A Barriga Estragada da Mamã é o primeiro livro infantil que fala sobre a doença, e é português. A autora é Susana Fonseca, presidente da MulherEndo – Associação Portuguesa de Apoio a Mulheres com Endometriose.

“A Endometriose é ainda pouco falada e conhecida. É uma doença com um diagnóstico, geralmente, demasiado tardio. A falta de informação e a desvalorização da sintomatologia fazem com que muitas mulheres vivam anos sem saber que sofrem desta condição, inclusive, por verem as suas queixas desvalorizadas clinicamente”, afirma a autora desta publicação, lançada com a chancela da Sana Editora e com ilustrações de Inês de Freitas. “Mas a Endometriose existe, é real, leva órgãos, sonhos e vidas. E é, por isso, que este livro é tão importante. Porque chega com o intuito de sensibilizar não só as crianças, como os seus cuidadores!”

Caraterizada pelo aparecimento de tecido similar ao do endométrio fora do útero, esta é uma doença complexa que provoca dores pélvicas crónicas incapacitantes, infertilidade e outros sintomas de relevo. Sobre a origem da Endometriose, existem diversas teorias, não havendo, no entanto, ainda um consenso.

Normalmente diagnosticada entre os 25 e os 35 anos – embora os primeiros sinais se possam manifestar anos antes, com o início da menstruação –, esta patologia afeta sobretudo as mulheres em idade reprodutiva, (entre 10 a 15%). Já nas mulheres com infertilidade, essa prevalência aumenta para cerca de 30 a 50%.

Para Filipa B. Osório, A Barriga Estragada da Mamã é “uma história fantástica pela simplicidade com que é contada. A ambivalência de um percurso de vida marcado pela dor e pelo sofrimento provocado pela doença e a felicidade de ter conseguido ser mãe é contada com ajuda das perguntas inocentes de Bi, dando a conhecer a doença, que continua a ser desconhecida para muitos.”

Esta médica ginecologista do Hospital da Luz Lisboa explica que endometriose é uma doença crónica que pode afetar dramaticamente a qualidade de vida da mulher e interferir na sua relação familiar e social, pelo que a perceção e diagnóstico precoce é de “suprema importância”. “Só assim é possível agir atempadamente através de uma equipa multidisciplinar, minimizando as consequências da doença. Está na mão de todos nós ouvirmos e reconhecermos estes sinais de alarme e incentivar a procura de ajuda especializada, pois ter dor menstrual incapacitante não é normal”, acrescenta.

Texto por Flávia Brito

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