para Londres onde estudou Belas Artes tanto na University for Creative Arts como na Goldsmiths University of London. De momento, encontra-se a viver em Lisboa e trabalha no seu estúdio em Cascais. Maria gosta de dizer que é o seu “estúdio cor-de-rosa”. “Às vezes não consigo resolver um quadro sem que ele esteja cheio de cor-de-rosa”, diz-nos. No entanto, sublinha que esta cor não surge pelo seu eventual significado mas que se trata apenas de uma escolha do foro estético. As suas obras, nomeadamente as abstratas, têm um cunho obsessivo, marcadas por padrões e cores fluorescentes, “quero-as com vida, a chamar vida”, conclui.

LGBT é o acrónimo para lésbica, gay, bissexual, transgénero. Existem variantes como LGBTQ em que o Q significa queer ou questioning (aplicável aos que estão a questionar a sua sexualidade, não se definindo). Existe ainda variante com I (LGBTI), onde o I significa intersexo.

Queer é um adjectivo aplicável àqueles que não são heterossexuais. Por vezes, as pessoas identificam-se como queer porque acham os termos lésbica, gay ou bissexual demasiado limitados e/ou com uma conotação cultural que não lhes é aplicável. Este termo não tem um sentido consensual.

Texto de Maria Costa
Imagem de uma obra de Maria Mergulhão, cortesia da ILGA

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