A Ci.CLO, em parceria com as Câmaras Municipais de Évora, da Figueira da Foz, de Loulé, de Mértola, de Setúbal e a EDIA, lançou uma convocatória para atribuição de seis bolsas de criação artística, destinada a artistas nacionais e estrangeiros residentes em Portugal, que trabalhem com fotografia e vídeo.

Esta visa apoiar novos projetos com produção de exposição itinerante, que será integrada na programação da Bienal’21 Fotografia do Porto e nos vários espaços expositivos dos parceiros envolvidos no programa.

Sustentar“, parte de uma preocupação ecológica e da possibilidade de diálogo com a cultura e “tem como objetivo produzir uma série de projetos sobre iniciativas experimentais que estão a ser implementadas em território nacional como resposta aos desafios ecológicos e sociais que enfrentamos”, como se pode ler no comunicado de imprensa.

Os artistas bolseiros serão integrados num programa de criação, coordenado por Vírgilo Ferreira, que resultará numa exposição coletiva. O coordenador, também director artístico da Ci.CLO e da Bienal de Fotografia do Porto, será o responsável pelo acompanhamento curatorial, juntamente com Pablo Berástegui, curador e diretor da Galeria de Fotografia Salut au Monde e Krzysztof Candrowicz, curador, diretor de arte, investigador e educador, ex-diretor artístico da Triennale der Photographie Hamburg.

A Câmara Municipal de Évora oferece a bolsa para o projecto “POCITYF – Positive Energy Blocks“, cujo objectivo é a integração de sistemas energéticos, com o intuito de que a produção de energia seja renovável seja superior ao consumo .

A bolsa da Câmara Municipal da Figueira da Foz pretende promover a produção de sal, elemento essencial na sobrevivência económica, cultural e sustentável da região.

Loulé, partindo da sua riqueza geológica, planeia reforçar a sinergia entre as atividades culturais, ambientais, sociais, científicas, educacionais e turística

Mértola projecta desenvolver “técnicas de agricultura sintrópica, que se baseia na criação de um sistema estratificado em que a floresta se mistura com a agricultura e o solo protegido pela sombra das árvores maiores permite o crescimento das diversas espécies. Esta técnica potencia a regeneração dos solos, que se tornam mais húmidos, e promove a absorção de água da atmosfera”, lê-se no comunicado de imprensa. Paralelamente, decorrerá a implementação de  uma Rede Alimentar Local, através da qual o consumo de produtos locais será potenciado. Continuará a desenvolver acções práticas junto das comunidades escolares, tendo-se já criado, neste âmbito, cinco hortas sintrópicas.

A Câmara Municipal de Setúbal foca a sua preocupação com as condições de vida dos bairros do Grito do Povo e dos Pescadores, cujos habitantes sobrevivêm, sobretudo, da pesca e da indústria conserveira. Os níveis de desemprego e a exclusão social são muito marcantes na zona da Anunciada. Procurar-se-á desenvolver um projecto com estratégias de intervenção que renovem os espaços públicos, a partir do fomento da intergeracionalidade, que trará consigo a presença da memória.

A bolsa EDIA, referente à região do Alqueva, integra-se num projeto, cujo centro são as alterações climéticas, as quais visa atenuar nos montados portugueses e espanhóis.

O prazo de envio de candidaturas termina a 23 Fevereiro de 2020. A divulgação dos resultados será a 9 de Março e o período de criação artística decorrerá entre 24 de Março e 17 de Setembro de 2020.

Texto de Raquel Botelho Rodrigues
Fotografia de Annie Spratt, via Unsplash

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