A pandemia do coronavírus e a paralela onda de solidariedade são o mote de mais um projeto de aproximação segura, Chamadas de Embalar. O conceito é simples – encomendar uma serenata para alguém que se ama –, é inclusivo – faz-se por telefone, não isolando quem não tem acesso à internet –, e é solidária – as doações de quem encomenda revertem para dois hospitais destacados para combater a covid-19.

De 6 a 16 de abril, entre as 20h00 e as 22h00, vários artistas pegarão no telefone e farão uma serenata ao ouvido, como veículos artísticos de uma surpresa encomendada. Beatriz Pessoa, Ditch Days, Ana Mariano, Marinho, Vasco Completo, Rita Dias, Gabriel Petra, Surma e Lour são alguns dos nomes confirmados, com estilos diferentes entre si, o que deixa uma pegada musical e artística especial. Espera-se que estas Chamadas de Embalar possam chegar a profissionais de saúde e a qualquer profissional que esteja a trabalhar ou a familiares e amigos que estejam isolados.

O Gerador falou com Rúben Pardal, um dos responsáveis do projeto, que explicou como se juntou à Carolina Caldeira e ao Francisco Lacerda para que o Chamadas de Embalar acontecesse. “O projeto surgiu face ao contexto de crise e isolamento social em que vivemos. Eu estava a fazer isolamento há mais de vinte dias, sozinho em Lisboa, longe da família. Ainda que tenha acesso ao número infinito de conteúdos que têm surgido nas últimas semanas, por parte de marcas, músicos, e por aí, desafiei a Carolina depois de ver uma iniciativa que tinha visto da Casa Fernando Pessoa, Leituras ao Ouvido, um projeto que inspirou este projeto. Em conversa, embora sejam milhares os conteúdos, acreditamos que não cheguem a quem está verdadeiramente isolado e sem acesso à tecnologia, por isso lembrámo-nos que o telefone poderia ser um verdadeiro meio para fazer acabar com a saudade, mas com uma pequena surpresa – envolvendo a música, daí o conceito de serenatas cantadas por artistas através do telefone, para fazer chegar mensagens especiais que sirvam de abraço. O Francisco, entra depois, com toda a cara gráfica dada ao projeto, de forma a tornarmos mais profissional a nossa comunicação, e apelativa”.

Não tiveram qualquer apoio institucional para levarem a cabo a ideia, mas  Rúben Pardal confessou que não havia tempo a perder. “Gostamos de fazer acontecer, pelo que em três dias avançámos com o contacto aos artistas, aos meios de comunicação social, a influenciadores, avançámos com a produção, etc. Não quisemos perder tempo pois a saudade já aperta, e sabemos que este projeto seria especial para muitas pessoas que se encontram em situações de isolamento. Muitas foram as mensagens que disparámos e que continuamos a disparar para fazer chegar o projeto a bom porto – muitos vistos, sem resposta, mas o projeto está em pé, pronto para espalhar abraços. E que estes sirvam para matar a saudade. Acho que é assim que podemos ajudar”.

As Chamadas de Embalar estão previstas apenas para o mês de abril e Rúben espera que assim se mantenha, porque “embora as serenatas sejam sempre bonitas, os abraços reais são muito mais”. A equipa do projeto deseja que, mantendo-se esta ideia em cena, que seja com outro propósito, e não porque a covid-19 tenha ganhado outros contornos. No entanto, a adesão e o encorajamento para que as serenatas ao ouvido aconteçam têm sido comoventes. “A reação tem sido emocionante e tem-nos deixado num estado de reflexão enorme. Temos recebido mensagens muito bonitas e que nos dão força para ir além e levar o maior número de serenatas ao maior número de pessoas.”

Em suma, se há alguém longe de ti e que gostavas de surpreender com uma serenata ao ouvido, entre as 12h00 e as 16h00 liga ou escreve para o +351 913 841 430, define o melhor horário para ligar entre as 20h00 e as 22h00 e os artistas encarregar-se-ão de fazer chegar a tua mensagem com uma música. Se quiseres contribuir financeiramente, poderás fazê-lo através do gofundme. Sabe mais informações no instagram do Chamadas de Embalar.

Texto de Rita Dias
Design de Francisco Lacerda

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